Não apareceu nenhum comprador interessado na venda judicial do pavilhão do Beira-Mar, no Alboi, esta manhã, no tribunal de Ovar.
O actual accionista maoritário da SAD do futebol profissional do clube, Majid Pishyar, chegou em Junho a sinalizar a compra do imóvel com 20 % (120 mil euros), mas falhou os restantes pagamentos, o que levou o processo ao princípio.
Clube e SAD não compareceram na abertura de propostas.
Assim sendo, o recinto desportivo e a antiga sede, um escritório na Avenida Lourenço Peixinho, vão passar para as mãos dos ex-dirigentes que penhoraram o clube por dívidas de 800 mil euros.
O empresário iraniano ainda tentou, nos últimos dias, através do seu advogado em Portugal, renegociar o calendário de pagamento em termos que não mereceram acordo.
Aquando da entrada na SAD, Majid Pishyar tinha assumido o compromisso de pagar aos credores principais.
Artur Filipe vive "dia muito triste"
As secções desportivas que utilizam o pavilhão dependem agora da boa vontade dos ex-dirigentes Artur Filipe e José Cachide, embora tudo aponte para o fim das actividades, tendo em vista a demolição para outros fins, nomeadamente imobiliários.
O ex-presidente Artur Filipe limitou-se a dizer que "viveu um dia muito triste como beiramarense", lamentando o desfecho do processo "para o qual fomos arrastados".
Além da transferência de propriedade, a sentença do juízo de execução de Ovar dá cobertura a uma possível ordem de despejo dos inquilinos, caso se oponham à saída depois de mudadas as fechaduras.
"Vão acabar as actividades desportivas", garantiu, por sua vez, o advogados dos ex-dirigentes, Armindo Sequeira, responsabilizando o Beira-Mar "por ausência de diálogo e de propostas" que permitissem um entendimento entre as partes, nomeadamente com garantias de pagamento através de receitas das transmissões televisivas de jogos.
Os ex-dirigentes reclamam ainda mais 1, 3 milhões de euros de empréstimos e outros encargos assumidos com o clube, o que motivou penhoras várias, entre as quais receitas de transmissões desportivas, de um terreno das piscinas propriedade actualmente da Nível II.
O presidente do Beira-Mar, António Regala, já lembrou que o investidor da SAD garantiu instalações alternativas que, por agora, se desconhecem.
Depois das piscinas, vendidas a uma imobiliária, o clube fica agora sem qualquer património.