Grupo de jovens.

A pergunta que começa a pesar na escolha de um curso

A Inteligência Artificial já entrou em várias profissões, ainda que muitas vezes de forma discreta. Está nos sistemas que organizam informação, nas ferramentas que apoiam decisões, nos programas que automatizam tarefas e até nos métodos usados para estudar ou preparar trabalhos académicos.

Para estudantes e famílias, isto levanta uma questão muito concreta: a formação escolhida hoje será suficiente para responder às exigências do mercado de trabalho dos próximos anos?

Em Aveiro, a pergunta tem particular interesse. A cidade vive há décadas em contacto próximo com a universidade, a investigação e empresas ligadas à indústria, à tecnologia e aos serviços. Essa relação torna a região um bom ponto de observação para perceber como a formação superior se está a ajustar a novas exigências profissionais.

Uma universidade com impacto na cidade

A Universidade de Aveiro reúne cerca de 17 mil estudantes e tem hoje uma presença visível na cidade, também através da sua comunidade internacional. Os dados divulgados pela própria Universidade de Aveiro ajudam a perceber a dimensão da instituição e o seu papel na formação, na investigação e na relação com empresas da região.

Este peso sente-se no quotidiano da cidade. Afeta o comércio, o mercado de habitação, os serviços, a vida cultural e a capacidade de Aveiro atrair talento jovem. A universidade não funciona isolada do território; participa na forma como a região se posiciona em áreas ligadas ao conhecimento, à inovação e ao emprego qualificado.

O diploma já não responde a tudo

Durante muito tempo, escolher um curso era sobretudo uma decisão vocacional. Hoje, continua a sê-lo, mas a pergunta tornou-se mais ampla. Interessa saber que saídas profissionais existem, que competências podem ser desenvolvidas e de que forma o percurso académico prepara os jovens para trabalhar com novas tecnologias.

Ferramentas digitais, análise de dados e soluções de automação já aparecem em setores muito diferentes: engenharia, gestão, comunicação, saúde, turismo, educação ou serviços administrativos. Mesmo quem não pretende seguir uma carreira tecnológica dificilmente ficará totalmente afastado destas ferramentas.

Por isso, a escolha de um curso passou a envolver uma segunda pergunta: além do diploma, que competências serão realmente úteis quando chegar o momento de entrar no mercado de trabalho?

IA na universidade: apoio, não atalho

No contexto académico, a IA já é usada para pesquisar, organizar informação, preparar apresentações ou rever conteúdos. Para muitos jovens, uma plataforma de IA para estudantes pode servir como apoio na fase inicial de um trabalho académico, ajudando a ordenar ideias e a rever a coerência do texto. O ponto essencial está no uso que se faz destas ferramentas: apoio ao estudo, sim; substituição da autoria, não.

Mas a utilidade não elimina a responsabilidade. No ensino superior, a IA não substitui o pensamento crítico, a verificação de fontes nem o rigor científico. Pelo contrário: obriga a que essas competências sejam levadas ainda mais a sério.

O mesmo se aplica a projetos de investigação, dissertações e trabalhos de conclusão de curso. A tecnologia pode facilitar algumas etapas do processo, mas continua a ser responsabilidade do estudante interpretar dados, validar informações e construir uma análise própria.

Formação curta ganha espaço

Uma resposta a esta mudança passa pela formação complementar. A Universidade de Aveiro disponibiliza microcredenciais, formações curtas orientadas para necessidades específicas de qualificação e atualização profissional.

A lógica é simples: a formação superior já não se esgota no diploma inicial. Estudantes e profissionais precisam de atualizar conhecimentos ao longo da vida, sobretudo em áreas ligadas à tecnologia, aos dados e à inovação.

Mais do que dominar uma ferramenta específica, interessa desenvolver capacidade de aprendizagem contínua. Num mercado instável, essa pode ser uma das competências mais úteis.

Empresas procuram perfis mais flexíveis

A região de Aveiro tem uma base económica diversificada, com presença de indústria, tecnologia, engenharia, serviços, comunicação e investigação aplicada. Esta variedade cria oportunidades para jovens qualificados, sobretudo quando existe contacto entre universidade e empresas.

Estágios, projetos de investigação, colaboração com centros tecnológicos e experiências em contexto empresarial ajudam muitos estudantes a aproximar-se do mercado de trabalho antes de terminarem o curso.

Nesta ligação entre formação e economia regional, Aveiro pode ganhar relevância. As empresas precisam de pessoas capazes de aprender depressa, interpretar informação, resolver problemas e trabalhar com ferramentas digitais sem perder sentido crítico.

Habitação e qualidade de vida continuam a contar

A discussão sobre o futuro do ensino superior não se faz apenas com tecnologia. Habitação, mobilidade, custos de vida e qualidade dos serviços continuam a pesar na escolha de uma cidade universitária.

Em Aveiro, o alojamento estudantil tem sido um tema recorrente. Entre reabilitações e novas construções, estão previstos investimentos em residências universitárias, incluindo intervenções com centenas de camas adicionais.

Estas medidas têm importância prática. A experiência académica depende das aulas, mas também da possibilidade de viver na cidade, deslocar-se com facilidade, estudar em boas condições e participar na vida local.

O que muda no emprego qualificado

A IA pode automatizar tarefas, mas também abre espaço para novas funções. Análise de dados, gestão de informação, automação, cibersegurança e comunicação digital são áreas onde a procura por novas competências se tornou mais evidente.

Para os estudantes, isto coloca a empregabilidade num terreno mais exigente: já não basta dominar uma área técnica, é preciso saber interpretar informação, adaptar-se e aprender ao longo do percurso profissional. A Digital Skills and Jobs Platform da Comissão Europeia tem sublinhado precisamente essa necessidade de reforçar competências digitais na população ativa.

As chamadas competências humanas não perdem valor neste cenário. Criatividade, comunicação, colaboração e capacidade de resolver problemas complexos continuam a ser decisivas, sobretudo quando combinadas com literacia digital.

Aveiro tem condições, mas o desafio é permanente

Aveiro reúne vários elementos favoráveis: uma universidade com projeção nacional e internacional, uma economia regional diversificada, investimento em alojamento estudantil e atenção crescente às competências digitais.

Isso não significa que a resposta esteja garantida. A velocidade da mudança tecnológica obriga universidades, empresas e estudantes a ajustarem expectativas e métodos de trabalho.

Para muitos jovens, estudar em Aveiro pode ser uma forma de começar esse percurso com uma base académica sólida, contacto com novas tecnologias e maior proximidade ao mercado de trabalho. A preparação para esse futuro começa muito antes do primeiro emprego.

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