Aveiro | 17-ABR-2005 12:00
Atendimento na Conservatória dá grandes dores de cabeça

Quem for à Conservatória do Registo Predial e Comercial de Aveiro só em circunstâncias muito raras consegue ser atendido (o que não quer dizer que saia com o problema resolvido) antes de 4, 5 ou mais horas de espera segundo referiram utilizadores regulares daqueles serviços públicos, que são considerados como "os piores da cidade".



Se as finanças e os cartórios parecem recolher actualmente opinião satisfatória, já para não falar no sucesso da Loja do Cidadão, os registos instalados na Forca Vouga pararam no tempo, não tendo acompanhado, como deviam, a dinâmica da vida empresarial e social de Aveiro.

"São cinco horas no mínimo para ser atendido. Isto não pode continuar assim, com o predial e o comercial juntos. É necessário dividir o serviço e colocar mais gente no atendimento das pessoas", desabafa uma agente imobiliária que frequenta assiduamente a Conservatória.

Habitualmente são três funcionárias, das quais apenas uma no balcão, mas nem sempre, para 20 a 30 pessoas que (des) esperam pela chegada da sua vez num espaço reduzido e desconfortável.

As portas abrem às 9 horas da manhã, já com fila de madrugadores que fazem esse sacrifício para ser mais rápido. À entrada tiram-se os tickets e depois é necessário aguardar o número correspondente. Às duas da tarde, as portas voltam a fechar e só quem estiver no interior poderá ser atendido na hora de expediente.

É curioso ver como há muitas pessoas que vão retirar o ticket e depois voltam mais tarde. Desistiram de esperar e arriscam apanhar vez depois. "Assim dá para ir adiantando outros serviços, ir às finanças e voltar", conta uma técnica de contabilidade.
A informatização, apesar de estarem por lá muitos computadores, marcou passo e os registos, tarefa de si já complexa e morosa, são ainda (!) feitos, literalmente, à mão.

E tudo a um ritmo lento e, algumas vezes, em claro desrespeito pelas pessoas que são esquecidas por motivos à primeira vista incompreensíveis.

A demora leva os menos pacientes a protestar, até em voz alta. "Perdemos tempo, dinheiro e emocionalmente também sai caro estar aqui nestas situações", queixa-se um utente que assume ter "tirado o dia" só para resolver a papelada. Outra pessoa parece mais compreensiva quando ouve alguém dizer que ao lado do atendimento há uma sala com várias funcionárias. "As pessoas não entendem porque não ajudam aqui, mas estão lá sentadas a fazer outros serviços necessários", explica.

As reclamações parecem não incomodar quem lá trabalha que, face às circunstâncias, designadamente uma notória falta de pessoal e as próprias características da função, parecem resignadas.

Há quem tenha o típico comportamento do 'deixa andar'. Outras, sem acelerar muito o ritmo, procuram ser minimamente atenciosas.

A má fama da Conservatória não é de hoje e mostra a face mais negra da burocracia em que o Estado todo o poderoso dita as suas regras e ainda cobra.

"A burocracia é o ganha pão de muita gente. Isto devia levar uma lufada de ar fresco", diz um homem em tom indignado. Quem sai da Conservatória, após uma longa espera e consegue ver o seu assunto tratado não esconde o alívio e também alguma felicidade no rosto.

Panorama tem melhorado

Não há declarações oficiais, porque a tutela não autoriza, mas na Conservatória garantem-nos que "o serviço já esteve muito pior" e hoje é possível responder "nos prazos legais" ao expediente. O facto das pessoas serem atendidas "no próprio dia" já é tido como um trofeu, o que não sucedia há alguns anos atrás. Nos últimos meses, foi possível, apesar de tudo, resolver "alguns desajustamentos" nos serviços e dar "uma melhor resposta". No entanto, "o desenrascanço" das funcionárias também influência muito o atendimento, admite-se.

O problema crónico, e ainda sem solução, à vista tem a ver com a falta de pessoal, temendo-se, inclusivamente, a redução do número de funcionários. "É muito difícil ter isto a trabalhar assim", ouve-se como nota de queixa. Os pedidos à tutela enviados repetidamente nunca tiveram a resposta desejada, até porque as vagas para a função pública estão congeladas.

regressar à listagem
Ratings

Rating actual: [5 votos]


Classifique este artigo de acordo com o seu grau de interesse:
Excelente
Bom
Razoável
Mau
Péssimo
Comentários

Para inserir um comentário preencha devidamente o seguinte formulário e pressione no botão "Enviar".
Nome (Preenchimento obrigatório)
Email
Comentário (Preenchimento obrigatório e limite de 500 caractéres)

29-JAN-2010 04:26 | NVoTOUqcpvzfLPTUSf
CZ77TM <a href="http://zqltdnevidcm.com/">zqltdnevidcm</a>, [url=http://jeoxriqxrlww.com/]jeoxriqxrlww[/url], [link=http://xridohvehpwq.com/]xridohvehpwq[/link], http://hesylxmvibwl.com/
17-ABR-2005 19:03 | Luisa Povoa
Esta reportagem ilumina imenso uma situacao ridicula e incrivel existente nos servicos publicos, para quem esta a morar fora do pais e tem por costume obter servicos governamentais dentro de um tempo razoavel.
Portugal ainda e a muitos niveis uma salada de extremos!.. parece impossivel que com a quantidade de tecnologia existente hoje em dia, os servicos publicos a tantos niveis tenham o mesmo nivel de qualidade da Idade Media!
criar novo registo
recuperar password
subscrever info mail
Copyright 2001 - 2010 © Notícias de Aveiro Unipessoal, Lda - Produção e Difusão de Conteúdos. Todos os direitos reservados
página gerada em 0.438 segundos

Ir para o web site da Dataworks