Presidente entende que o PS não tem autoridade para criticar maioria de direita enquanto não fizer "um acto de contrição" por decisões enquanto poder que "hipotecaram" os próximos 15 anos.
Élio Maia queixa-se de continuar a ter de canalizar verbas para resolver o passivo herdado em 2005 dos dois mandatos de Alberto Souto, inviabilizando outros investimentos locais.
O edil eleito pela coligação PSD-CDS, que falava esta segunda-feira à tarde no balanço de dois anos do segundo mandato no cargo, deu o exemplo, muito recente, do "resgate" de mais dois lotes do Plano de Pormenor do Centro, envolvendo encargos para o município de quase 604 mil euros.
A Câmara hipotecou os terrenos na banca e vendeu-os em hasta pública há 11 anos, no entanto nunca formalizou o negócio.
"Agora temos de andar a gastar estas fortunas e pôr dinheiro praticamente fora para conseguir resgatar e fazer escritura. Isto é imoral, com prejuízo ainda para o município por não ter recebido o IMI", disse Élio Maia.
Os 600 mil euros entregues ao banco por uma operação de leaseback mais ampla "davam para fazer uma obra de 4 milhões, por termos comparticipações de 80%", notou o presidente.
Este e outros processos herdados pela coligação levam a devolver as críticas ouvidas ainda recentemente pelo PS concelhio à gestão camarária.
Élio Maia foi particularmente duro com o ex-vice-presidente Eduardo Feio, líder concelhio do PS. "Teve responsabilidades marcantes, foi vice-presidente e ao fim de oito anos deixou Câmara em estado financeiro ruinoso e caótico".
Por isso, "se houvesse consciência na política, a primeira coisa" que o eleito do PS "deveria fazer era pedir desculpa aos aveirenses".
"Tinha esse dever ético e moral, por causa da hipoteca que fez do futuro de Aveiro", acusou.
"A partir de desse acto de contrição, que uma pessoa com honestidade e consciência devia fazer, teremos todo o gosto de conversar", concluiu.
Discurso directo
"Em 31 Agosto de 2010 o passivo era de 152 milhões de euros e em 31 de Agosto de 2011 cerca de 154 milhões de euros.
Deveriam felicitar a coligação por as comunicações à Assembleia Municipal informar de forma clara e precisa sobre a situação financeira, no passado não tínhamos dados comparativos.
Deveriam congratular-se pelo grande esforço na recuperação financeira do município. No período referido, houve uma diminuição de passivo de 13 milhões de euros. Sabem que durante este período tivemos de incluir uma coisa que legalmente deveria ter sido incluída em 2004. As pessoas não cumpriram a lei e tivemos de incluir 15 milhões de euros sobre os quais não tivemos responsabilidades. Naturalmente, depois há um aumento de dois milhões de euros, não da nossa responsabilidade" - Élio Maia, presidente da Câmara.
Balanço de dois anos de mandato
Resumo elaborado pelo executivo camarário [consultar PDF nas galerias relacionadas].