Homicídio: Mulher garante que companheiro espetou faca em si próprio durante discussão

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Tribunal de Aveiro.
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A mulher de 46 anos, acusada de ter esfaqueado mortalmente o companheiro, de 43 anos, na residência de ambos, em Estarreja, começou a ser julgada, esta quarta-feira, no Tribunal de Aveiro por crimes de violência doméstica e homicídio qualificado.

A agressão fatal, com recurso a uma faca de cozinha de 10 cm, aconteceu durante uma discussão na madrugada de 15 de maio de 2020, alegadamente motivada por razões passionais.

Nas primeiras declarações ao coletivo de juízes, a arguida disse que a acusação do Ministério Público tem “mentiras”, afastando a intenção de matar o companheiro. O que sucedeu, garantiu, foi um golpe acidental, quando o homem lhe estaria a tentar retirar a faca da mão, ferindo-se em si próprio.

A mulher assumiu ter surpreendido o companheiro (serralheiro tubista de profissão que passava temporadas fora de casa em trabalho), com a faca, mas que pretendia suicidar-se, depois de discutirem por causa de uma mensagem recebida pelo falecido no seu telemóvel, que não chegou a ver.

A arguida afirmou que tinha descoberto algum tempo antes que era traída, razão pela qual as discussões entre o casal tornaram-se mais frequentes, garantindo ter sido vítima de maus tratos, insultos e humilhações.

A acusação reproduz ameaças de morte que a mulher teria proferido em conversas com os filhos: um rapaz de 19 anos, que vivia na mesma casa, e uma rapariga de 26 anos, esta fruto de outro relacionamento: “Um dia ainda o mato. Vou presa, mas ele não fica bem” e “Qualquer dia mato-o, não é meu não é ninguém” terão sido as expressões atribuídas ao casal.

“Isso é mentira, nunca disse que matava o meu marido. Dizia era que me matava a mim, não aguentava mais”, garantiu, adiantando que chegara a atentar contra a própria vida, ao cortar os pulsos. A mulher confirmou que atualmente não tem relacionamento com os filhos.

O rapaz, que se encontrava em casa na madrugada do alegado crime, está ausente no estrangeiro, mas disponibilizou-se a prestar depoimento.

O momento da agressão fatal. “Tentou tirar-me a faca e espetou nele”

Segundo a versão da arguida, o casal esteve a ver um filme até às 3:30 da manhã e quando se deitaram o companheiro recebeu uma mensagem no telemóvel. A mulher disse-lhe, segundo relatou, que era hora de “descansar”, o que deu origem a discussão.

“Ele começou a maltratar-me, atirei o telemóvel ao chão e ameaçou bater-me. Quis dormir na sala mas ele decidiu sair, levantou-se”, explicou.

“Estava tão transtornada com os insultos, decidi ‘vou pôr fim nisto’ e fui pegar numa faca para me matar, para acabar o meu sofrimento”, relatou.

Segundo a mulher, o companheiro ainda a terá visto regressar pelo corredor com a faca e questionou para que seria, mas voltaram ao quarto, onde deu-se a agressão fatal. “Ele tentou tirar-me a faca, pegou-me no braço e espetou nele”, explicou.

Confrontada pela juíza presidente por a faca acertar “precisamente na zona do coração”, a arguida insistiu: “agarrou-me na mão, queria desviar a mão ou tirar-me a faca, foi atingido no lance”, referiu, dando conta que estavam de pé e de frente um para o outro.

O companheiro, ferido, acabaria por caminhar do quarto até à sala onde caiu. “Disse que me amava e pediu perdão”, terão sido as suas últimas palavras de acordo com a arguida.

A mulher, atualmente em prisão preventiva, mantinha com a vítima uma relação iniciada em 1997, residindo na casa comum.

A vivência do casal era marcada, segundo a acusação, “por desentendimentos motivados por alegadas relações extra-conjugais do companheiro”.

A partir de 2018, a arguida “passou a discutir com frequência quase diária com este, insultando-o, anunciando-lhe que o matava e verbalizando esta intenção a terceiros.”

(em atualização)

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