Aveiro | 23-NOV-2009 21:06
“Face Oculta”: Mais dois arguidos indiciados por associação criminosa

O Ministério Público imputou a mais dois arguidos o crime de associação criminosa no âmbito do processo “Face Oculta”, propondo o pagamento de cauções.



Paulo Pereira de Costa e Manuel Nogueira da Costa, pai e filho, empresários do ramo da sucata, ficaram a saber também, que são suspeitos de receptação de material furtado.

O advogado de ambos, Pedro Marinho Falcão, contrapôs que trabalhavam “isoladamente”, e não existia “nenhuma outra ligação” com Manuel Godinho, arguido principal em prisão preventiva, “a não ser de negócios”.

As medidas de coacção a determinar pelo juiz de instrução criminal António Costa Gomes serão conhecidas quinta-feira à tarde.

Paulo Pereira de Costa e Manuel Nogueira da Costa seriam operacionais do empresário Manuel Godinho por conta de quem, nomeadamente, procediam ao levantamento e transporte de resíduos.

Num caso, a PJ detectou em Abril último, em Sines, na Petróleos de Portugal, grupo Galp, a apropriação de 100 toneladas de resíduos nobres (cobre e quadros elétricos) no valor de pelo menos 300 mil euros como se fosse material ferroso. Este era usado apenas para cobrir as cargas depois canalizadas para uma empresa de Paulo Costa.

Advogado recorre das cauções

O Ministério Público pediu a aplicação de cauções aos inquiridos durante o dia de ontem: 50.000 euros a Paulo Pereira Costa e 30.000 euros a Manuel Nogueira da Costa, bem como a proibição de contactar outros arguidos ou sair do País sem autorização.

Segundo o advogado Pedro Marinho Falcão, o arguido mais novo “prestou esclarecimentos, de uma forma circunstanciada e com detalhe”. Mas o pai remeteu-se ao silêncio.

O mandatário dos arguidos insurgiu-se, em sede de interrogatório, com a exigência de prestação de caução, admitindo recorrer da medida, caso seja determinada pelo juiz de instrução criminal.

“Considero qualquer valor exagerado, porque, na nossa perspectiva, não há, neste momento, no processo qualquer elemento que justifique a aplicação de uma outra medida de coação para além do Termo de Identidade e Residência”, disse Pedro Marinho Falcão.

Além do mentor da alegada rede tentacular para obter benefícios junto de empresas públicas, o único em prisão preventiva, são suspeitos de associação criminosa Namércio Cunha e Hugo Sá Godinho, também colaboradores do empresário de Ovar.

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