Apresentação das listas do PS para a Câmara e Assembleia Municipal de Aveiro.

“Tenho pena que o presidente Ribau Esteves não esteja a saber acabar o seu mandato com dignidade”. Lamento deixado por Alberto Souto num comício realizado este sábado na Praça da República.

O candidato aproveitou a apresentação das listas para a Câmara e Assembleia Municipal do PS para reagir a um “comunicado oficial” da Câmara, assinado pelo próprio líder da edilidade, em que este, por sua vez, reagia a declarações de Alberto Souto, que lhe apontou “má-fé política” a pretexto de decisões tomadas na ponta final do mandato.

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“O locatário deste edifício aqui atrás está empenhado até aos últimos dias para deslustrar os adversários. Não me intimida. É falso que eu tenha mentido, que tenha insultado ou sido arrogante, são factos”, disse, passando a enumerar: a Câmara quer colocar um “caixote na betesga” (obra na antiga biblioteca municipal) e “demolir” a vivenda da Cerciav. Também fez retificações: “É falso que tenha herdado uma Câmara gerida por mim, passaram oito anos; é falso que eu tenha andado com retro escavadora a partir o trabalho do meu antecessor, isso é uma ignorância, não sabe do que fala”. “Deve ser um pesadelo, mas não vou partir tudo que está feito. Os erros vão ser corrigidos, essa é a nossa obrigação”, afirmou Alberto Souto.

Os últimos ‘casos’ polémicos envolvendo decisões municipais tomadas na ponta final do mandato, como o Plano de Pormenor do Cais do Paraíso, mereceram uma referência indireta: “Vamos abrir as janelas para que entre o vento e varra de uma vez por todas a opacidade que há ali dentro, é preciso que entre ar fresco. O vendaval cívico que sentimos nos nossos corações, um edifício setecentista mas que tem de ser de vidro, totalmente transparente nos processos”, disse.

Sobre Luís Souto: “Fugiu aos debates, interrompe e não fica nenhuma ideia bem clara”, após “oito anos de silêncios cúmplices”

“O engenheiro já lá vai, o candidato da Aliança parece que não vai a lado nenhum; fugiu aos debates e aos debates que vai interrompe, não fica nenhuma ideia bem clara,
manda umas bocas, se me permitem a expressão”, prosseguiu, visando a candidatura da coligação PSD-CDS-PPM.

Antes já tinha feito notar que “ninguém conhecia o pensamento do candidato Luís”, dando razões: “durante oito anos não se lhe ouviu um like, nem um espirro nem um ui, nem umas reticências sequer, foram oito anos de emojis, de silêncios cúmplices, deve ser por isso que agora sentiu tanta necessidade de fazer um auto retrato, mas o retrato das suas ideias parece, custa-me dizer isto, uma foto bolorenta”, acrescentou numa referência à revista Aliança que serve para divulgar o programa eleitoral, acusando de pactuar com “o maior erro estratégico, que é o pavilhão oficina, a massificação da antiga lota” ou a “esconder o cartão sócio de ADERAV em frente à retro escavador tripulada pelo Engenheiro a demolir a vivenda da Cerciav”.

Conselho estratégico e conselhos municipais da juventude e envelhecimento ativo

O PS quer instituir um “conselho estratégico” se assumir a Câmara. “Não temos medo de quem pense diferente”, referiu Alberto Souto, disposto a dinamizar, também, assembleias de bairro para “ter ajuda a resolver melhor os problemas”, bem como a criar “novos conselhos municipais”, dando o exemplo da inexistência de conselho municipal da juventude (“quem tem medo da voz da juventude tem medo do futuro”) ou de um “conselho do envelhecimento ativo”.

Retomar “a itinerância de reuniões executivos, em que fomos os primeiros a fazê-lo” e “aproveitar todas as ferramentas” tecnológicas para “comunicar melhor” com os munícipes, desde “mera aplicações para identificar buracos na estrada, até plataformas onde todos possam ter voz”. “É assim que se travam populismos e governos sombra que não são mais do que sombras pesadas sobre a democracia, podemos combater isso melhor se nos aproximarmos das pessoas”, defendeu.

Discurso direto

“Temos de garantir um regimento que garanta o contraditório e abra as portas a todos os aveirenses, ouvir todas as vozes, especialmente dos que não concordam connosco, só conseguimos mudar ou defender se ouvir as vozes discordantes, temos de permitir que se se ouçam todas as vozes. Queremos na Assembleia Municipal regras que protejam a nossa democracia, com reforço dos seus poderes e meios como advoga o líder do PS. Estas eleições são particularmente importantes, não só para Aveiro, queremos que Aveiro seja um farol, que inspira o nosso país” – Cláudia Santos (candidata à presidência da Assembleia Municipal).

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