
Estamos quase no fim do Verão. Por isso…
Mesmo que o tempo esfrie, a juventude vai continuar a exibir os corpos bronzeados pelo sol, expondo-se o mais possível numa nudez camuflada…
A natureza, essa vai apresentando ofertas bem diferentes, em cada estação que passa… As cores, os sons, os sabores, os cheiros!
Ora, o que nos traz aqui hoje é uma memória relacionada exatamente com essas mutáveis sensações que, para o bem ou para o mal, afetam os nossos comportamentos.
Na transição do Verão para o Inverno, passando pelo Outono – que está mesmo aí à porta , embora não pareça – surge, como a dama do momento, a aromática maçã Bravo Esmolfe. Ou melhor, surgia, porque agora encontra-se em qualquer lugar e época do ano. Globalização!
Acompanha a sua colheita, pelos princípios de Outubro, diz quem sabe, ali para os lados de Esmolfe, em Penalva do Castelo, a feira do dito fruto. Aqui há uns anos, a inauguração da referida feira integrou um festival de sopas… Começara então esta moda.
Conta-se que dois casais de Aveiro, meteram-se no seu carrinho e ei-los que se dirigem ao interior da Beira Alta para comprar a cheirosa e igualmente saborosa maçã da terra de Esmolfe. Lá chegados, deparam- se com a tal feira e o, então ainda novidade, festival de sopas que acontecia numa enorme tenda branca. Compraram cada um uma senha por dois euros que lhes dava direito a uma malga, uma colher, uma fatia de pão e a provarem uma boa variedade de sopas.
Desde o sabor a castanha, a abóbora, ao feijão, ao grão e a outras especialidades locais, foram provando sopas de tudo. E pronto, de lá saíram contentes, mas não satisfeitos, que a sopa só por si não enche a barriga dos mais gulosos, dizem.
Ora acontece que ao lado daquela tenda havia uma outra. E os quatro, curiosos, lá foram espreitar o que se passaria por lá. Talvez alguma exposição, ou… sabe-se lá o quê.
Entraram e, qual não foi o seu espanto, quando se depararam com uma enorme mesa, situada no meio da tenda, sobre a qual se encontravam os melhores petiscos regionais, desde o cabritinho assado, ao arroz de forno, à vitela, a frutas, sobremesas…e tudo ali à disposição de quem quisesse. E pratos. E talheres. Bom, não se fizeram rogados e foram-se servindo. Atrás destes nossos amigos, outros entraram também. E como eles se foram satisfazendo, comendo o que de melhor havia. A mesa ia ficando… vazia.
Eis se não quando, entra na dita tenda uma menina. Toda aperaltada, lábios pintados, saltos altos e fato a condizer, que ao ver que a comidinha tinha voado para as barrigas dos insaciados comedores de sopa, gritou:
– Alto lá. Quem os deixou entrar aqui? Isto não é para o povo, é para as entidades que vêm inaugurar a feira. O senhor ministro, o senhor presidente da Câmara…E agora já não há quase nada… não sei como vai ser… Saiam, saiam, vá.
E os comilões lá foram saindo, com o rabinho entre as pernas, como sói dizer-se, mas com a barriguinha bem cheia com o que era para as altas individualidades… Quanto a estas… pois não se sabe o que aconteceu!
Se passaram…fominha, pelo menos mostraram-se!
Jesus Zing
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