Em busca dos últimos estaleiros navais dos barcos da Ria

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Estaleiro de embarcações tradicionais em Estarreja. Foto de Bruno Azevedo.
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Já não se encontram muitos carpinteiros navais a construir os tradicionais moliceiros e bateiras da Ria de Aveiro, ou os barcos de arte xávega, destinados à pesca de arrasto no mar, junto à costa.

O mestre Felisberto Amador, um dos últimos em actividade, habituou-se a trabalhar “quase sempre sozinho” no estaleiro que mantém aberto na freguesia ribeirinha de Pardilhó, em Estarreja.

As visitas que recebe são mais de amigos que vão dar ânimo do que propriamente clientes com encomendas. “O futuro disto? É para acabar. Vai valendo quem tem um bocado de gosto nisto, porque não há malta nova a trabalhar”, lamenta.

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É em Pardilhó, mais concretamente na ribeira da Aldeia, que o município de Estarreja está quase a inaugurar um antigo estaleiro, para funcionar como espaço museológico, recolhendo ferramentas e outro espólio em risco de se perder.

Mas também como escola. Os mestres vão ser chamados a ensinar os mais novos uma arte que passou de boca em boca ao longo de muitas gerações e sem projectos desenhados em papel. Será um dos três pólos do futuro centro interpretativo da Ria de Aveiro (Estarreja, Murtosa e Ovar).

Continuar a ler artigo sobre o centro interpretativo.

No vizinho concelho da Murtosa, o estaleiro da praia do Monte Branco é o mais activo, entre reparações e uma ou outra nova embarcação que vão dando trabalho a dois ou três mestres, como Zé Rito, já às portas da reforma.

A excepção é Marco Silva, pescador da arte xávega que aprofundou ali os conhecimentos de carpintaria naval em madeira e arriscou construir um barco moliceiro “para passeio”.

Só com o aparecimento de novos mestres carpinteiros será possível também manter a navegar os barcos típicos da Ria de Aveiro.

“Felisberto Amador, Mestre do machado na Ria de Aveiro”

Consultar reportagem multimédia do site Ondas da Serra.

Xávega, o mais desafiador

Senos da Fonseca, natural de Ílhavo, é um dos maiores especialistas em embarcações tradicionais. Aplaude o centro interpretativo de carpintaria naval da Ria de Aveiro. o engenheiro mecânico de formação, destaca, em especial, as características “únicas” do barco da xávega, com proa em ‘meia lua’ para enfrentar as vagas, ainda hoje muito usado na faina marítima. “É o mais desafiador barco tradicional que conheço em todo o mundo, o mais bem concebido para aquele fim, com ideias de arquitectura naval que é qualquer coisa de transcendente”, garante.

Renovação do estaleiro da Torreira

Estaleiro Museu do Monte Branco, Torreira (Murtosa).

O projeto da reabilitação e ampliação é da autoria do arquiteto murtoseiro João Ruela, que havia já desenhado não só estaleiro existente como toda a intervenção de requalificação da área do Monte Branco, levada a cabo pela autarquia, em 2009.

Continuar a ler artigo sobre o estaleiro da Torreira.

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