"As aventuras de dois clandestinos no Estado Novo".

No já longínquo ano de 1948, em Aveiro decorreu uma reunião de alguns dos dirigentes do ilegalizado Partido Comunista Português (PCP), promovida por Sérgio Vilarigues, que então residia na zona de Aveiro, em que um dos participantes foi o escritor Soeiro Pereira Gomes, membro do Comité Central do PCP.

Por Cardoso Ferreira *

Nesse encontro ficou decidido que os quatro membros do Secretariado do Comité Central do PCP – Álvaro Cunhal “Duarte”, José Gregório “Alberto”, Manuel Guedes “Santos” e Militão Ribeiro “António” iriam fixar a residir na região aveirense, os três primeiros na Bairrada, e o quarto em Macinhata do Vouga.

José Gregório fixou-se no Vale da Mó, onde posteriormente se instalou Álvaro Cunhal, e Manuel Guedes na Vacariça. Em novembro desse ano, a PIDE descobriu o paradeiro de Álvaro Cunhal no Vale da Mó, pelo que este se transferiu para o Luso, onde acabou por ser preso, juntamente com Militão Ribeiro, em março de 1949.

Baseado em factos reais, o livro “Alberto & Duarte: As aventuras de dois clandestinos no Estado Novo” romanceia a vivência desses quatro clandestinos durante esse período, no qual decorreram as eleições presidenciais em que a oposição democrática apoiou a candidatura do general republicano Norton de Matos.

Para criar uma consistência plausível ao enredo, algumas das peripécias narradas são fruto da imaginação do autor e visam colmatar alguns factos que ainda hoje são desconhecidos devido, precisamente, à vivência clandestina dos quatro protagonistas.

Para além dos protagonistas, outros nomes também surgem no enredo, como são os casos dos aveirenses Costa e Melo, Mário Sacramento e João Sarabando, bem como outros que na altura eram militantes comunistas, entre os quais Mário Soares que, mais tarde, fundou e dirigiu o Partido Socialista (PS).

Parte substancial da obra desenrola-se no Vale da Mó, com a narração de alguns factos que remontam ao século XIX, como foi o caso da prisão, pelas tropas absolutistas, do escritor António Feliciano de Castilho, e do seu irmão, então a viver clandestinos no Vale da Mó. Também algumas lendas relacionadas com a velha capela são afloradas no livro.

No livro, e como seria óbvio, os protagonistas circularam um pouco pela região, desde a Pampilhosa até Oliveira de Azeméis, passando pela Mealhada, Curia, Águeda e Albergaria-a-Velha, e desde o oceano até à estrada nacional Porto-Lisboa, como Gafanha, Ílhavo, Aveiro e Oliveira do Bairro.

No entanto, também há incursões por terras mais distantes, como Porto, Coimbra, S. Martinho do Porto e Lisboa.

Para além de ser uma obra romanceada, o livro também pretende dar a conhecer alguns factos pouco conhecidos dos aveirenses dos tempos presentes, nomeadamente de como seria viver na clandestinidade, numa fuga permanente à polícia política com o risco da liberdade e, em alguns casos, da própria vida.

* Autor de “Alberto & Duarte. As aventuras de dois clandestinos no Estado Novo”. O livro está disponível nas livrarias on-line da editora Cordel d’Prata (que publicou a obra), da Bertrand, da Fnac e da WOOK, e ainda, presencialmente, na redação do jornal “O Ilhavense”. O autor também tem alguns exemplares. Email [email protected]

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