Covid-19: Estado de calamidade impõe fortes restrições em Ovar, incluindo nas entradas e saídas do concelho

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Salvador Malheiro, presidente da Câmara de Ovar.
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O Governo aprovou hoje a declaração de estado de calamidade pública no concelho de Ovar, o que se traduz na “criação de cerca sanitária aplicável ao município” para tentar quebrar as cadeias de transmissão do coronavírus Covid-19. É o primeiro caso, não estando afastada a aplicação em outras localidades em situação idêntica.

Está determinada a “absoluta” interdição da atividade económica (comércio e indústria), de circulação de pessoas (entrada e saída do município), exceptuando as que estejam relacionadas com os serviços básicos e essenciais, anunciou o ministro da Administração Interna ao falar numa conferência de imprensa, ao final da tarde.

“Apelamos a uma grande compreensão dos cidadãos de uma absoluta restrição das atividades, exceto para aceder a bens ou trabalhar nas áreas que se mantenha em funcionamento”, afirmou Eduardo Cabrita, adiantando que a medida entra de imediato em vigor. Foi já comunicado às autoridades policiais a inibição de entrada e saída em todo o concelho, avançando-se também para a definição de mecanismos de cumprimento das medidas.

30 dos 51 casos de infectados confirmados que são referidos no boletim epidemiológico mais recente, divulgado ao meio dia de hoje, relativos ao Centro do País, dizem respeito a residentes em Ovar, onde 440 pessoas encontram-se sob vigilância e em quarentena.

Indicadores que levaram a Autoridade Regional de Saúde a concluir que se trata de uma zona de transmissão ativa de doença, com risco generalizado, determinando, assim, medidas de restrição de movimento de pessoas e limitações ao funcionamento dos estabelecimentos locais.

A explicação dos fundamentos de saúde pública foi dada pela ministra da Saúde em conferência de imprensa, ao final da tarde. “Esta circunstância leva-nos a considerar que estamos perante um elevado número de casos confirmados numa área geográfica relativamente restrita e com muitos contactos em monitorização que podem indiciar uma transmissão ativa da doença Covid-19”, disse Marta Temido.

“Considerando que 50 por cento dos casos ARSC estão nesta região e 75 por cento dos casos confirmados no Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Vouga estão no concelho de Ovar entendeu a Autoridade Regional de Saúde ser prudente esta determinação”, acrescentou a ministra.

“Estas medida prende-se também com a necessidade de combinar uma estratégia ainda de contenção com a mitigação, ou seja reduzindo o número de contágios para proteger os serviços de saúde para atender casos mais complicados”, sublinhou.

As medidas governamentais de contenção foram ao encontro das recomendações do presidente da Câmara, Salvador Malheiro, que prestou declarações no intervalo de uma reunião da comissão municipal de proteção civil.

“Começamos a trabalhar ainda com algumas incertezas, não dá respostas à imensas questões colocadas pela população, mas está definido um gabinete de crise para manter a paz social no município e tentar vencer a crise de forma mais eficaz possível”, disse, esperando esclarecer rapidamente “algumas indefinições” nas próximas horas, nomeadamente como garantir os serviços mínimos para a população, “que queremos que fique em casa”.

“Cabe-nos agora implementar o plano, recebemos a comunicação há poucas horas, isolar um concelho com 55 mil pessoas, com a indústria e dinâmica económica que cá existe não é algo que se carregue no botão e apareça feito”, acrescentou o edil, considerando as medidas absolutamente necessárias em Ovar. “Vivemos um caso crítico, histórico, caótico. O contágio é comunitário, vejo com satisfação esta discriminação positiva. Temos de encerrar o que pudermos, ficar me casa, eliminar o contacto social, vamos ter as forças de segurança nas ruas, as autarquias a ajudar no necessário, os bombeiros “, afirmou Salvador Malheiro, lembrando que existem famílias inteiras em quarentena (abaixo vídeo da rádio AVFM).

Centro móvel de rastreio do Covid-19 pedido para Aveiro Norte

As autarquias de Aveio Norte pretendem disponibilizar rastreios à população. A Associação de Municípios das Terras de Santa Maria (AMTSM) informou hoje que tem um espaço disponível no Europarque, onde poderá ser instalado um centro móvel de rastreio do Covid-19. A proposta seguiu para a Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) (Informação ao minuto Covid-19 na RTP).

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