Negar o desamparo aos nossos idosos institucionalizados

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Todos sentem a urgência de se voltar ao verdadeiro contacto físico dos abraços, dos beijos, do insubstituível toque, do olhar direto, olhos nos olhos mas, também é reconhecido, e aceite, que devemos ser prudentes.

Por Rosa Aparício *

Num turbilhão de emoções, as visitas, embora adaptadas à pandemia, finalmente acontecem!

Separados por um vidro, sem contacto físico mas com um olhar próximo, os idosos que se encontram nos lares, finalmente, reencontram-se com os seus familiares.

Apesar de condicionados por vidros e/ou acrílicos, reprimidos sentimentos soltam-se num grito de vingança e libertação após demasiado tempo de clausura.

De facto, este reencontro tem trazido grande aconchego a tantos e tantos corações dando-lhes vida, tal como o sangue que irriga e alimenta os corações destes nossos heróis de uma vida.

As muitas palavras caladas por largos meses de restrições impostas pela pandemia libertam-se e dão lugar a palavras embargadas por muita comoção embebida de muito e expressivo afeto que se encontrava moribundo e provocador de uma tristeza perturbadora, imposta pelo forçado “abandono” familiar a que a pandemia os obrigou e que, em algumas situações de doentia solidão, chegou a ser fatal.

Este retorno ao legítimo e merecido contacto entre pais, filho e netos tem-se traduzido num expressivo aumento da tranquilidade e serenidade nos nossos idosos.

Depois de tantos meses de isolamento devido à Covid-19, que levou à proibição do tão miraculoso toque, o poder ver os familiares, mesmo que condicionados por uma barreira física, mas onde é permitido atirar beijos, partilhar sorrisos, visualizar acenos, sempre é melhor que o nada de até ali.

Todos sentem a urgência de se voltar ao verdadeiro contacto físico dos abraços, dos beijos, do insubstituível toque, do olhar direto, olhos nos olhos mas, também é reconhecido, e aceite, que devemos ser prudentes e evitar que uma reaproximação demasiado rápida contribua para descontrolar a situação epidemiológica.

As conversas online passaram a ser uma rotina diária de inúmeras famílias com os lares, como meio de atenuar os evidentes sinais de tristeza, de depressão, de agitação e de conflitualidade que os nossos idosos institucionalizados têm vivido. Isto porque grande parte dos idosos não tem condições mentais para perceber as explicações do porquê de filhos e netos os deixaram de visitar.

Contudo, a prudência e responsabilidade com que enfrentamos esta pandemia não podem fazer com que paralisemos pelo medo. As pessoas precisam de adaptar as suas vidas para que o medo não as bloqueie e os mais idosos precisam, também, de recuperar algumas das atividades que faziam para poderem viver com a qualidade que merecem pelo que deram a esta vida. Não podemos esquecer de viver e não podemos impedir os nossos idosos de viverem o que lhes é de direito ainda viverem

Importa, nesta reflexão, deixar uma nota ao trabalho desenvolvido pelos profissionais dos lares perante as dificuldades que tiveram de enfrentar durante toda a trágica pandemia que, ainda, teima em nos perseguir.

Por fim, um abraço a todos os idosos que, mesmo por detrás de um vidro, não têm um alguém por quem esperar.

* Mestrado em Administração e Gestão Pública em Universidade Aveiro.

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