Desafios para contornar a tempestade que se aproxima

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Capa da Revista Encontros (AECA).

Ainda não foram ultrapassados todos os condicionamentos provocados pela Covid 19, por exemplo o de ter afetado drasticamente a logística marítima internacional com os preços dos contentores a atingirem valores astronómicos, com os atrasos provocados pelos “apagões” devido ao covid-19, logo se juntou a guerra e, sobretudo, o aumento galopante sofrido pelos combustíveis (sobretudo na Europa) devido à sua exposição à Rússia e o consequente alargamento ao resto dos produtos e serviços.

Por Carlos Brandão *

Todas estas variáveis lançadas em conjunto para a economia provocaram inflação galopante (que ainda não está controlada), associada também à especulação e ao aproveitamento por parte de muitos agentes protegidos pela culpa da guerra.

São estas as variáveis que temos e é com estas que teremos que fazer sobreviver as nossas empresas em mais esta crise que vamos atravessar.

Uma coisa é certa, nós (PMEs Portuguesas) temos experiência em ultrapassar crises (sobretudo nos últimos 14 anos) e essa experiência pode ajudar a enfrentar mais esta tempestade perfeita que se aproxima.

Mais uma vez será necessária muita Inovação, muita prudência, investimento, resiliência e inteligência.

Os Portugueses são muito bons a “desenrascar” e isso poderá ajudar muito na tomada de decisões sob pressão, sempre suportadas por estudos e pelo know-how já adquirido com as crises passadas. Aquele “feeling” de decidir bem sob pressão é muito Português. Este não receia de decidir logo, ao contrário, por exemplo do Alemão, muito mais racional, só decidindo depois de ter a máxima informação disponível, sendo que isso, nos tempos que estamos a viver, é uma utopia porque o que está correto agora, daqui a umas horas já está ultrapassado, já custa mais caro ou já esgotou, só para dar um exemplo.

São estas pequenas-grandes decisões que nos farão evoluir e ultrapassar mais esta tormenta, contando também com o facto de existirem algumas notícias positivas como é o caso de a Europa estar a importar muito menos da China e estar a dar prioridade ao fabrico e à produção no seu território (os preços dos transportes marítimos e os custos de produção na China aumentaram e isso é bom para a reindustrialização da Europa).

Esta geopolítica Internacional irá criar uma nova ordem económica mundial e a Europa terá que ter inteligência para se posicionar da melhor forma não se deixando condicionar por terceiros e criando a sua marca própria no xadrez mundial.

Vai ser uma época difícil, mas com toda a certeza, bonita de assistir!

Portugal, à sua dimensão, vai por arrasto do que decidir a Comunidade Europeia, e terá mais ou menos dificuldades em acompanhar o ritmo quanto mais dirigidas forem as políticas públicas e a aplicação a tempo e horas dos fundos estruturais.

Portugal tem todas as condições para ter uma indústria forte e um setor do turismo forte, mas tem que ter políticas adequadas e certas, decidindo a tempo e horas, contrariando, por exemplo, o que sucedeu recentemente com o aeroporto ou com o TGV (avanços e recuos e nada decidido). Deve ter também uma política de energia adequada, não devendo ser mais papista que o papa e não querer ser o bom aluno e o exemplo da descarbonização (com os elevados custos económicos e sociais que isso implica) enquanto os principais poluidores mundiais estão a ir no sentido contrário com a Alemanha incluída (devido à sua elevada exposição ao gás russo e à reativação de centrais a carvão para contrariar o corte).

A intermitência da energia solar, eólica e hídrica implica que tenhamos sempre alternativas para compensar os picos e/ou as quebras que estas possam ter para não corrermos risco de apagões. Essa alternativa não está bem pensada em termos de médio/longo prazo e o País precisa de saber muito bem em que investir. Existem muitas opções, mas Portugal deverá decidir pela que melhor se adequa ao seu posicionamento global, à sua geografia, ao seu know-how e às suas matérias-primas. Por exemplo as centrais a Biomassa podem ser um trunfo importante na ajuda à resolução dos problemas da intermitência das renováveis (trabalha às horas que estiverem programadas) e podem simultaneamente ajudar na estratégia de prevenção aos fogos florestais. Porque não investir a sério nesta área?

Portugal tem tido um péssimo desempenho governativo nos últimos 20 anos e sem estratégia e sem governo as coisas não evoluem no sentido correto. Parece que temos sido governados ao longo destes anos por lóbis poderosos que encaminham as decisões para o lado que lhes dá mais vantagens em lugar de seguir-mos o caminho da lógica e da decisão tendo como base estudos de Entidades independentes, como por exemplo, estudos realizados por Ordens Profissionais (Ordem dos Engenheiros, dos Economistas, etc) que dão excelentes contributos à sociedade.

A comunicação social também tem que ter um papel diferente da que tem tido nos últimos tempos, principalmente depois que aceitou dinheiro do estado (à boleia do covid), adocicando a boca e a caneta de quem tem que olhar mais com olhar crítico e menos em transmitir tudo aquilo que se lhes chega através da publicidade da agenda mediática governativa.

Em suma precisamos de tudo o que foi elencado atrás sobretudo precisamos de políticos que decidam bem e rápido (como nós empresários temos que fazer diariamente) sem se perderem nos meandros da politiquice partidária deixando de lado as decisões que vão adiando o progresso económico e social do nosso País.*

* Presidente da Associação Empresarial de Cambra e Arouca. Editorial da revista ‘Encontros’

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