‘Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro’, UNESCO 2025.

A inscrição da candidatura ‘Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro’ na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de ‘Salvaguarda Urgente’ é assumida também como uma “homenagem e agradecimento” a quem tem “perpetuado” ao longo dos anos a embarcação tradicional da Ria de Aveiro, enfatizou Januário Cunha, presidente da Câmara da Murtosa, concelho considerado “o coração” daquele ex libris’.

“Hoje o que celebramos é a notoriedade, um património como o barco moliceiro que ganha uma escala mundial e internacional. Este reconhecimento vem trazer uma visibilidade acrescida e, naturalmente, um fortíssimo benefício para o património em si, mas também para toda a região. Quando um dado património é reconhecido pela UNESCO, o incremento na visitação é muito grande”, declarou o edil entrevistado por NotíciasdeAveiro.pt a partir de Nova Deli, Índia, onde teve lugar a reunião do comité da UNESCO que apreciou as candidaturas a Património Imaterial da Humanidade.

“Estão de parabéns os homens que com muita tenacidade e persistência têm mantido este património vivo, os construtores, os pintores, os donos. Manter uma embarcação tradicional hoje é um desafio muito grande”, lembrou o presidente da autarquia murtoseira, concelho onde existe o maior número de moliceiros em condições de navegar em plena ria.

‘Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro’, UNESCO 2025.

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Discurso direto

“Podemos aproveitar os barcos moliceiros como elementos de promoção turística, já que a sua vida dedicada à apanha de moliço extinguiu-se. A utilização das embarcações tradicionais à vela, em ria aberta, será uma excelente oportunidade com esta visibilidade. No processo de salvaguarda, o processo de formação é importante para que a arte não desapareça, felizmente temos já boas experiências. Temos de incrementar, também, o sentimento de pertença, de divulgação junto das escolas. Temos um projeto-piloto no âmbito do Grupo de Ação Costeira precisamente sobre essa matéria. Há outras medidas, desenvolvemos com a Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos a simplificação do processo de legalização associada à construção do barco moliceiro, com menos custos, por isso temos um incremento de embarcações. Queremos mais vezes os moliceiros na ria, estendendo as regatas ao sul”.

Ouvir abaixo partilha com a primeira parte da entrevista completa.

Discurso direto

“Traz-nos em primeiro satisfação, mas também a responsabilidade acrescida da forma como património é valorizado e como é perpetuado pelas medidas de salvaguarda. Representa uma profundíssima oportunidade de valorização do património, pelo incremento de visitação. No plenário da UNESCO, com delegações de uma centena de países, gerou interesse, que nos parabenizaram e quiseram saber mais sobre este património. Conhecemos outros países com património também ligado à construção naval, até poderemos fomentar parcerias interessantes. Temos de recuperar, e tem sido feito esse esforço também, a ideia da ria enquanto grande via de comunicação que une e congrega os seus 11 territórios da região, temos todos a ganhar, até o país. Mas temos de cuidar, sobretudo, da sustentabilidade das embarcações, criando condições para os proprietários terem valorização, até económica, das embarcações”.

Ouvir abaixo partilha com a segunda parte da entrevista completa.

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