Leite inteiro.

Demoram algum tempo a vir mas acabam por chegar. Não é de agora. Nem de ontem. Falamos das modas, boas e más. Quase sempre dentro daquilo que se chama politicamente correcto. E transversais – ao mundo da direita e da esquerda. Instalam-se, porque nisto de modas, ninguém quer ficar para trás.

Em Fevereiro de 2023 o chamado mundo wooke alcançava o seu bilhete dourado, segundo a CNN. Expressões como “gordo”, “feio” e “doido” iam desaparecer dos livros de Roald Dahl.

O politicamente correto chegava às suas obras literárias com a editora Puffin a alterar e remover linguagem considerada ofensiva, de forma a promover um discurso moderno e inclusivo, em voga na altura, como avançou o jornal The Telegraph.

E qual era a linguagem considerada ofensiva? Era a relativa a peso, saúde mental, violência, género e raça. A personagem Augustus Gloop, por exemplo, num dos livros de Dahl, conhecido autor de literatura infantil, que em Portugal é editado pela Oficina do Livro/Leya, ia deixar de ser descrito como o “gordo”, passando a ser “enorme”. No livro “O Bga”, frases como “branca como lençóis” ou “casaco preto” foram removidas, evitando a referência a raça ou cor de pele. Também a Sra. Peste, do livro “Os Pestes”, perdia a característica de “feia” para ser considerada apenas “bestial”.

Os oompa loompas, personagens fictícios da obra “A Fantástica Fábrica de Chocolate também de Dahl, de “pequenos homens” evoluem para “pequenas pessoas”, adoptando a neutralidade de género. Estas revisões eram então transmitidas pela CNN que, acrescentava, terem vindo a ser trabalhadas por “leitores sensíveis” de uma organização chamada Inclusive Minds (Mentes Inclusivas, em português), que se diz apaixonada pela diversidade, igualdade e acessibilidade e comprometida em “mudar a face dos livros infantis”.

Em Portugal, que se saiba, esta moda, em termos literários não…pegou, embora tenha surgido alguma polémica no que dizia respeito à atribuição das cores “rosa” ou “azul” para definir leituras destinadas a crianças femininas ou masculinas. Mas trouxe consigo, aquilo a que hoje se pode apelidar de efeitos…secundários.

Estamos a lembrar-nos do….leite! Isso mesmo. As marcas que comercializam produtos lácteos decidiram “matar” o leite…GORDO. Deve ter sido uma “dor de cabeça” para a equipa de marketing, percursora da mudança de designação, aproveitar o exemplo ocorrido com o livro de Dahl – riscando obrigatoriamente o “gordo”, para o transformar em…”enorme”.

E por isso, o leite, deixou de ser GORDO, passou a…INTEIRO e sempre ficámos de acordo com as novas modas…internacionais!

Já não bastava muitas crianças dizerem que o leite vem do…Continente (passe a publicidade) em vez de vir da …vaca, e temos agora mais esta! Enfim…

Poderiam aproveitar a moda e alterar a designação do MEIO GORDO para leite SEMI-PARTIDO e do MAGRO para…PARTIDO… embora esta designação também pudesse trazer outro tipo de problemas…

Não estamos contra a renovação, mas há modas e…modas! Porque é que não nos preocupamos com o que verdadeiramente nos importa, esquecendo o politicamente correto? Talvez “um pano encharcado”, como se dizia na minha terra, pudesse refrescar certas mentes…

Assim, a modos que terapia …”ecológica”.

Jesus Zing

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