Aradas, realidade virtual

1849
Avenida Europa (antiga EN 109), Aveiro.
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A Freguesia de Aradas celebrou 184 anos de uma forma “singela”, tão singela que nem foi mencionada na última Assembleia de Freguesia, nem tão pouco houve convidados da bancada do PS para a celebração.

Por Anabela de Almeida Saraiva *

Tais atitudes comprovam que a atual Presidência e o seu Executivo ignoram e não respeitam aqueles que pensam diferente. Os atropelos na democracia ficam com quem os pratica. Quem governa para si próprio ilude a realidade, vive na bolha partidária e não cumpre com os requisitos mínimos da decência democrática. Nada que nos admire visto que a prepotência, autoritarismo e desrespeito pelas instituições sempre foram as linhas mestras deste “calhambeque” que dá pelo nome de Aliança.

É evidente o estado caótico das vias de comunicação, as ruas e travessas da nossa Freguesia estão pejadas de buracos e lombas. É a completa falta de soluções eficazes para resolver problemas, tais como no cruzamento da rua do Carocho, buraco existente há vários meses, mal intervencionado e que continua sinalizado sem fim à vista.

Na Avenida Europa os circuitos pedonais tão garbosamente mencionados não foram obra da Junta mas sim das entidades privadas e por sinal mal executados no que concerne à mobilidade dos cidadãos.

As intervenções no antigo matadouro agora supermercado pertencente a uma cadeia espanhola, conforme denunciado na altura, têm erros de concepção inadmissíveis, postes de iluminação no meio do passeio impedindo o acesso a pessoas com mobilidade reduzida, os lancis dos passeios têm uma altura exagerada não existindo as rampas de entrada e saída, obrigando as pessoas a deslocar-se para a estrada com o passeio ironicamente a seu lado.

Nas bombas de gasolina junto à rotunda Eça de Queirós, mais uma intervenção de privados, quem quiser sair a pé no sentido de Aveiro encontra um buraco no passeio e uma altura de lancil exagerada que impede a locomoção em segurança. Percorrendo a Avenida até ao início de Ílhavo existe mais uma zona pedonal feita também por privados e mais uma vez, pasme-se, não existem rampas adequadas a pessoas com mobilidade reduzida. Mas parafraseando alguém, como em Aradas toda a gente tem automóvel estas pessoas não contam, mas na altura das eleições…

As tampas de saneamento provocam um ruído ensurdecedor às pessoas que vivem junto à Avenida, a Lei não se cumpre e é outra má intervenção efetuada, sem solução à vista.

Fica o convite a estes políticos de gabinete a calcorrearem umas centenas de metros entre o supermercado atrás descrito e o Lidl de Verdemilho para pararem de iludir a realidade. Tentem ser peões por uns minutos e verão a vossa segurança em risco. Quando se passeia pela Freguesia e não se fiscaliza, a realidade fica distorcida. É preciso vestir o fato de macaco e analisar os pormenores nos locais, quando se anda de táxi a saborear a paisagem a visão fica ofuscada.

É esta a intervenção que se vangloriam na Avenida Europa?

E a má sinalização e número insuficiente de passadeiras?

É esta a política de mobilidade que preconizam?

A Rua Capitão Lebre foi intervencionada no princípio e no fim do troço, o restante é um caos de buracos e desnivelamentos com a agravante de não haver segurança alguma para peões, muito menos para pessoas com mobilidade reduzida. Não basta pintar umas bonecadas é preciso muito mais do que isso.

As tais promessas não modificam em nada a realidade, os factos não se iludem com o que está para vir nem tão pouco tornam a inação desculpável.

Estes factos não são dignos de menção, porquê?

A Rua em fase de construção que irá dar acesso ao Centro Escolar de Verdemilho fulminou todos os prazos de execução, para quem dizia que a obra crescia como cogumelos… As inundações provocadas em alturas de grande precipitação corando de inveja os canais da cidade foram propositadamente esquecidas. O poste de iluminação no meio da estrada parece ser um modus operandi, estão sempre no local errado à hora errada.

A Unidade de Saúde Familiar tão duramente criticada nos primórdios agora é vangloriada e enaltecida como obra da Junta, a bem da verdade foi uma decisão governamental que enobrece todos os aradenses.

O que está mal a culpa é dos outros, o que está bem é obra da Junta, seria agradável e esclarecedor que este Executivo tornasse público o que se passou e parece que continua a passar com a debandada de vários elementos da equipa ao longo destes três anos, os aradenses agradeciam a transparência e a verdade. Quando o coração é grande a sintomatologia pode manifestar-se através de falta de ar e tonturas o que afeta a ação provocando uma determinação ofuscada pela realidade virtual.

Pouco se fez em Aradas nos últimos mandatos, a Aliança é a mesma, ou não? Quando se faz não se anuncia, porém acrescentaria quando não se faz não se diz que se fez.

Aradas sempre!

* Vogal na Assembleia de Freguesia de Aradas da Bancada do Partido Socialista.

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