Covid-19. Terá a sociedade tomado consciência da importância dos professores?

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Ensino.
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A ausência de aulas presenciais aproximou pais e professores, escola e família, escola, família e poderes locais.

Por Isabel Alarcão *

Para além da Implantação da República, em 5 de outubro presta-se homenagem aos professores. Proclamado pela UNESCO em 1994, o Dia Mundial dos Professores pretende chamar a atenção para o seu papel, fulcral, na sociedade. A coincidência das duas comemorações tem deixado um pouco na penumbra esta homenagem. Isabel Alarcão lembra a relevância dos professores na rubrica do CIDTFF, (H)À Educação.

Mesmo sem um dia especial, eles [os professores] seriam sempre merecedores do nosso reconhecimento. Mas já que o Dia existe, dediquemos alguma atenção a estes pilares de sustentação da sociedade.

A nossa reflexão torna-se particularmente relevante neste estranho ano de 2020 em que o mundo foi violentamente assolado pela pandemia Covid-19 e tremeu nos seus alicerces, ora desabando ora aguentando-se. Nalguns aspetos reinventou-se até, mas deixou a descoberto muitas fragilidades económicas e sociais.

Um dos setores mais afetados foi o da Educação com escolas fechadas desde meados do segundo período do ano letivo de 2019/2020. O que fizeram as escolas? Ou, melhor dizendo, o que fizeram os professores das escolas, pois escolas sem professores (alunos e funcionários), são edifícios sem vida.

Demonstrando um sentido de responsabilidade social e de atenção às pessoas, neste caso aos alunos e seus pais, reagiram positivamente e com celeridade, lançando mão de alternativas educativas e tentando chegar a cada um através das tecnologias informáticas.

Correu tudo bem? Claro que não. Mas seria possível ter corrido tudo bem perante um abalo tão profundo e inesperado? Neste processo de adaptação – gostaria de apelidá-lo de reinvenção, mas acho que não posso ir tão longe – revelaram-se dificuldades e fragilidades. Elas já existiam, bem sabíamos, mas estavam camufladas. A pandemia desnudou-as.

Alguns professores “perderam” os alunos, não conseguiam contactá-los e isso obriga-nos a reflexões sobre o que esse facto significa e a tomadas de decisão. As diferenças sociais vieram ao de cima. A diversidade de competências profissionais ficou patente. Tornaram-se evidentes diferentes níveis de empenhamento e inovação de professores e gestores.

Nalguns centros educativos quebraram-se fronteiras; professores, pais e autarquias empenharam-se, num esforço articulado, de ultrapassagem dos muitos problemas com que tropeçavam no caminho e, deste modo, assumiram que educar é missão de todos e que a colaboração é hoje fundamental.

Quase diria que a ausência de aulas presenciais aproximou pais e professores, escola e família, escola, família e poderes locais. Só nalguns casos, é certo, pois como sabemos, nem todos os pais, por razões várias, têm a possibilidade de acompanhar os estudos dos seus filhos.

Quando puderam, fizeram um esforço e perceberam quão difícil é ser professor. Ouvi uma mãe dizer que agora compreendia melhor o trabalho dos professores e as dificuldades em manter interessados, e sobretudo disciplinados, os alunos.

Tomou consciência da importância destes atores educativos. E a sociedade em geral?

* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Artigo publicado originalmente em https://uaonline.ua.pt

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