Reabilitação Urbana e Sustentabilidade das Cidades

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Vista aérea da cidade de Aveiro.

Num momento em que as alterações climáticas estão mais presentes do que nunca na nossa agenda quotidiana importa perceber de que forma é que a reabilitação, enquanto novo paradigma das políticas urbanas, pode contribuir para a sustentabilidade das cidades, reduzindo o consumo de energia, as emissões de CO 2 , e, em sentido mais lato, contribuir para a melhoria da saúde, bem-estar e conforto das populações.

Por Álvaro Santos (*)

Se, por um lado, não restam dúvidas sobre a importância crescente que a reabilitação urbana tem vindo a assumir entre nós, nos anos mais recentes, por outro lado, a crescente consciência de que os recursos energéticos fósseis são finitos, e fontes de poluição local e global, conduziu ao reconhecimento da necessidade de mudar o paradigma energético, favorecendo as fontes de energia renováveis e estimulando a eficiência energética.

É neste contexto de mudança de paradigmas que se constata que um dos sectores com maior peso no consumo de energia é o dos edifícios que é responsável pelo consumo de, aproximadamente,40% da energia final, na Europa, e cerca de 30%, em Portugal. No entanto, mais de 50% deste consumo pode ser reduzido através de medidas de eficiência energética.

Nos anos mais recentes, na Europa e em Portugal, têm surgido uma vaga crescente de exigências relativamente à melhoria do desempenho energético e das condições de conforto dos edifícios.

Exemplo disso, foi a criação do Sistema Nacional de Certificação Energética, assim como, de vários diplomas legais que procuram regular, por exemplo, a qualidade do ar interior, a climatização e o comportamento térmico dos edifícios.

A integração de medidas de melhoria da eficiência energética na construção de um edifício implica um processo permanente, constituído por um conjunto de medidas diversificadas que deverão ser integralmente assumidas e compatibilizadas com as diferentes fases do ciclo de vida. Contudo, a realidade demonstra que a envolvente dos edifícios é um dos elementos que mais influencia o consumo de energia para climatização, sendo que, este elemento é responsável, em média, por 25% do total de consumo energético de um edifício residencial.

Assim, e se tivermos em conta que, em Portugal, existe cerca de 1 milhão de edifícios a necessitar de obras de reparação ou reabilitação, dos quais 400 mil carecem mesmo de obras muito significativas, então poder-se-á concluir que existe uma grande oportunidade para a dinamização do sector da reabilitação urbana no nosso País.

Para além disso, é um facto que o parque edificado nacional apresenta um mau desempenho energético, de uma forma generalizada, e estudos recentes têm sublinhado a importância significativa da reabilitação urbana para a melhoria da eficiência energética do edificado habitacional.

Em suma, é minha profunda convicção que a integração de medidas de eficiência energética nos processos de reabilitação urbana é um desafio que pode e deve ser prosseguido pelas entidades públicas, mas também, deve merecer uma crescente atenção por parte das entidades privadas, sejam elas, empresas, proprietários, inquilinos, profissionais do setor e, também, cidadãos em geral.

Afinal, todos devem estar mobilizados para esse grande desafio que é o aumento da qualidade de vida e da sustentabilidade das nossas cidades.

* Engenheiro Civil, Mestre em Planeamento do Território, PhD. Membro da PLATAFORMAcidades; grupo de reflexão cívica [email protected] | https://plataformacidades.blogspot.com/

“Saúde e Bem estar” e “Habitação e Cidade” são duas iniciativas que a PLATAFORMAcidades está a desenvolver em paralelo. Contributos que se espera possam suscitar a ponderação e as reações que nos ajudem a levar mais fundo e mais longe os objetivos estratégicos: contribuirmos, como Cidadãos, para tornar mais responsivos, eficientes, eficazes e sustentáveis esses bens e espaços – Pompílio Souto, Coordenador da PLATAFORMAcidades).

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