“Procuro ser o mais fiel possível nas réplicas”

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António Simões, artesão.
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António Simões embarcou tardiamente na vida de artesão, quando deixou a construção civil, juntando o útil (saber de carpintaria) ao agradável (paixão pelos barcos).

“Comecei a fazer artesanato depois de entrar na reforma, há sete anos. Era mais para passar o tempo”, conta aquele que é considerado um dos mais virtuosos construtores de réplicas de barcos típicos da região de Aveiro.

A cave de casa está transformada em estaleiro de miniaturas de moliceiros (Ria), xávegas (mar) e bateiras ‘patacha’ (pateira de Fermentelos).

António Simões, residente no concelho aveirense, tinha já construído o seu próprio veleiro, em tamanho real, de seis metros e meio, que levava a navegar entre a ria e o mar.

“Eu sempre gostei de barcos, comprei um quando regressei a Portugal, para a pesca e passear”, disse.

Ao passar às réplicas, o antigo emigrante não só apurou o talento como afastou uma arreliadora depressão.

Além de barcos moliceiros com “muito pormenor”, faz adaptações decorativas (moliceiros de parede, incluindo com caixilho) e utilitárias (chaveiro, porta canetas, etc.) do ex-libris da Ria de Aveiro.

“Para quem sabe trabalhar madeira não é difícil, vamos aperfeiçoando à medida que fazemos mais. Isso está a acontecer-me com o xávega, que eu acho um barco muito lindo”, afirma.

António Simões, que chegou a ser arrais de moliceiro em alguns passeios pela Ria, só deixa para a esposa as velas.

O resto, passa tudo pelas suas mãos. Incluindo palamenta e alfaias, que dão outra graça às embarcações.

Nas pinturas das proas dos moliceiros, além da Ria e do farol da Barra, não falta alguma marotice, como é da tradição.

As vendas são feitas normalmente em feiras, em jeito de passeio, por todo o país, mostrando com orgulho os barcos que denunciam rapidamente a origem de António Simões.

Discurso direto

“Procuro ser o mais fiel possível nas réplicas, porque não falta quem faça tamancos”, ironiza. Os moliceiros mais caros podem chegar aos 400 euros, pelo trabalho e exigência que levam. “Alguns, os primeiros, que são protótipos, não vendo, vão ficando para o meu museu”, adianta o artesão.