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Abril num País de maioria não praticante
23 abr 2018, 23:24

A prática democrática não se pode resumir ao cumprimento das presenças nas mesas de voto nas datas marcadas.

ahcravo gorim *

44 anos depois do 25 de Abril, eu tenho 66 anos. No entanto a democracia é uma criança e eu aproximo-me perigosamente da velhice. Os tempos, sendo medidos pelo mesmo calendário, são tão diferentes!

O 25 de Abril é a única data histórica que se inscreve na nossa memória recente. Grande parte dos que agora me lêem, viveram-no e lembram-no.

Como todas as crianças, a nossa democracia ainda tem muito que aprender ou seja,  tem um caminho longo a percorrer, com tropeções, cambalhotas, puxões de orelha ….  tudo o que faz parte do processo natural de crescimento.

Quando digo democracia, digo cidadãos eleitos e eleitores.

Dois dos pilares básicos da democracia são a ética e a justiça, sobre eles assenta a sua credibilidade e a confiança dos eleitores. Ora são exactamente estes que mais puxões de orelhas precisam.

A corrupção abunda por aí  - mas será só cá? É como a atracção das crianças pelos doces. É o deslumbramento por aquilo que não se tem, ou não se teve, e se quer ter a todo o custo – tem por base a falta de ética. Há que fazer sentir a esta gente que o “fartar vilanagem” não se dá bem com a democracia e que hoje tudo, mais tarde ou mais cedo, se sabe e será julgado. Tem de ser julgado!

Entretanto, antes deste escrito, correram durante dias em canais televisivos, as filmagens dos interrogatórios ao ex-primeiro ministro José Sócrates. Haverá maior invasão de privacidade? Se Sócrates é culpado ou não, não sei, nem sei se alguém sabe, mas há uma coisa que é certa: é urgente saber quem forneceu as gravações e como é que elas “passam” serenamente na comunicação social. Isto sim, foi um crime, não só contra a privacidade de José Sócrates, mas contra um dos princípios fundamentais da democracia: o direito a um julgamento justo e imparcial,  em sede própria e não na praça pública.

Outro aspecto que me preocupa, nesta criança, é o poder local democrático. Será que alguns autarcas eleitos - refiro-me a eles porque mais próximos dos eleitores - não se transformam em pequenos/grandes distribuidores de favores/empregos locais? Será que não há eleitores cuja convicção na hora do voto, não é o “bem da terra”, mas o “poder fazer aquela obra”, “arranjar aquele emprego”, “não ser prejudicado”... porque “cuidado eles sabem, eles podem” ? ... Quantos medos, quantos fingires, quantos interesses, por detrás de um voto, de um estar, de um ser?

A criança ainda tem muito que aprender e levar nas orelhas, como se diz por cá.

Por isso, a prática democrática não se pode resumir ao cumprimento das presenças nas mesas de voto nas datas marcadas. Em democracia não é a ida às urnas que faz um democrata, como no catolicismo não é a ida à missa que faz um católico: é a prática diária.

Temos de ser cidadãos praticantes todos os dias.

* mestre de artes e ofícios.

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