
“Era para assustar. Até quando vi as fotos da Polícia Judiciária com os ferimentos e fiquei muito arrependido”. Um homem de 45 anos negou, esta quarta-feira, no Tribunal de Aveiro, que tivesse a intenção de matar um conhecido que esfaqueou com uma faca artesanal de 13 centímetros de lâmina, atingindo-o num dedo da mão e no pescoço, quando estavam no estacionamento de um café na Mamarrosa, concelho de Oliveira do Bairro, a 10 de fevereiro passado.
Ao responder à juíza presidente no início do julgamento, o arguido, em prisão preventiva desde 26 de fevereiro, quando foi detido fora de flagrante delito, não assumiu abertamente que o ato violento tenha sido motivado, como imputa a acusação do Ministério Público, para forçar o pagamento de uma alegada dívida relacionada com droga fornecida a uma mulher com quem o agredido se relacionava.
O homem, que responde por homicídio na forma tentada e posse de arma proibida, admitiu, no entanto, que chegou, em ocasião anterior aos factos, “a falar disso” com o agredido, “mas a namorada nunca pagou”.
Na versão do arguido, depois de ter estado a beber cerveja com o indivíduo, que conhecia há alguns meses de convívios para “fumar droga” (haxixe), foram ambos para o exterior do café. “Ele pôs o meu carro a trabalhar, fiquei enervado. Tinha lá a faca. Não era para aleijar, era para assustar, mas como mexeu-se e cortei-o. Puxei-o para fora, depois disse-lhe para desaparecer dali”, relatou, confirmando, ainda, ter ameaçado com a expressão “foge daqui que te mato”.
Já o ofendido, que se constituiu assistente no processo, reclamando uma indemnização por danos, deu conta de uma versão diferente, alegando que, quando estavam a fumar no exterior, alertou o conhecido dizendo-lhe que tinha as luzes do seu carro acesas, ao que lhe foi pedido para as apagar, e, também para ligar o carro. Quando estava ao volante, terá sido surpreendido pelo agressor, que o agarrou pelo cabelo enquanto tirava a faca do banco de trás, desferindo, então, os golpes.
O indivíduo confirmou uma conversa do arguido a reclamar o pagamento da droga consumida pela mulher com quem mantinha um relacionamento, ameaçando que ia cobrar a alegada dívida “a bem ou a mal”. Mas ter-lhe-á respondido que “não tinha nada a ver” com isso, escusando-se a entregar dinheiro. “Ele estava alterado, não sei o que lhe deu na cabeça”, disse, alegando, que depois da agressão, ficou “com medo”, perdeu o emprego “por faltar muito” e decidiu viver para outro lugar.
Siga o canal NotíciasdeAveiro.pt no WhatsApp.
Publicidade e donativos
Está a ler um artigo sem acesso pago. Pode ajudar o jornal online NotíciasdeAveiro.pt. Siga o link para fazer um donativo. Pode, também, usar transferência bancária, bem como ativar rapidamente campanhas promocionais (mais informações aqui).






