
António Fernandes era o nome de um conhecido comerciante de Aveiro, na segunda metade do século XX.
Por Fernando Ferreira Dias *
Nasceu na Madeira, em São Roque, uma das freguesias do Funchal a 10 de julho de 1917 e faleceu em Aveiro no dia 12 de abril de 1994. Lembro que o senhor António tinha uma Loja especial, porque que dentro tinha uma tasquinha bem popular, tasca mesmo, pois nunca serviu café, só vinho a copo, frequentado por bastantes moradores da zona da Vera-Cruz, a que se juntavam forasteiros, chegados nos autocarros de passageiros.
Madeirense veio bem jovem para o continente para fugir à pobreza insular, fez cá o serviço militar e depois de ter estado em Santarém, acabou por vir para Aveiro, trabalhar com um tal senhor Raúl, que era funcionário do Cinema Avenida e possuía uma frutaria, no local onde já foi a “Tentadora”, o Café Tangará e hoje é o Restaurante Japonês na Rua Agostinho Pinheiro.

Finalmente estabeleceu-se por conta própria na Rua Fernão de Oliveira (Rua da Farmácia Moura). Tinha uma frutaria com os melhores produtos de Aveiro, pois até tinha uma estufa de bananas nos fundos do edifício do radiologista Pinho e Melo. Mas o que mais me lembra da minha infância é o facto de ele vender os “rebuçados zoológicos da Vitória”. Eram doces que vinham embrulhados em papel vegetal, com bichos desenhados em séries de 200 diferentes, que depois eram colados numa caderneta.
Era a “alegria da ganapada”, pois quando se conseguiam os 3 bichos carimbados, o bacalhau, o cabrito e a cobaia, tínhamos o prémio final que era uma bola de futebol. Engraçado nós chamávamos “bola de cautchu”. A frutaria também tinha à venda as carteiras de cromos dos jogadores de futebol da primeira divisão de Portugal, bem como as respetivas cadernetas., com prémio final de uma bola de couro.
Também organizava excursões e criou uma clientela muito grande. Fez viagens a muitos lugares de Portugal do Minho ao Algarve, a muitas cidades de Espanha, França, Itália… Na parte de cima da loja que tinha duas metades abertas, ficava a agência de várias empresas de transportes de passageiros e encomendas: de Águeda “Os Oliveiras”, de Anadia “as Camionetas do Luso”, de Ílhavo o” Charlim” e o “Cruz”. Entretanto o sr. António adoeceu e a frutaria teve pouco mais tempo de vida, mas nunca foi esquecida a excelente qualidade dos seus passeios.
Mais uma personagem que Aveiro já não lembra…
* Série de publicações ‘Personagens que fazem Aveiro’. Artigo publicado em Aveiro na História.
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