
A sustentabilidade deixou de ser apenas uma tendência para se afirmar como um fator estruturante da competitividade e da resiliência empresarial. Hoje, integrar critérios ambientais, sociais e de governação (ESG) é um imperativo estratégico de gestão, sobretudo num contexto europeu em profunda transformação regulatória. Para as pequenas e médias empresas (PME), este novo enquadramento representa não apenas desafios, mas também oportunidades claras de criação de valor.
Por Conceição Tavares *
O Pacote Omnibus, apresentado pela Comissão Europeia, introduz ajustamentos relevantes ao quadro regulatório da sustentabilidade, em particular à Diretiva de Relato de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) e às Normas Europeias de Relato de Sustentabilidade (ESRS). Contrariamente à perceção inicial de maior pressão regulatória, o pacote procura, em termos gerais, simplificar processos, adiar calendários e adotar uma abordagem mais proporcional às capacidades das PME.
Este novo quadro oferece às empresas mais tempo para se prepararem, desenvolverem estratégias mais robustas e melhorarem a qualidade da informação divulgada, criando maior valor para o negócio. lógica deixa de ser a produção excessiva de dados e passa a centrar-se na utilidade, fiabilidade e relevância da informação para a gestão e para os stakeholders. Mesmo quando assente em normas voluntárias e simplificadas, como o VSME (Voluntary Sustainability Reporting Standard for SMEs), o relato de sustentabilidade continua a ser um instrumento essencial de transparência e de apoio à decisão.
Mais do que uma obrigação regulatória, as sustentabilidades mantêm-se como uma alavanca estratégica. A integração dos princípios ESG na cultura empresarial permite às PME melhorar a eficiência operacional, antecipar e mitigar riscos, reforçar a reputação e responder às expectativas de clientes, financiadores e parceiros de cadeias de valor. Num mercado cada vez mais atento à responsabilidade, a sustentabilidade é um verdadeiro fator de diferenciação competitiva.
Neste processo, a formação assume um papel central. Capacitar gestores e equipas em sustentabilidade e ESG é essencial para interpretar corretamente o novo enquadramento europeu, aplicar normas voluntárias de forma eficaz, integrar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na estratégia e assegurar uma comunicação clara e credível.
Persistem, contudo, desafios significativos para muitas PME, como a escassez de recursos, limitações de tempo e falta de conhecimento técnico especializado. A formação estruturada revela-se transformadora, ao traduzir a complexidade normativa em práticas acessíveis e ao promover uma cultura organizacional orientada para a sustentabilidade e a responsabilidade corporativa.
Encarar a formação em ESG como investimento — e não como custo — será determinante para o futuro das PME. As empresas que desenvolverem hoje estas competências estarão melhor posicionadas para cumprir expectativas regulatórias, responder ao mercado e fortalecer a sua competitividade.
O Pacote Omnibus não retira importância à sustentabilidade; reforça-a num quadro mais equilibrado. Cabe agora às PME aproveitar este espaço de ajustamento para consolidar estratégias, elevar a ambição e transformar a sustentabilidade num verdadeiro motor de criação de valor. Num mundo onde esta é a linguagem dos mercados globais, dominá-la será essencial para prosperar.
* Docente do ISCA-UA. Artigo publicado no site UA.pt.
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