Nega agressões a antiga namorada e não se lembra de fugir à polícia de autocaravana

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Imagem Ovarnews.

O músico de 30 anos que conduzia a autocaravana alvo de uma aparatosa perseguição movida pela PSP na cidade de Ovar, a 13 de julho do ano passado, após um alerta de agressões de que teria sido vítima a companheira, negou as acusações imputadas quanto aos casos de violência doméstica. “Nunca lhe bati, é tudo mentira”, garantiu logo no início do julgamento, esta tarde, atribuindo à própria a autoria das lesões.

Além de crimes de condução perigosa, seis de tentativa de homicídio (nos casos em que abalroou viaturas policiais e atropelou um agente, causando-lhe ferimentos ligeiros) e danos, o arguido, atualmente detido, que é natural de Faro, responde por violência doméstica, sequestro, tráfico de droga e posse de arma proibida.

No julgamento iniciado esta tarde em Aveiro, está também em apenso um processo relativo à apreensão de droga em Lisboa em Maio que acusado transportava na caravana (cannabis, cocaína e MDMA).

A PSP encontrou na autocaravana do arguido atualmente em prisão preventiva cerca de 300 doses de drogas (canabis e MDMA), bem como duas catanas.

Um outro caso de violência doméstica ocorrido em Lisboa, a 11 de julho de 2018, em que o indivíduo foi intercetado pela GNR na A2, também na sequência agressões à vítima, que é natural da zona de Ovar, foi arquivado.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), o casal travou conhecimento no final de 2017 aquando da estadia de ambos no hospital psiquiátrico de Faro, mantendo uma relação conflituosa, com episódios de discussões e agressões verbais e físicas que levaram a mulher a separar-se do arguido e apresentar queixas, embora com reaproximações.

Vítima também “estava descompensada” pelas drogas, alegou o arguido

Nas declarações prestadas ao tribunal, o indivíduo referiu que consumiam estupefacientes e andavam pelo país de autocaravana, atribuindo as queixas da ex namorada “à depressão” de que esta sofria frequentemente.

“Ela consumia droga, bebia muito e tomava medicação. Estava descompensada”, referiu o arguido, negando a autoria de lesões sofridas pela mulher que motivaram tratamentos hospitalares “Deve ter sido ela própria, nunca lhe bati ou falei mal, eu tinha de a acalmar”, explicou.

Confrontado com a acusação das agressões (murros e pontapés) relativas ao derradeiro episódio num centro comercial de Ovar, de que há imagens de vídeo vigilância, o homem deu uma explicação semelhante. “Ela bebeu e consumiu droga toda a noite, de manhã estava completamente descompensada, estava a bater-se a ela própria, porque viu uma mensagem de uma amiga minha do Algarve, não queria ficar sozinha”, alegou.

O juiz presidente quis saber se o arguido insistia na tese de automutilação: “Sim, era a sério, metia medo”, foi a resposta.

Sobre a fuga do local com condução perigosa, e a perseguição movida pela PSP à autocaravana, o homem foi evasivo. “Eu já tinha consumido muito, entrei em pânico, estava em lástima, as memórias são muito confusas até parar numa rua estreia”, disse, atribuindo o comportamento perigoso que culminou até ficam algum tempo barricado a transtornos psicóticos causados pelas drogas.

O arguido negou ainda que traficasse droga, alegando que era a namorada que comprava. Já as catanas seriam “peças decorativas”.

No final pediu “desculpa” aos polícias que abalroou em Ovar e mostrou-se “muito arrependido”.

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