Ferry elétrico de Aveiro começa a ser construído durante o verão

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Ferry de Aveiro.
Natal Estarr

A construção do primeiro ferryboat elétrico português, inédito também na Europa do Sul, que resulta de uma encomenda da Câmara de Aveiro para assegurar a ligação fluvial na Ria de Aveiro (forte da Barra – S. Jacinto), arranca no terceiro trimestre deste ano, com um prazo de entrega de 18 meses.

Informação transmitida esta quinta-feira, nos estaleiros da Navaltagus, no Seixal, após a apresentação da embarcação consignada por 7.326.490 de euros ao grupo português ETE, na sequência de um concurso público internacional.

O “segundo maior investimento” dos últimos dois mandatos da Câmara de Aveiro “em dimensão financeira”, como sublinhou o líder da edilidade sobre o processo desencadeado para a substituição do atual ferry, já com décadas de atividade e elevados encargos de operação.

Depois de projetado e construído, o ferry “100 % português”, que irá ter aspetos inovadores mesmo em termos internacionais, irá integrar a operação ‘AveiroBus’, a concessão de transportes públicos do município entregue ao grupo Transdev, sendo que a operação de transporte fluvial está já subconcessionada ao grupo ETE.

Um investimento com apoio garantido do Fundo de Coesão no valor de 2.168.321 de euros assumido pela autarquia, como lembrou Ribau Esteves, “em primeiro lugar”, para “a satisfação de uma necessidade básica”, atendendo à necessidade de ligar as duas margens da ria, para encurtar o percurso por terra, futuramente “em silêncio, conforto e com índice de qualidade bem mais alto”.

Depois, o ferry passará a ser, também, “um instrumento de inovação e de valorização ambiental para reduzir o tamanho da pegada ecológica”, associado a “um poderoso” meio de marketing territorial, dando “pretextos novos de atratividade e comunicação” a S. Jacinto e à Ria de Aveiro.

A nova embarcação terá capacidade para 260 passageiros, mais do dobro do atual, com 19 lugares para automóveis, um aumento significativo. Estará dotada de rampas em ambos os extremos para entradas e saídas.

Os gastos operacionais serão menos dispendiosos, por não consumo de combustíveis e menores encargos na manutenção associada.

Discurso direto

“É uma construção que o grupo assume como projeto de enorme satisfação e grande entusiasmo, posiciona-nos na vanguarda da engenharia, permite resposta a um desafio pioneiro, com impacto ambiental positivo para região e ria de Aveiro. Será apenas um primeiro passo que alavancará o mercado da mobilidade elétrica e preocupação crescente com sustentabilidade, 100 por cento português, aliando várias competências.
Para além de desafiante, demonstra o compromisso do grupo para com o país e a região de Aveiro, onde estamos presentes há 30 anos.
A ETE tem valores de excelência operacional, trabalhando na antecipação e inovação como é este projeto. É, também, mais um contributo para o cluster nacional da construção naval” – Luís Figueiredo, administrador da ETE.

“Mobilidade de passageiros não é apenas uma solução eficiente, mas também algo que crie uma experiência memorável de viagem, uma ligação afectiva não som os passageiros e  mas também com o território em que se insere. Fomos buscar inspiração nas aves da Ria, nas salinas, nas velas dos moliceiros; mas também na organicidade dos canais, na cultura local, na simetria do casco dos moliceiros, na arquitetura local e pensar em Aveiro como região onde existe tradição e modernidade em harmonia. Traduz – Rui Marcelino, CEO da Alma Design.

Comunicado conjunto CMA – ETE com mais informações

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