João Banca, marnoto (foto de José Dinis).

O salgado de Aveiro, esse conjunto de marinhas situadas à volta da Ria, evoluiu ao longo dos tempos, relata a historiadora Inês Amorim, no livro “Aveiro e os caminhos do Sal”.

A sua “localização obedece a uma condição indispensável: situar-se em terrenos inferiores ao nível das águas vivas, a fim de ficar descoberta, na baixa-mar, e completamente alagada na preia-mar para as marinhas escoarem e tomarem água, naturalmente”.

Surgiram “organizadas à volta da cidade, a norte e a sul, seguindo a disposição dos respetivos esteiros, que permitiam circular e alimentar as marinhas”.

“Terras in Alauario et salinas”

O documento mais antigo que se conhece sobre Aveiro é uma doação feita pela condessa Mumadona Dias, viúva de Hermenegildo Gonçalves, ao Mosteiro de Guimarães, por ela fundado. São os seguintes os termos da referida doação: “…in territorio Coimbre… terras in Alauario et salinas que ibidem comparauimus.” Este documento é datado de 26 de Janeiro de 959.

Faz-se notar, porém, que, se nesse documento D. Mumadona declara que no território de Coimbra faz doação das suas terras de Aveiro e das salinas que ali tinha comprado, concluiremos que houve um anterior proprietário, o vendedor, pelo que a existência da cidade há-de reportar, pelo menos, a um ano antes. É que, sendo a doação datada de Janeiro, aquelas salinas já deviam existir desde o Verão precedente (+ info em “Glossário das Marinhas de Sal” – Diamantino Dias).

Percorrer os canais e ver os palheiros

José Domingos Maia, descendente de marnotos, residente junto do Canal São Roque,  conhece o salgado de Aveiro como as palmas das mãos dos tempos em que ajudava na safra.

O médico aprendeu a guiar-se pela labiríntica rede de canais, de dia ou pela noite, nas saídas para pescar ou mesmo caçar, desde jovem, navegando na tradicional bateira que preservou durante muitos anos.

De canoa, com um guia conhecedor, é, para quem estiver à altura do desafio menos convencional, uma excelente opção para percorrer os canais e ver os palheiros onde já não se chega por terra firme. José Domingos Maia recupera, ainda, memórias de tempos áureos das salinas que vivenciou (ver vídeos abaixo).

Da Troncalhada aos clubes náuticos pelo Cais do Sal

Propomos um roteiro pedestre, mais acessível, em formato circular, que se desenvolve em torno de um núcleo de marinhas mais próximas da cidade, que estão ainda no ativo e de outras convertidas para atividades turísticas (aceder a áudio partilhado no Facebook).

Informação útil

Salinas Santiago da Fonte Observação de aves na área publicados em Birdingplaces

Passadiços da Ria de Aveiro vendo aves e velhas salinas

Aveiro pelas Salinas e old Town

Percurso A – Grande Rota da Ria de Aveiro

Passeios de barco ou SUP pelos canais da Ria 

‘Praias da Ria’ e ‘Sterna’ são duas das opções para viajar pelos canais da Ria mais próximos de Aveiro. O barco é a única forma de chegar a muitos palheiros que restam de antigas marinhas de sal. Já a ‘Picapeixe’ organiza saídas em Stand Up Paddle (SUP).

Siga o canal NotíciasdeAveiro.pt no WhatsApp.

Publicidade e donativos

Está a ler um artigo sem acesso pago. Pode ajudar o jornal online NotíciasdeAveiro.pt. Siga o link para fazer um donativo. Pode, também, usar transferência bancária, bem como ativar rapidamente campanhas promocionais (mais informações aqui).