
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 estão em curso e, para além da competição desportiva, o evento constitui um fenómeno económico e mediático de escala global. Com mais de 3 500 atletas de 93 países a disputar 116 provas de medalha em 16 disciplinas, a XXV edição dos Jogos Olímpicos de Inverno oferece uma oportunidade de análise sobre os impactos económicos, a transformação das audiências digitais e as tendências que se verificam em Portugal durante grandes competições internacionais.
A dimensão mediática dos Jogos Olímpicos tem vindo a ultrapassar, de forma consistente, a esfera estritamente desportiva. Os direitos de transmissão, os contratos de patrocínio e a publicidade digital movimentam valores que colocam o evento entre os maiores geradores de receita do panorama desportivo mundial. Em Portugal, esta dinâmica reflete-se não apenas nas audiências televisivas e no consumo de streaming, mas também na atividade registada em setores digitais regulamentados. Dados do SRIJ indicam que grandes competições internacionais coincidem historicamente com aumentos de atividade no mercado de apostas online portugal, um padrão observável em ciclos olímpicos e em campeonatos europeus e mundiais de futebol. Este fenómeno insere-se numa tendência mais ampla de digitalização do consumo desportivo, com implicações diretas para a receita fiscal e para o enquadramento regulatório nacional.
Participação portuguesa e expectativas nacionais
Portugal compete nos Jogos Olímpicos de Inverno desde 1952, quando participou pela primeira vez nos Jogos de Oslo. A delegação portuguesa para Milão-Cortina 2026, confirmada pelo Comité Olímpico de Portugal, é composta por três atletas em duas modalidades: esqui alpino — com os irmãos Vanina e Emeric Guerillot — e esqui de fundo, representado por José Cabeça, natural de Évora, que regressa após a sua estreia olímpica em Pequim 2022.
Embora Portugal não tenha tradição consolidada em desportos de inverno — facto explicável pela geografia e pelo clima —, o investimento público no alto rendimento tem vindo a alargar o apoio a modalidades menos convencionais, com o objetivo de diversificar a representação olímpica e promover a inclusão desportiva.
Tabela 1 — Participação olímpica de Portugal (2016–2026)

A diferença de escala entre as delegações de Verão e de Inverno é expectável e transversal a todos os países do sul da Europa. O investimento público nos Jogos de Inverno, embora modesto em termos absolutos, reflete um compromisso crescente com a presença continuada de Portugal nestas competições.
Impacto económico global dos Jogos Olímpicos de 2026
Os Jogos de Milão-Cortina são os primeiros Jogos Olímpicos oficialmente co-organizados por duas cidades. Estimativas preliminares apontam para um impacto económico global superior a 6 mil milhões de dólares, distribuído entre investimento em infraestruturas, operações, turismo, direitos de transmissão e publicidade.
Tabela 2 — Impacto económico estimado dos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026

A NBCUniversal, detentora dos direitos de transmissão nos Estados Unidos, anunciou ter esgotado todos os espaços publicitários antes do início dos Jogos — um recorde para qualquer edição de Inverno. Na Europa, a Warner Bros. Discovery assegurou os direitos de transmissão até 2032 através da Eurosport e Discovery+, com sublicenciamento de direitos de sinal aberto aos membros da EBU.
Audiências digitais e crescimento do streaming
A edição de 2026 consolida uma tendência já evidente em Tóquio 2020 e Paris 2024: o consumo olímpico migra aceleradamente para plataformas digitais. As principais tendências observáveis incluem:
- Crescimento do streaming em detrimento da televisão linear — As plataformas de streaming registaram, em edições anteriores, aumentos de audiência entre 30 % e 50 % face ao ciclo olímpico precedente. Para Milão-Cortina 2026, a expectativa é de que o consumo digital ultrapasse, pela primeira vez, a audiência televisiva tradicional em vários mercados europeus.
- Consumo móvel dominante — Mais de 60 % do consumo digital de conteúdos olímpicos em 2024 ocorreu em dispositivos móveis, uma proporção que se prevê superior em 2026.
- Interação nas redes sociais — O COI investiu significativamente na produção de conteúdos nativos para plataformas como Instagram, TikTok e YouTube, com formatos curtos orientados para audiências mais jovens.
- Conteúdos em língua portuguesa — A RTP, membro da EBU, assegura a cobertura em sinal aberto para Portugal, complementada por transmissões digitais que permitem o acompanhamento em direto de provas simultâneas.
Em Portugal, o consumo digital de conteúdos desportivos acompanha a tendência europeia: segundo dados da ANACOM, o tráfego de dados móveis durante grandes eventos desportivos aumenta entre 25 % e 40 % face a períodos homólogos.
Mercado regulamentado de apostas desportivas em anos olímpicos
Os Jogos Olímpicos constituem um dos períodos de maior atividade no mercado de apostas desportivas regulamentadas. Em Portugal, este mercado é supervisionado pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) e tributado através do Imposto Especial sobre o Jogo Online (IEJO), que incide sobre o Gross Gaming Revenue (GGR) — a diferença entre o valor total das apostas e os prémios distribuídos aos jogadores.
O IEJO aplica taxas progressivas entre 15 % e 30 % para apostas desportivas, gerando receita fiscal proporcional ao volume de atividade. Em anos de grandes competições internacionais, o volume de apostas tende a registar aumentos significativos.
Tabela 3 — Crescimento estimado do mercado de apostas desportivas regulamentadas em anos olímpicos

O crescimento acumulado desde 2016 reflete não apenas o impacto dos ciclos olímpicos, mas também a maturação do mercado regulamentado e o alargamento da base de jogadores registados no SRIJ. A desaceleração relativa projetada para 2026 é consistente com um mercado em fase de consolidação.
Impacto económico regional e local
Os efeitos indiretos dos Jogos Olímpicos em Portugal — embora o país não seja anfitrião — manifestam-se em várias dimensões da economia regional:
- Hotelaria e restauração — Os períodos de grandes competições internacionais coincidem com aumentos de atividade em estabelecimentos que transmitem provas em direto, particularmente em zonas urbanas e turísticas.
- Associações desportivas locais — A cobertura mediática dos Jogos Olímpicos gera, historicamente, aumentos de inscrições em modalidades com maior visibilidade, beneficiando clubes e associações regionais.
- Setor tecnológico e de serviços digitais — Empresas portuguesas de desenvolvimento de software, cibersegurança e gestão de dados prestam serviços a operadores de plataformas digitais que registam picos de atividade durante eventos olímpicos.
- Emprego indireto — O ecossistema de serviços associado às plataformas digitais regulamentadas — desde o apoio ao cliente até à conformidade regulatória — gera emprego qualificado em várias regiões do país, incluindo fora dos grandes centros urbanos.
Perspetivas para além de 2026
A trajetória de digitalização do consumo desportivo e da atividade económica associada aos Jogos Olímpicos aponta para uma consolidação nas edições seguintes — os Jogos de Los Angeles 2028 (Verão) e dos Alpes Franceses 2030 (Inverno). Para Portugal, os desafios passam por manter a sustentabilidade do modelo regulatório do jogo online, assegurar que a tributação não desincentive a operação legal e investir na literacia digital e na proteção dos consumidores.
A revisão periódica do IEJO e o acompanhamento da evolução tecnológica dos serviços digitais serão determinantes para garantir que o contributo fiscal destes setores se mantenha robusto sem comprometer a competitividade do mercado português no contexto europeu.
Conclusão
Os Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026 confirmam que o impacto das grandes competições internacionais ultrapassa largamente a arena desportiva. A economia digital — das audiências em streaming ao mercado regulamentado de apostas — constitui hoje uma componente estrutural do ecossistema olímpico. Para Portugal, o evento representa simultaneamente um momento de visibilidade desportiva — ainda que modesta nos Jogos de Inverno — e uma oportunidade de avaliar a maturidade dos seus setores digitais regulamentados. O equilíbrio entre fiscalidade, regulação e inovação determinará se o país consegue capitalizar plenamente as oportunidades económicas que estas competições continuam a gerar.
Os valores apresentados neste artigo são estimativas baseadas em dados públicos do SRIJ, do COI, do Eurostat e de relatórios setoriais. As projeções para 2026 refletem tendências observadas e não constituem previsões oficiais.
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