Um mundo democrático e humano

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São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida.

Por Joaquim Ramos Pinto *

A Direcção da ASPEA – Associação Portuguesa de Educação Ambiental, está solidária com todas as pessoas e organizações que trabalham diariamente para lutar contra esta nova pandemia do Coronavírus (SARS-CoV-2) que tem provocado no Mundo e, em particular, em Portugal e aos nossos países irmãos como a Itália, Espanha, Brasil, entre outros, muitas perdas humanas e uma crescente instabilidade emocional, sendo necessário que todos possamos fazer o nosso melhor para ajudar a ultrapassar este período difícil.

A Carta da Terra enfatiza no seu preâmbulo que “estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas.

Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre numa casa comum e com um destino comum.

Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça económica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos a nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.”

Este é um momento, como reafirma a Carta da Terra, de repensar o nosso padrão de vida baseado no consumo exacerbado e excedentário, das sociedades que evoluíram para o cansaço do individualismo e egoísmo social, da velocidade de disseminação de literatura e artigos falsos com o intuito de fomentar guerras geopolíticas, rompendo com os valores da solidariedade, da defesa do bem colectivo, da compreensão e respeito pela diversidade da vida. Valores estes, que se fortaleceram depois da segunda guerra mundial, da pandemia do HIV, da crise económica e de outras pandemias virais como a peste suína ou das aves.

“Quo vadis Humanidade”? Desta expressão latina, partimos para onde? – não sabemos, porém, a escolha é nossa! Chegou a altura de pensar e atuar “em” e “no” coletivo. Neste senso, a Carta da Terra enuncia como desafio para o futuro:

“A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida.

São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais.

Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir os nossos impactes ambientais. O surgimento de uma sociedade civil global está a criar novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.”

A Direção da ASPEA deseja a todos os associados, parceiros, colaboradores, coordenadores de projetos e dos núcleos, força e energia para ultrapassarem este período de confinamento e que num futuro próximo possamos, coletivamente, ajudar a recuperar as dinâmicas dos projetos e atividades de Educação Ambiental em que todos estão implicados e no reforço das políticas ambientais e sociais de âmbito local e nacional.

Joaquim Ramos Pinto (ASPEA).

* Presidente da ASPEA – Associação Portuguesa de Educação Ambiental. Mensagem em período de confinamento/COVID-19.

 

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