Deputados do PSD e CDS desentenderam-se na Assembleia Municipal (AM), durante a análise do mais recente relatório do Plano de Saneamento Financeiro (c/áudio).
Olinto Ravara, vogal social democrata, suscitou a polémica quando atribuiu “a medo de coação” do Tribunal de Contas (TC) a ausência de deputados na reunião anterior, em que foram aprovadas as Grandes Opções do Plano (GOP) e Orçamento para 2012.
Uma auditoria das medidas asssumidas pela edilidade, aquando da operação de consolidação financeira lançada em 2008, que envolveu um empréstimo de 58 milhões de euros, aponta supostos incumprimentos e as implicações (coimas) para os eleitos que tomaram parte em deliberações, entre membros da AM e do executivo camarário.
“Estamos numa fase preliminar para estar a lançar o medo em alguns espíritos que não se encontram devidamente esclarecidos”, lamentou Olinto Ravara, considerando “preocupante” a atitude dos parceiros, da qual entendeu fazer “uma leitura política”.
Ernesto Barros, um dos três vogais do CDS que não compareceram na votação das GOP, reagiu, usando o preceito da defesa da honra, em termos duros. “Os deputados têm direito de faltar quando querem faltar ou se estão doentes. Não há mínima coação sobre um documento que até é sigiloso, mas foi divulgado, somos livres de decidir. Não somos carneirinhos para aceitar tudo o que que a Câmara quer que a gente aceite”, afirmou.
Maioia não preparou orçamento com bancadas apoiantes
O habitual porta-voz da bancada popular acabaria mesmo por revelar desagrado devido à falta de diálogo com o executivo. “O orçamento, peça fundamental, nem sequer teve uma reunião preparatória com grupos parlamentares. É muito grave”, disse.
“Não sei se a coligação pode acabar ou não, mas pelo CDS continuamos a ser livres de decidir. Houve deputados que estiveram presentes, deputados que faltaram e quem se abstivesse” , concluiu Ernesto Barros [ouvir nas galerias relacionadas].
O presidente da Câmara, Élio Maia, manteve-se sem intervir no ´fogo cruzado´ entre as bancadas que suportam a coligação.
Discurso direto
"O sr. presidente da Câmara, que é o líder do projeto político ´Juntos por Aveiro´, já tinha obrigação de sentar à mesa os presidentes das concelhias do PSD e CDS para descobrirmos em que pé estamos" - Pedro Pires da Rosa, PS [ouvir nas galerias relacionadas].