
João da Maia da Gama nasceu em Aveiro, e sabe-se que foi baptizado em 19 de Dezembro de 1671. Estudou filosofia na Universidade de Coimbra, tendo abandonado o curso para se alistar na frota da Índia com o vice-rei Conde de Vila Verde, D. Pedro de Noronha que partiu do Tejo em março de 1692.
Por Fernando Ferreira Dias *
A viagem da nau “Nossa Senhora da Conceição” foi uma tragédia, com doenças, tempestades, uma paragem forçada na ilha de Moçambique, um furacão no Oceano Índico, e tanto dizimou a tripulação que ao arribar a Goa em 26 de maio de 1693, das 580 pessoas que saíram de Lisboa salvaram-se só 84.
Maia da Gama mesmo doente enfrentou pela primeira vez um navio inglês na costa de Canará em agosto de 1694. Em janeiro de 1695 embarcou na esquadra que o vice-rei levou para o norte e tomou parte proeminente na destruição de três fragatas árabes, de Omã, ao largo de Rajapur, sendo ferido em combate.
Combateu no Golfo Pérsico, distinguindo-se na vitória sobre outra esquadra de Omã e na defesa da feitoria portuguesa em Bandar Kung. Foi ferido nos rins, do que jamais se curaria. Ainda convalescente, voluntariou-se para uma expedição de socorro a Mombaça, atacada pelos árabes de Omã, que acabaram por ser ocupada em 13 de dezembro de 1698 , pelos muçulmanos.
Acompanhou o vice-rei no regresso a Portugal, na grande nau “São Pedro Gonçalves”. A viagem de volta ainda foi mais dura deixou Goa em 20 de Dezembro de 1698 com 208 pessoas a bordo e depois de uma tempestuosa travessia pelo Cabo, chegou à Bahia em 23 de abril de 1699 com metade dos passageiros, chegando ao Tejo em Abril. Mas em 1700 João da Maia da Gama embarcou de novo para Mombaça como capitão da fragata “Nossa Senhora do Bom Sucesso”, que se incendiou acidentalmente na escala na Bahia. Sem se assustar, Gama encontrou outra fragata, “a Santa Escolástica”, com ajuda governador-geral do Brasil.
A “Santa Escolástica” também afundou com enorme perda de vidas em 27 de novembro antes mesmo de deixar a Bahia. Como sempre Gama, tinha uma boa sorte pelo que ele e mais 75 homens sobreviveram por serem bons nadadores.
Combateu no início da Guerra da Sucessão Espanhola, ajudando a ocupar a cidadezinha espanhola de Ferrera. Serviu ainda na esquadra sob o comando do inglês Sir John Leake, que destruiu a frota francesa ao largo de Gibraltar na baía de Algeciras, em março de 1705.
Voltou ao Brasil em 1707 e foi governador da Paraíba. Chegou ainda a ser nomeado capitão-general do Maranhão-Pará, de 1722 a 1728. No delicado problema da liberdade dos índios foi um ardoroso apoiante dos jesuítas e mesmo depois de regressar ao continente continuou a defender a acção dos missionários nesta questão.
Teve uma morte súbita em 11 de Novembro de 1731. Sepultou-se em Lisboa na igreja dos Paulistas abaixo do altar de St.ª Ana, e está para se lhe transladarem seus ossos para o convento de S. Domingos de Aveiro, em mausoléu que mandou em seu testamento se lhe fizesse na capela de N. Senhora do Rosário. Esta vontade nunca foi executada.
* Série de publicações ‘Personagens que fazem Aveiro’. Artigo publicado em Aveiro na História.
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