Tribunal de Aveiro.

Um homem de 46 anos, solteiro, sem profissão, negou, esta tarde, no Tribunal de Aveiro a autoria de um incêndio florestal ocorrido na Póvoa do Baixo, freguesia de Barrô e Aguada de Baixo, sul do concelho de Águeda, no início de julho do ano passado, que consumiu uma zona de eucaliptal (2 mil metros quadrados), causando um prejuízo de 6 mil euros e mais cerca de 1300 euros pelos custos de ativação dos meios de combate empenhados.

“Não fiz nada”, afirmou o arguido, que se encontra detido, ao ser confrontado pela juíza presidente com a acusação imputada pelo Ministério Público. Referiu também que tinha vida de “nómada” e estava de passagem por Águeda, tendo sido abordado pela GNR à porta de um supermercado local quando “estava a pedir”.

Segundo a acusação, funcionários de uma empresa de plásticos identificaram o indivíduo, porque teria estado nas imediações do local onde o fogo florestal veio a deflagrar. Antes, ter-lhes-á dito “são uns merdas, não valem nada” e “devia acaba com isto tudo, devia arder tudo”. Uma funcionária disse no tribunal que viu um homem “de costas, exaltado, a gritar, com mochila às costas e vestido de escuro”.

A investigação aponta para um foco ateado por chama direta na vegetação, através de isqueiro, junto de um estradão florestal, acabado por alastrar em zona próxima da unidade fabril e de aglomerado habitacional.

Um militar da GNR que participou nas diligências iniciais confirmou que o suspeito foi identificado após informações recolhidas junto das pessoas que diziam ter visto um homem “vestido de azul e mochila de cor preta às costas, que se fazia deslocar a pé, com aparência de 40 a 50 anos e de tez morena”. Descrição que levou a indiciar o suspeito depois de ter sido abordado na superfície comercial já na zona de Borralha, a norte.

O incêndio, que atingiu uma área propriedade do dono da empresa de plásticos próxima, só não assumiu proporções de maior gravidade porque foi detetado perto do seu início por populares, que deram o alerta de imediato, o que permitiu um combate rápido e eficaz com envolvimento de meios dos bombeiros.

Aquando da detenção do suspeito, a Polícia Judiciária, que assumiu as investigações, informou que não “foi possível determinar qualquer motivação racional ou explicação plausível para a prática dos factos em investigação, sendo a atuação alicerçada num forte quadro de alcoolismo.”

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