A direcção do Beira-Mar vai propor aos sócios a participação numa Sociedade Anónima Desportiva (SAD), tendo já apresentado as linhas principais do projecto (c/áudio).
"Encontrámos um investidor que está na disposição de ser parceiro, de criar um grupo coeso", adiantou o presidente do clube, António Regala [declarações nas galerias relacionadas].
Majid Pishyar, empresário iraniano que opera a partir do Dubai, foi identfiicado como o investidor (ver Group 32). Já esteve em Aveiro a assistir, por exemplos, aos jogos com Benfica e Porto.
É o actual presidente do Servette, clube da II divisão suiça treinado pelo português João Alves que luta pela subida.
"As negociações com o clube decorrem há longos meses, desde finais de Outubro de 2010", adiantou António Regala.
O investidor já emprestou ao Beira-Mar uma quantia que rondará 500 mil euros e está em sintonia com decisões desportivas, nomeadamente aquando da contratação do treinador Rui Bento.
No âmbito do protocolo a celebrar entre as partes, caso seja dada luz verde à SAD pela Assembleia Geral, o parceiro assumirá grande parte do passivo que ameaça asfixiar o clube (processos judiciais, penhoras, inibição de ter contas bancárias, etc.), negociando o seu pagamento.
"Não se trata de um empréstimo, é alguém que faz um investimento", esclareceu o presidente do Beira-Mar.
Sem este tipo de operação financeira, seriam necessárias, pelo menos, sete épocas na primeira Liga, para pagar aos credores.
Regala admitiu que serão dadas garantias, nomeadamente passes de jogadores e património (pavilhão e a antiga sede, logo que desoneradas de arrestos motivos por ex-dirigentes).
A SAD, a ser aprovada, será criada logo após a reunião magna de sócios, devendo o parceiro ocupar a presidência. O Beira-Mar terá, através dos seus representantes, direito de veto em várias matérias, como decorre da lei.
O objectivo é criar uma equipa competitiva "sem entrar em loucuras", mas que, iniciando a próxima época a lutar pela manutenção, possa alcançar o objectivo primeiro "mais facilmente" e, quando tal suceder, traçar metas mais ambiciosas.
Entretanto, o clube perdeu o principal patrocinador da época, a Diatosta, o que obriga a acelerar receitas.
O empresário de origem iraniana, a confirmar-se, será a terceira parceria do Beira-Mar com capitais estrangeiros.
Anteriores acordos de agenciamento de jogadores com os ingleses da Stellar Group (presidência de Mano Nunes) e a empresa espanhola Inverfubol (presidência de Artur Filipe) não tiveram sucesso desportivo e, no último caso, implicaram encargos ainda hoje por suportar.
Notas
- Capital social de um milhão de euros (15% do clube, 5% dos sócios, restantes do parceiro);
- Negociação do passivo exigível, com vista à sua extinção;
- Não haverá despedimentos;
- Forte capacidade investimento do parceiro, aliada à sua experiência no campo da gestão desportiva;
- Parceria estratégico no reforço do papel social do clube, nomeadamente da promoção da prática desportiva;
- Estreita ligação entre o clube e a SAD.
Sessões de esclarecimento organizadas pela direcção (ver).