Tribunal de Aveiro.

Um homem de 51 anos, residente em Estarreja, divorciado, atualmente em prisão preventiva, começou hoje a ser julgado no Tribunal de Aveiro por crimes de incêndio habitacional e violência doméstica sobre a esposa, que assumiu parcialmente, excluindo, contudo, casos de agressões e a intenção de destruir a casa quando lançou fogo a um sofá. Os factos imputados remontam a 2025, em Estarreja.  

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A acusação dá conta de violência física e psicológica, incluindo ameaças de morte, num quadro de alcoolismo e depressão, de que teria sido vítima a esposa. No início do julgamento, o arguido começou logo por dizer que “em relação às partes de ter agredido é tudo mentira”.

Quanto ao incêndio, que causou danos elevados na residência do casal, onde também morava a sogra, na altura com 82 anos, sem autonomia devido a demência, alegou que “não estava bem psicologicamente”. Admitiria que “só” ateou fogo “a um sofá, com um isqueiro”, negando que tivesse regado a casa com gasolina que tinha ido buscar à garagem.

O homem assumiu discussões com a ofendida por assuntos relacionados com falta de dinheiro, que não dava para tudo”, entre despesas normais e dívidas que a ofendida terá contraído à sua revelia, assim como por desconfiar a mulher o traísse com outros homens.

Queixou-se, ainda, de ter sido deixado “sem comer, nem beber” quando estava acamado a recuperar de operações à coluna. Na altura, trabalhava em serralharia civil (pintura e decapagem) e a companheira cuidava de um idoso.

Os casos de violência imputados como “muros, pontapés e partir mobília é mentira”, reafirmou, embora admitindo discussões acesas. “É provável que lhe tenha chamado nomes, como ela me chamou a mim”. Quanto às ameaças de morte imputadas, “que eu me recorde, não”, acrescentou.

A 20 de julho de 2025 aconteceu o episódio do incêndio na habitação arrendada. O arguido disse que chegou do trabalho e a mulher começou “a mandar vir sem mais nem menos”. Como estava “alcoolizado e com problemas de cabeça” pouco mais se recorda. Mas “dizer que eu ia comprar uma pistola para lhe dar um tiro nos cornos é mentira”, garantiu. Quanto a ter ido buscar uma garrafa com gasolina à garagem, explicou que era “só para simular para meter medo, mas não para fazer nada”.

Assumiu que lançou fogo ao sofá da sala com isqueiro , mas “sem regar com gasolina”, não tendo explicação para os danos causados em várias divisões. “Não queria destuir a casa”, garantiu em resposta à sua advogada.

A mulher pediu a familiares para virem em socorro de si e da mãe, saindo de casa para ir chamar a GNR. O marido acabou por se entregar no posto, onde se deslocou de bicicleta. Os bombeiros conseguiram evitar que o fogo se propagasse às casas vizinhas.

 

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