
A edição de 2026 do Port2Rail aconteceu entre 19 e 21 de maio e foi organizada como uma experiência imersiva sobre intermodalidade ferroviária: a viagem de comboio passou pelos principais portos, terminais e centros logísticos — Lisboa, Setúbal, Sines, Aveiro, Leixões e Entroncamento —, combinando formação, visitas técnicas e exercícios práticos.
António Nabo Martins *
A primeira nota é que o comboio não consegue entrar nos Portos, por meras questões regulamentares, dando assim ainda mais razão à necessidade destas formações. A acessibilidade aos Portos foi realizada em autocarro, provando-se assim a eterna dependência dos modos terrestres, um do outro. Intermodalidade pura.Apoios à ferrovia
As entidades organizadoras, IPS (Academia Nexus), APAT, CLF, Intermodal Portugal e Escola Europeia, ressuscitaram a Port2Rail, 15 anos depois da última edição nacional. Para tal contámos ainda com o apoio imprescindível da APS, APSS, APL, APA e APDL, da Delta Cafés, da Yilport, da Medway, da Emel e, por fim, um dos parceiros mais relevantes, a CP – Comboios de Portugal. Sem eles não teria sido possível e mesmo assim foi muito difícil.
O conceito manteve-se: na prática, é transformar o comboio numa “sala de aula móvel”, onde se pode analisar as cadeias logísticas em tempo real, simular operações intermodais, debater a sustentabilidade, digitalização e disrupções globais, complementando com visitas a terminais rodo-ferroviários e portuários.
Ficou demasiado evidente a necessidade imperiosa de uma maior aposta na Intermodalidade, promovendo mais carga, menos acidentes, maior mobilidade, menor factura energética, maior sustentabilidade e menor impacte ambiental, maior desenvolvimento social.
O evento foi muito “hands-on” e pretendeu aproximar operadores, portos, ferrovia e academia e mostrar operações reais em vez de apenas apresentações teóricas.Portos portugueses
Para além das tendências do momento, foi igualmente abordado tema da cibersegurança, cada vez mais importante no controlo das cadeias logísticas.
Ficou muito evidente que desde a última edição, há 15 anos, pouca coisa evoluiu, ou mesmo nada, no panorama ferroviário nacional. Mas também nos foi transmitido, pelo secretário de Estado Hugo Espírito Santo, que as questões intermodais terão uma importância acrescida com a execução do plano Portos 5+.
Ficou demasiado evidente a necessidade imperiosa de uma maior aposta na Intermodalidade, promovendo mais carga, menos acidentes, maior mobilidade, menor factura energética, maior sustentabilidade e menor impacte ambiental, maior desenvolvimento social. Ou ou seja, a ferrovia, quando executada eficazmente, de forma capacitada e competente, é irreversivelmente mais eficiente, menos poluente e mais sustentável.
Tivemos a sorte de terem embarcado no comboio CEO, transitários, operadores ferroviários, agentes de navegação, técnicos das administrações portuárias, alunos e investigadores e profissionais da área informática, que, basicamente, concluíram que Portugal sempre apostou em operadores especializados por modo de transporte, cadeias pouco integradas e integradores com baixa partilha e parcerias de planeamento logístico. Ora a intermodalidade exige precisamente o contrário, ou seja, cooperação, planeamento conjunto e integração operacional entre concorrentes e parceiros.
No final, foi muito interessante perceber que todos, sem exceção, adoraram o conceito, apesar de cansativo e exigente, e reconheceram a mais-valia de uma formação nestes moldes, congratulando a organização e questionando: – Para o ano há mais, certo?
* Presidente executivo na APAT – Associação dos Transitários de Portugal. Artigo publicado no site Transportes & Negócios.
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