Aveiro.

Aveiro tem uma vantagem que poucas cidades portuguesas têm e que quase ninguém aproveita como devia. Fica a meio caminho de tudo. O Porto está a menos de uma hora de comboio, Lisboa a pouco mais de duas, e no meio disso cabe um fim de semana inteiro sem obrigar a acordar de madrugada nem a pagar noites de hotel a mais.

Este guia é para quem faz essa viagem com frequência e para quem nunca a fez com calma. Serve a quem vai a trabalho e fica com um sábado livre, a quem quer sair da rotina sem sair do país, e sobretudo a quem viaja sozinho, que é hoje uma fatia grande de quem enche os comboios à sexta-feira à tarde.

Não é uma lista de monumentos, que isso encontra-se em qualquer lado. É antes um apanhado do que compensa mesmo, do que se pode dispensar sem remorsos, de quanto custa na prática e de como não desperdiçar as poucas horas que um fim de semana dá.

Aveiro como ponto de partida

O comboio resolve quase tudo

A ligação ferroviária é o argumento mais forte de Aveiro e continua subvalorizada. Para o Porto, os comboios rápidos fazem o percurso em menos de uma hora e os urbanos em pouco mais, com partidas ao longo de todo o dia. Para Lisboa, o Alfa Pendular leva cerca de duas horas até Santa Apolónia, com paragem no Oriente para quem precisa de apanhar o metro logo à chegada.

Há três vantagens práticas nisto que só se percebem depois de tentar o contrário. A primeira é que se chega ao centro das duas cidades sem passar por trânsito nem procurar estacionamento, que no Porto e em Lisboa é um problema caro. A segunda é que se pode beber um copo ao jantar sem contas de cabeça. A terceira é que o tempo de viagem não é tempo perdido: duas horas de comboio dão para um livro, para dormir ou para adiantar trabalho.

Quem prefere carro deve contar com o essencial. A A1 até Lisboa faz-se em cerca de duas horas e meia sem trânsito, e ao Porto em quarenta minutos. Em contrapartida, estacionar no centro histórico de qualquer uma das duas custa mais do que a viagem de comboio de ida e volta, e nas noites de sexta e sábado encontrar lugar na Baixa portuense ou no Bairro Alto é um exercício de paciência.

Quando ir, e quando não ir

Maio, junho e setembro são os melhores meses das duas cidades, e por larga margem. Há sol suficiente para se andar na rua até tarde, as esplanadas estão abertas, e ainda não chegou nem o calor de agosto nem a multidão que o acompanha. Outubro costuma dar boas surpresas no Porto, com dias limpos e a cidade já mais calma.

Julho e agosto são a pior escolha para quem quer aproveitar. Os preços de alojamento sobem, as filas dos sítios mais conhecidos tornam-se absurdas, e o calor de Lisboa a subir as colinas ao meio do dia estraga qualquer plano. Se for a única altura possível, a solução é inverter o horário: sair cedo, recolher entre as duas e as cinco da tarde, e voltar à rua ao fim do dia.

Há ainda os fins de semana a evitar por razões óbvias. Os do São João no Porto e os dos Santos Populares em Lisboa, ambos em junho, são espetáculos que valem a pena mas não são fins de semana de descoberta. É outra viagem, com outras regras, e com a cidade a funcionar em modo de exceção.

Ribeira, Cidade do Porto.

Porto: a cidade que se faz a pé

O primeiro dia, sem pressa

O Porto tem uma característica que o distingue de quase todas as cidades europeias do seu tamanho. Cabe quase todo dentro de uma caminhada. Da estação de Campanhã ao rio, da Ribeira à Foz, quase tudo o que interessa está a menos de meia hora a pé de outra coisa que também interessa.

Um primeiro dia bem gasto começa em São Bento, não porque seja preciso apanhar um comboio, mas porque o átrio de azulejos é o cartão de visita mais honesto da cidade. Dali sobe-se aos Clérigos, passa-se pela Livraria Lello se houver paciência para a fila, e desce-se pela Rua das Flores até à Ribeira, que ao fim da tarde tem a melhor luz do dia.

O que a maioria dos guias não diz é que o melhor do Porto não está nesses pontos, está no que fica entre eles. As ruas de permeio, os cafés de mármore e madeira que resistem há décadas, as cervejarias antigas onde ainda se come ao balcão, as lojas que vendem uma coisa só e a vendem bem há setenta anos. Vale mais perder-se meia hora do que cumprir a lista.

O Mercado do Bolhão merece uma visita de manhã, quando ainda está a funcionar como mercado e não como atração. E a viagem de elétrico até à Foz, ao longo do rio, é dos raros percursos turísticos que continua a valer exatamente o que custa.

Onde comer longe das armadilhas

A regra do Porto é simples e quase infalível. Quanto mais perto do rio e das fotografias, pior se come e mais se paga. Bastam duas ou três ruas de distância para os preços caírem e a comida melhorar.

A francesinha é obrigatória uma vez e desaconselhável duas. Come-se em casas antigas espalhadas pela cidade, e a diferença entre uma boa e uma má está toda no molho. O bacalhau, as tripas à moda do Porto para quem tiver coragem, e os cachorrinhos da Rua de Ceuta são os outros clássicos que justificam o desvio.

Para almoços rápidos, as casas de pasto do centro continuam a servir prato do dia a preços que envergonham qualquer capital europeia. Ao jantar, a zona das Galerias de Paris e da Rua de Cedofeita tem cozinha nova a preços razoáveis, e a Foz reserva-se para quando se quer comer bem sem olhar tanto à conta.

Uma nota sobre o vinho. Não é preciso atravessar para Gaia para beber vinho do Porto. Qualquer casa decente do centro serve um branco fresco com tónico, que é como a cidade o bebe ao fim da tarde, e não como se bebe nas provas feitas a pensar em quem está de passagem.

A noite cabe num quarteirão

A noite portuense tem uma vantagem rara. Concentra-se. Entre as Galerias de Paris, a Rua Cândido dos Reis e a Praça de Carlos Alberto está quase tudo, e passa-se de um sítio para o outro a pé em três minutos. Começa-se cedo, por volta das dez, e estica-se sem esforço até de madrugada.

O ambiente muda conforme a rua. Há bares de cave com jazz e concertos pequenos, casas antigas convertidas com o mobiliário original à vista, e sítios onde se dança até de manhã sem código de vestuário. Ao contrário de Lisboa, não é preciso planear deslocações entre zonas, o que faz uma diferença enorme para quem não conhece a cidade.

Quem chega de fora e não quer passar a noite a decidir onde ir ganha muito em resolver isso antes. Há quem prefira combinar previamente a companhia e procurar acompanhantes de luxo no Porto com perfil confirmado, precisamente para que o serão corra como planeado numa cidade que se vive melhor acompanhado e que, ao contrário do que parece, fecha mais cedo do que se pensa nas noites de semana.

Um aviso prático que poupa dissabores. A partir das duas da manhã, os táxis e os carros de aplicação na zona das Galerias demoram e cobram mais. Quem ficar alojado no centro resolve o problema a pé, e é essa a principal razão para não poupar demasiado no alojamento.

Gaia, do outro lado da ponte

Atravessar a ponte Luís I a pé, pelo tabuleiro de cima, é das coisas que mais compensa fazer no Porto e não custa nada. Do outro lado ficam as caves, que valem uma prova com calma e não a correr, e sobretudo o Jardim do Morro, que ao pôr do sol tem a melhor vista da cidade sem cobrar bilhete.

O teleférico de Gaia é curto e caro, e a maioria das pessoas fica com a sensação de ter pago por dois minutos. O funicular dos Guindais, do lado do Porto, resolve melhor o problema da subida e faz parte da rotina de quem vive ali.

Cidade de Lisboa (miradouro).

Lisboa: sete colinas, sete ritmos

Bairro a bairro

Lisboa não se entrega à primeira e é maior do que parece no mapa. Ao contrário do Porto, não se faz toda a pé, e quem tentar acaba o primeiro dia derrotado por uma ladeira qualquer. A cidade organiza-se por bairros, e cada um tem a sua hora certa.

O Chiado é de manhã, para o café e para as livrarias. O Príncipe Real é do princípio da tarde, com os jardins, as lojas pequenas e as esplanadas à sombra. Alfama pede o fim da tarde, quando a luz baixa e as ruas estreitas deixam de estar cheias. A Graça e Santa Catarina são para o pôr do sol, e é ali que se percebe porque é que se fala tanto da luz de Lisboa.

O elétrico 28 é um caso à parte. Faz um percurso genuinamente bonito e está sistematicamente cheio. Quem quiser mesmo andar nele deve apanhá-lo no início da linha e antes das nove da manhã. Quem não tiver essa disciplina fica melhor servido pelo 12 ou por fazer o mesmo percurso a pé, em sentido descendente.

Belém merece uma manhã inteira e não meia hora. E a zona do Parque das Nações, que muitos visitantes ignoram por não ser histórica, é onde se percebe a Lisboa que se construiu nos últimos trinta anos.

À mesa, do petisco ao mercado

Comer em Lisboa é fácil se se souber onde, e caro se não se souber. A distância entre uma tasca de bairro e uma armadilha para quem está de passagem é frequentemente de vinte metros, e não há nenhum sinal exterior que as distinga além dos preços e de quem lá está sentado.

As tascas de bairro continuam a ser a melhor relação entre o que se paga e o que se come, sobretudo ao almoço. As marisqueiras junto ao rio funcionam melhor ao jantar e com tempo. E as pastelarias levam o pastel de nata suficientemente a sério para que valha a pena provar em mais do que uma.

O Time Out Market resolve o problema de quem viaja em grupo com gostos diferentes, mas não é um sítio barato nem representativo. A LX Factory tem o mesmo problema com uma dose maior de encanto. Ambos valem uma visita, nenhum vale as três refeições do dia.

Uma sugestão que quase nunca falha. Perguntar no alojamento onde é que as pessoas que ali trabalham almoçam. A resposta costuma ficar a menos de cinco minutos a pé e custa metade.

Depois do jantar

A noite de Lisboa é o oposto da do Porto. Está espalhada e obriga a escolher. O Cais do Sodré, à volta da Rua Nova do Carvalho, é o mais fácil para quem não conhece, com bares seguidos e movimento até tarde. O Bairro Alto começa mais cedo e vive na rua, com as pessoas a beber à porta dos bares. Alcântara e o Príncipe Real são para quem quer música e ambiente mais calmo.

Uma coisa que apanha desprevenido quem vem de fora é a hora. Em Lisboa, um bar às onze da noite pode estar vazio e às duas da manhã cheio. Jantar cedo e ir para a rua às dez é a maneira mais garantida de encontrar tudo às moscas.

Também aqui, quem visita a cidade por poucos dias e não quer improvisar tem o hábito de tratar disso com antecedência, procurando acompanhantes de luxo em Lisboa com identidade confirmada, para que a noite corra sem surpresas numa cidade grande onde é fácil escolher mal por falta de tempo.

E vale a pena guardar espaço para o fado. Não o das casas com jantar incluído e ementa fixa, mas o das casas pequenas de Alfama e da Mouraria, onde se entra ao fim da noite, se bebe alguma coisa e se ouve. É barato, é curto, e é das poucas experiências de Lisboa que continua a ser exatamente o que era.

Viajar sozinho não obriga a estar sozinho

Uma parte crescente de quem faz este tipo de fim de semana viaja só. São profissionais que ficam um dia a mais depois de uma reunião, pessoas que decidiram não esperar por companhia para conhecer o país, e visitantes estrangeiros que chegam sozinhos e ficam com noites inteiras por preencher.

Viajar sozinho tem virtudes evidentes. Decide-se tudo sem negociar, muda-se de planos a meio da tarde, come-se à hora que apetece. Mas tem um custo que raramente se admite. As refeições demoradas e as noites são muito melhores com alguém, e numa cidade que não se conhece ter ao lado quem saiba onde se come bem e a que horas as coisas acontecem poupa mais tempo do que qualquer guia.

É por isso que muitos preferem organizar essa parte com a mesma antecedência com que reservam o hotel, recorrendo a diretórios de acompanhantes de luxo onde cada perfil é confirmado antes de ser publicado, com as fotografias validadas e a idade confirmada. A diferença face a um anúncio qualquer não está no preço, está em saber de antemão que a pessoa é quem diz ser.

A regra que serve para tudo o resto serve também aqui. Nunca adiantar dinheiro a quem não se conhece, combinar sempre por escrito, e desconfiar de quem tem pressa. Vale para o alojamento, vale para os passeios, vale para o resto.

Quanto custa, na prática

Um fim de semana a partir de Aveiro é mais barato do que a maioria das pessoas assume, sobretudo se o comboio for comprado com antecedência. As tarifas mais baixas do Alfa Pendular e dos Intercidades aparecem semanas antes da data e desaparecem à medida que os lugares se enchem, o que faz da compra antecipada a única poupança garantida da viagem.

O alojamento é a rubrica que mais varia e a que mais compensa acertar. Um quarto no centro do Porto ou de Lisboa custa mais do que um em zona periférica, mas poupa transportes, poupa tempo e poupa o táxi das duas da manhã. Na conta final, ficar no centro sai frequentemente mais barato do que a alternativa aparentemente mais económica.

A comida é onde a diferença entre saber e não saber se nota mais. Um almoço de prato do dia numa casa de pasto e um almoço numa esplanada de rua principal podem separar-se por três ou quatro vezes o preço, para uma refeição pior. Duas refeições bem escolhidas por dia deixam folga para tudo o resto.

Uma última nota sobre bilhetes. Quase todos os museus e monumentos das duas cidades têm entrada gratuita ou reduzida em determinados dias e horas, e vários têm bilhete conjunto que quase ninguém compra por não saber que existe. Cinco minutos a ler os sítios oficiais antes de sair de casa poupam mais do que qualquer cartão turístico.

Sete regras que poupam dinheiro e aborrecimentos

Comprar o comboio com antecedência. É a única rubrica da viagem em que a poupança é garantida e não exige esforço nenhum.

Ficar no centro. Custa mais por noite e sai mais barato no total, sobretudo em noites que acabam tarde.

Afastar-se duas ruas do sítio mais fotografado antes de escolher onde comer. É a regra mais simples e a que mais dinheiro poupa.

Não tentar ver tudo. Um fim de semana dá para uma cidade bem vista ou duas mal vistas.

Adaptar-se ao horário local. No Porto começa-se cedo, em Lisboa começa-se tarde, e chegar fora de horas estraga a noite.

Resolver a companhia e as reservas antes de chegar, e não à porta do restaurante às nove da noite de um sábado.

Deixar uma manhã sem plano nenhum. É quase sempre aí que acontece a melhor parte da viagem.

Aveiro está mais perto do país do que o país imagina. O Porto para um sábado, Lisboa para um fim de semana inteiro, e a certeza de se voltar a casa a dormir na própria cama. Poucas cidades portuguesas podem dizer o mesmo.

Siga o canal NotíciasdeAveiro.pt no WhatsApp.

Adicionar Notícias de Aveiro às suas fontes preferidas no Google.

Montra Online NotíciasdeAveiro.pt

Consulte as oportunidades (artigos e serviços).

Publicidade e donativos

Está a ler um artigo sem acesso pago. Pode ajudar o jornal online NotíciasdeAveiro.pt. Siga o link para fazer um donativo . Pode, também, usar transferência bancária, bem como ativar rapidamente campanhas promocionais ( mais informações aqui ).