Projeto de hotel cinco estrelas vai fazer “cair o carmo e a trindade a algumas almas” – Ribau Esteves

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Debate sobre turismo em Aveiro, Universidade de Aveiro.
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Ribau Esteves está a contar com polémica quando for divulgado o projeto do hotel cinco estrelas com centro de congressos que estará a ser licenciado para erguer, tudo indica, nos terrenos da antiga fábrica Bóia & Irmão, junto aos cais do Paraíso.

“Quando eu disser onde vai ser, quantos pisos tem, etc., vai cair o carmo e a trindade a algumas almas” assumiu.

O presidente da Câmara falava durante o workshop organizado pela Universidade de Aveiro (UA) sob o mote “Há excesso de turismo em Aveiro ?” realizado esta tarde de quinta-feira.

Os pressupostos dos promotores do investimento em causa não parecem flexíveis em relação à ideia ’em cima da mesa’. “Se não for assim, não o vamos ter, e se não o tivermos há um conjunto de unidades turisticas que não vamos conseguir conquistar. Então temos de ter”, explicou Ribau Esteves.

O autarca falou da “luta” para ter hotéis de cinco estrelas. Esta semana, houve uma visita com o primeiro deles, que vai avançar fisicamente,. “Vimos o projeto, está licenciado, é uma operação muito madura, está para arrancar”, adiantou.

Para Ribau Esteves, a cidade justifica unidades de luxo, podendo estar no horizonte uma quarta proposta.

“Dizem que o presidente agora anda com a febre dos hotéis de cinco estrelas, mas o que é isso da febre, quantos hotéis de cinco estrelas a gente precisava ? Vamos ter o primeiro de 40 camas, o segundo de outras tantas, o terceiro de 140. Quantas cidades portugueses têm um cinco estrelas assim com centro de congressos integrado ? Duas, seremos a terceira”, avançou.

Operadores notam falta de planeamento e receiam medidas irreversíveis

Na parte da manhã, o workshop serviu para dar “a visão das empresas e das organizações do turismo” locais sobre a questão levantada.

“É durante três meses de verão e na páscoa” relativizou Nuno Guerra, do Aveiro Rossio Hostel, admitindo, contudo, que não está a ser devidamente acautelada a época alta, sugerindo “urgentemente” a elaboração de “um plano para os picos” de afluência de visitantes.

“Importa tomar medidas, cortar o trânsito como se faz no estrangeiro, informar sobre o estacionamento ou colocar pilaretes deixando aos moradores o acesso ao bairro da Beira Mar e dar prioridade ao peão, também na avenida”, exemplificou, lamentando, neste último aspeto, a existência de opções “em sentido contrário”, nomeadamente no “centro nevrálgico do turismo”, numa referência à proposta de uma cave de estacionamento no Rossio.

“Não há planeamento nem previsão do que pode acontecer no turismo. Teríamos de falar disso antes da tomada de medidas irreversíveis”, alertou, por sua vez, Rui Leal, da empresa de animação turística ‘Aveiro com paixão’.

Carla Santos, do grupo hoteleiro Alboi, considerou importante “saber os motivos” que trazem os turistas a Aveiro. Com um crescimento de 10 por cento no volume de negócios nos anos recentes, é necessário antever o que poderá suceder após “o boom”.

“Caminhamos para onde ? Podem surgir alterações significativas, o que acontecerá daqui a cinco anos ?” questionou Maria Soares, ligada à restauração com vários estabelecimentos.

“Sente-se uma baixa de França, por exemplo, turista que voltam a destinos com os quais não podemos concorrer. Temos de olhar para outros mercados, caso contrário o que vai acontecer à oferta existente ?”, alertou Nuno Guerra.

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