Aveiro: Câmara garante transportes adequados aos horários escolares, apesar das mudanças

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O funcionamento dos transportes públicos no concelho de Aveiro continua a motivar alertas e pedidos de esclarecimento na Assembleia Municipal.

Na sessão realizada esta sexta-feira, quando se discutia a comunicação camarária relativa à gestão dos últimos meses, o assunto foi retomado, inicialmente, por Nuno Teixeira, do PCP, para quem “repor a oferta que não era a necessária não é suficiente”.

O vogal comunista deu o exemplo de um estudante que “se atrase” um pouco no último período do dia de aulas e não vá a tempo de apanhar o autocarro para São Bernardo só terá nova ligação pelas 8:20. “São precisas mais ligações”, defendeu.

Da bancada do Bloco de Esquerda, João Moniz quis ver melhor explicado pela Câmara os termos do acordo que a Transdev anunciou recentemente com a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) para retomar os carreiras que estiveram suspensas devido ao impacto da pandemia do Covid-19. “Mais uma vez, é o setor público a financiar o privado e quando nem existe um contrato intermunicipal”, criticou o deputado bloquista.

Ainda à esquerda, Ana Seiça Neves, do PS, alertou para falhas de ligações de autocarros. “Não são suficientes para as necessidades, as pessoas já reclamaram tantas vezes, era altura do executivo atender”, apelou, dando conta ainda de problemas nos abrigos de passageiros que “deixam entrar chuva”.

O presidente da Câmara, na resposta, destacou a articulação “de tudo que foi possível” entre as direções escolares e o operador AveiroBus para concertar “horários das escolas, com tempos diferenciados de entradas e saídas, e os horários dos transportes”.

No entanto, como admitiu Ribau Esteves, “não é possível passar autocarros de hora a hora” e surgiram mudanças. “Se alguém esperava meia hora, agora espera uma hora. Não é possível fazer de outra maneira”, disse, apresentando, contudo, “um balanço muito positivo”, uma vez que existem “horários escolares muito equilibrados com os horários dos transportes”.

O edil esclareceu também que a concessão municipal AveiroBus “é autónoma” da operação da CIRA, sendo esta autoridade regional de transporte.

Localmente, assumiu que a Câmara perspetiva adicionar do seu orçamento verbas “para tapar o buraco Covid, criado por força da queda brutal de receitas.”

Na CIRA, o concurso de concessão do serviço de transporte de passageiros ficou vazio e a conjuntura não dá expetativas que apareçam interessados.

“Os transportes foram dos setores mais atingidos com este problema da pandemia, a lógica é cada município gerir as suas operações, acertar com os operadores concelhios”, adiantou Ribau Esteves.

A CIRA, como autoridade regional de transportes, tem acesso a verbas públicas, como o Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes (PART) e o
Programa de Apoio à Densificação e Reforço da Oferta de Transporte Público (PROTransP), no âmbito do Covid-19. “E por essa via é transposto dinheiro para as empresas, de forma a ajudá-las a financiar a operação”, explicou o autarca.

Perante a insistência de João Moniz, o presidente da Câmara comprometeu-se a apresentar, em momento posterior, os montantes previstos pela CIRA para garantir transportes públicos.

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