Florestas: “Não podemos baixar os braços”

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Reflorestação de zonas atingidas pelos fogos.
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É vital que os futuros cidadãos se envolvam em questões fulcrais de forma consciente e, neste momento, é urgente cuidar do nosso património natural.

Por Rosa Pinho *

Em 2011 foi celebrado o Ano Internacional das Florestas. Dado o sucesso das comemorações desse ano em todo o mundo, as Nações Unidas em novembro de 2012, deliberaram que o dia 21 de março, passaria a partir de 2013 a ser celebrado como o Dia Internacional das Florestas.

Mas na verdade tudo começou muito antes, no Nebrasca, em 1872, devido à escassez de árvores a população decidiu dedicar um dia à plantação de árvores.

Muitos países se seguiram nesta iniciativa, tendo a primeira “Festa da Árvore” sido comemorada em Portugal, em 1907, estendendo-se estas comemorações até 1917.

Em 1970, no âmbito das comemorações do Ano Europeu da Conservação da Natureza, foi retomada a celebração oficial do “Dia da Árvore”.

A Festa passou da Árvore à da Floresta quando, em 1971, a FAO estabeleceu o “Dia Mundial da Floresta” com o objetivo de sensibilizar as populações para a importância da floresta na manutenção da vida na Terra. Como consequência, em Portugal, em 1974, foi celebrado o primeiro “Dia Mundial da Floresta”, tendo sido escolhida, como em muitos outros países do hemisfério norte, a data de 21 de março (primeiro dia de primavera).

Não só nesse dia, mas durante todos os dias temos que ter consciência que as florestas são de extrema importância sendo o mais forte símbolo da Natureza. Contribuem de forma decisiva para o equilíbrio e a sustentabilidade do planeta, albergando cerca de 60% da biodiversidade. Protegem os solos dos processos erosivos, bem como os recursos hídricos. Possuem um papel crucial na regularização do clima, purificam o ar, sendo um dos principais sumidouros de carbono do planeta. São fundamentais no combate às alterações climáticas e na defesa da biodiversidade.

Possuem ainda importantes funções lúdicas, relacionadas com o lazer e o turismo, uma vez que a sociedade vive cada vez mais nos meios urbanos, entre edifícios e automóveis e necessita destes momentos junto à Natureza.

Mas… nem tudo corre bem, ou nem tudo corre sempre bem e muitas são as ameaças à nossa floresta autóctone. Excesso de monoculturas sobretudo de eucalipto, incêndios em larga escala, que já não destroem só as florestas, mas habitações e o mais trágico ainda, ceifam vidas humanas, a proliferação de espécies invasoras, o corte indiscriminado, bem como as doenças e pragas, que afetam algumas espécies. A juntar a tudo isto as alterações climáticas, que se traduzem não só em aquecimento, mas em ciclones e furacões que derrubam em poucas horas milhares de árvores.

Perante estas adversidades não podemos baixar os braços. Muitas têm sido as ações de reflorestação pelo país fora e a compreensão da importância da floresta é cada vez mais assimilada por todos. Uma instituição de ensino como a Universidade de Aveiro deve ter a capacidade de fornecer aos cidadãos e em particular aos jovens uma maior compreensão científica sobre a Natureza e consciencializar para a proteção do ambiente. É vital que os futuros cidadãos se envolvam em questões fulcrais de forma consciente e, neste momento, é urgente cuidar do nosso património natural. É fundamental reforçar a importância das Florestas, das espécies autóctones e da biodiversidade.

Ainda hoje estive numa escola na Figueira da Foz, no âmbito do Projeto Renascer, uma parceria entre a Universidade de Aveiro e a Câmara Municipal da Figueira da Foz, a falar sobre a importância da floresta “Floresta um presente para o futuro”, para cerca de 100 jovens do 10 e 11º ano. Serão eles os decisores do futuro e é urgente que sejam informados, para decidirem bem!

Neste 21 de março é habitual plantarem-se simbolicamente árvores por todo o país, no entanto esta não é a melhor altura para o fazer. A plantação de árvores na primavera em Portugal apresenta um baixo sucesso, devido ao aumento das temperaturas e diminuição da pluviosidade. Por isso temos o Dia da Floresta Autóctone que se comemora a 23 de novembro, sendo essa época mais adaptada às condições climatéricas do país.

Portanto, se neste 21 de março decidir plantar uma árvore, não se esqueça, que ela vai precisar de cuidados acrescidos, sobretudo de água, pois segundo as previsões meteorológicas as temperaturas vão subir quase para valores de verão

* Responsável pelo Herbário do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro. Artigo de opinião divulgado pelo site UA_online para assinalar o Dia da Árvore

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