Legislativas 22: “PS tem atuado demasiado devagar e feito promessas que não cumpre” – António Topa Gomes, PSD

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Lista do PSD pelo círculo distrital de Aveiro nas legislativas de 2022.
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António Topa Gomes, cabeça-de-lista do PSD pelo circulo distrital de Aveiro nas eleições legislativas, admite que a sua escolha possa ter causado surpresa. O ex-vereador da Câmara de Santa Maria da Feira não deixa, contudo, de se mostrar muito otimista com o desfecho eleitoral (c/registo vídeo).

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NotíciasdeAveiro.pt – A disputa interna no PSD deixou marcas que possam dificultar a mobilização para as legislativas?

Eu era apoiante do dr. Rui Rio. O único cargo partidário que tenho é membro da assembleia distrital, um simples militante de base. Estranhamente, a disputa interna reforçou o dr. Rui Rio. Houve uma vitória clara. O dr. Rangel reconheceu isso. A generalidade dos militantes do PSD estão neste momento entusiasmados. Preferem qualquer um deles a António Costa. Agora uma pessoa que achasse que o dr. Rangel era o melhor estará um pouco menos entusiasmado.

Normalmente, o cabeça-de-lista é uma figura de proa, com muita visibilidade política e partidária.

Reconheço que o meu nome possa ter surpreendido. Com orgulho e admiração sou sobrinho do falecido deputado António Topa. Muitas vezes fala-se de renovação… Eu em 49 anos a maior parte do tempo tive uma profissão fora da política, mas sempre tive cargos políticos. Na Assembleia de Freguesia de Vila Maior, depois União das Freguesias de Canedo, Vale e Vila Maior,  e há quatro anos como vereador na Câmara de Santa Maria da Feira a tempo inteiro. Agora tinha regressado à minha vida académica e surgiu este convite. Julgo que terão apreciado o meu trabalho de autarca e político.
Não tenho a visibilidade de alguém que faz política a tempo inteiro toda a vida. Por um lado seria alguém com mais experiência, mas por outro não se pode estar a dizer que são sempre os mesmos e quando há uma cara nova lá nos queixarmos.
Ser uma pessoa de fora da política a tempo inteiro tem a vantagem de nestas dificuldades de animosidade interna estar a ser extraordinariamente bem recebido, embora com muito mais trabalho para dar-me a conhecer. Tenho a humildade de querer aprender e vai ter de ser rápido, atendendo às circunstâncias.

Nas prioridades traçadas, quais os maiores desafios ? São também os do país, claro.

Estamos a concorrer ao parlamento nacional. Não temos objetivos totalmente distintos. Há um alinhamento com as grandes estratégias. Um partido social democrata, reformista, ao centro, com grandes preocupações sociais. O distrito beberá um bocadinho disto. São mudanças necessárias a nível nacional.Por exemplo, há um problema sério no acesso ao Serviço Nacional de Saúde. O PSD conta com todos, com os privados, para melhorar e recuperar este atraso agravado pela pandemia. Os habitantes do distrito sentem essas mesmas dificuldades. É evidente que temos objetivos distritais que se complementam e não diferem muito do que acontecia há dois anos. O PS tem atuado demasiado devagar e feito promessas que não cumpre. O alargamento das urgências da Feira e de Aveiro, e construir uma série de unidades, reclamadas há dois anos, continuam a figurar como nossas lutas.

O Governo em funções tardou em avançar com alguns investimentos no distrito que são mais reclamados?

Claramente. Isso resulta de dois coisas: PS disse que ia investir, acabar com a austeridade, mas houve uma tentativa de não derrapar totalmente no controlo das contas públicas. Isso foi feito à custa da não execução orçamental. Aconteceu em quase todo o país e particularmente no distrito, onde não há, talvez, nenhum investimento relevante,  a não ser talvez a ligação pela A32 a Arouca, que era prometida há muitos anos. Parece que os investimentos demoram demasiado tempo, devagar, retardar; está a ser um governo pouco operacional e pouco eficiente. Por acaso o meu opositor direto até é o ministro das Obras Públicas. Não tinha ilusões que em dois anos fizessem tudo, mas andamos há 20 anos a preparar a modernização da Linha do Norte. No distrito, genericamente, não vemos investimentos significativos. Em algumas situações até está a ser menos olhado.

Existirão tentações eleitoralistas, por exemplo com trabalhos muito recentes na Linha do Vouga, no troço Norte ?

Tendemos a falar muito de obras, sou engenheiro civil e professor universitário. O tempo de planear e projetar é longo, devemos perder tempo aí para poder executar mais rápido. Na Linha do Vouga, estive presente em reuniões onde se falava num estudo de viabilidade, não era ainda o projeto. Neste momento, falta um objetivo estratégico, definitivo, saber se é viável e se é para avançar. Apontava-se para 100 milhões de euros. Neste momento, o que se está a fazer são medidas paliativas.

O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) veio permitir concretizar outras pretensões antigas, como a ligação Aveiro – Águeda, no Sul do distrito.

Reconheço que o PRR abre oportunidades de financiamento que não existiam. Agora há investimentos que podem ser antecipados. A dificuldade, muitas vezes, é ter projetos bem feitos para ter uma execução eficiente. O PRR poderá acelerar projetos, em que a ferrovia se encaixa.

O distrito tem o seu potencial empresarial, grande exportador. Fala-se na necessidade de alguns investimentos públicos em falta, por exemplo nas acessibilidades.

Pegando no Porto de Aveiro, há décadas que se reclama uma ligação em condições a Salamanca. Temos de decidir fazer ou não fazer este investimento. Ter um porto com capacidade e depois não ser eficiente é o pior dos dois mundos, é necessário começar a investir nessa área.
Relativamente à capacidade industrial e exportadora do distrito, é importante para o país e para a região. Há necessidade de alguns investimentos complementares O distrito está bem servido de infraestruturas rodoviárias no eixo rodoviário Norte – Sul, mas com alguns nós que podem ser criados para aumentar muito a eficiência e eixos de distribuição para o interior, que está menos servido.
Na Linha do Norte é preciso uma melhoria significativa. Continuamos a discutir a ‘Alta Velocidade’. Aveiro faz parte do traçado, é um projeto objetivamente nacional.

Em termos ambientais, a erosão costeira e a Ria de Aveiro são temas sempre discutidos.

Na questão costeira, julgo que temos de atuar no âmbito do plano de ordenamento, que deve ser um instrumento vinculativo e bem pensado para o futuro. Mas existem soluções de engenharia que permitem proteger a orla. Cometemos no passado erros urbanísticos. A Universidade de Aveiro tem especialistas, temos condições para trabalhar e propor soluções. Na Ria, existem problemas ambientais e também devemos pedir ajuda aos centros de investigação.

Com uma gestão local, descentralizada ?

Falo aqui pelo meu ponto de vista, numa opinião pessoal. Sou mais defensor da descentralização do que da regionalização. Há temas para os quais as regiões não coincidem com as necessidades de governação. A constituição de comunidades intermunicipais que abracem problemas mais abrangentes e a descentralização nessas entidades é algo de possível, sendo que tem de ter tudo associado, o corpo técnico, o envelope financeiro e a capacidade de gestão. A CIRA é uma entidade que pode gerir a Ria, até porque está mais próxima. A Mealhada, por exemplo, tem um problema sério com a Fundação da Mata do Bussaco, que tem há vários meses por nomear o representante do Governo central…

Nas anteriores eleições, em 2019, o PS teve sete deputados pelo distrito e o PSD seis. O que lhe pediram, que objetivos tem o PSD em Aveiro ?

Não é nada fácil… há dinâmicas importantes de campanha. A pandemia, este confinamento, afectou a dinâmica de vitória que o PSD tinha. Retira também visibilidade à campanha na sua componente local, que está um bocadinho parada. As redes sociais são muito importantes, mas é muito para um público militante, aquelas pessoas que terão a decisão tomada.
Estou convencido que o PSD vai ganhar as eleições a nível nacional. O PSD em Aveiro é mais forte do que a nível nacional. Estou convencido que vamos ter um melhor resultado que há dois anos. Temos como objetivo, no mínimo, a maioria absoluta dos deputados do distrito, que seriam oito. O resultado pode ser melhor ou pior, porque há uma grande divisão nos pequenos partidos. Alguns estão a crescer, particularmente na direita. Pode acontecer, no limite, nenhum partido na direita ter deputados em Aveiro.
O voto para a mudança, o voto útil, o que conta, é no PSD, porque nos outros da direita os votos correm o risco de serem votos perdidos.

António Topa Gomes, cabeça-de-lista do PSD pelo círculo distrital de Aveiro.

Mensagem final

“Aceitei este desafio porque acredito que Portugal tem de inverter o rumo que está a ter. Estamos ano após ano a aproximar-nos da cauda da Europa, precisamos de uma mudança de políticas. O PSD é o partido capaz dessas mudanças. É o partido que promoveu sempre a mobilidade social, dos pobres poderem estudar, do empregado que fez a sua empresa e teve sucesso, numa estreita colaboração entre a iniciativa privada e a público. Se queremos dar de novo o sonho de ver Portugal na frente do pelotão, o PSD é partido melhor posicionado para contribuir para isso”.

Nas eleições legislativas de 2019, o PSD teve no distrito de Aveiro 118.141 votos (33,55%) e elegeu seis deputados.

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