"Compromisso formal" que permitiria evitar greve de estivadores a partir da meia-noite foi travado por um dos acionistas da ETP, garantiu fonte sindical.
O conflito laboral agravou-se nas últimas semanas com o pedido de insolvência da Empresa Trabalho Portuário (ETP) de Aveiro.
Saiu frustrada a tentativa de entendimento mediada pelo secretário de Estado dos Transportes num encontro, sexta-feira, no qual tomaram parte também, além de representantes sindicais, responsáveis das empresas de estiva, do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM) e da Administração do Porto de Aveiro (APA).
A greve de uma semana, que alastrou, em solidariedade, a outros portos nacionais, teria sido suspensa com a manifestação de "vontade" da ETP para avançar com "orientações" para elaborar um plano de viabilização no âmbito do processo de insolvência já em curso no tribunal de Comércio de Aveiro, pondo de lado a falência.
Segundo fonte sindical, o grupo Empresa de Tráfego e Estiva (ETE), que controla a Aveirport, uma das duas acionistas da ETP, mostrou-se "intransigente", enquanto o grupo Mota-Engi (Socarpor) admitiria avaliar a continuidade da atividade. A reunião das partes acabou, assim, por ser "inclonclusiva".
Estão em causa cerca de seis dezenas de trabalhadores portuários efetivos e mais 20 precários.
O caso de Aveiro é visto pelos sindicatos como emblemático, atendendo a que poderá antecipar os efeitos das medidas de liberalização do trabalho portuário exigida no memorando da Troika.
"Fala-se em muitos milhões de prejuízos da greve, mas resolvia-se os problemas com alguns milhares de euros", adiantou fonte do Sindicato dos Trabalhadores do Porto de Aveiro (STPAveiro).
Os sindicatos garantem os serviços mínimos, que dizem respeito a cargas urgentes (medicamentos e produtos perecíveis). Minimizam ainda as consequências, já que os agentes de navegação terão acautelado as rotas dos navios atempadamente.