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	<title>Arquivo de Opinião - NotíciasdeAveiro.pt</title>
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	<description>Notícias da Região de Aveiro atualizadas em permanência</description>
	<lastBuildDate>Sun, 16 Aug 2026 15:57:35 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
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	<title>Arquivo de Opinião - NotíciasdeAveiro.pt</title>
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		<title>O viajante do futuro já existe. Estamos prontos para ele?</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/o-viajante-do-futuro-ja-existe-estamos-prontos-para-ele/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Aug 2026 23:06:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há três ideias que raramente aparecem juntas numa conversa sobre turismo: a dimensão filosófica da viagem, a capacidade de antecipar o futuro e a procura universal da felicidade. Por Antonio Jorge Costa * Quando se cruzam, revelam algo que o setor tarda em aceitar. O turismo do século XXI não é uma indústria de deslocações. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Há três ideias que raramente aparecem juntas numa conversa sobre turismo: a dimensão filosófica da viagem, a capacidade de antecipar o futuro e a procura universal da felicidade. </strong></p>
<p><strong>Por Antonio Jorge Costa *</strong></p>
<p>Quando se cruzam, revelam algo que o setor tarda em aceitar. O turismo do século XXI não é uma indústria de deslocações. É uma indústria de sentido.</p>
<p>Quem estuda o comportamento do viajante sabe há muito que o valor de uma viagem não está apenas no que acontece no destino. Está no que se imagina antes de partir e no que se recorda depois de regressar. A antecipação pode ser mais intensa do que a experiência em si. O dia a dia embacia o olhar e sair do lugar de sempre oferece o pretexto para sair também de si próprio.</p>
<p>Isto tem consequências práticas para quem gere destinos e empresas de turismo. A cadeia de valor é muito mais longa do que os modelos económicos habituais reconhecem. Gerir bem a fase da inspiração e a fase da memória, e não apenas a estada, é uma vantagem que os concorrentes focados só na operação dificilmente conseguem imitar.</p>
<p>O futuro não se prevê. Constrói-se</p>
<p>O futuro não é uma linha reta a partir do presente. É um espaço de possibilidades que depende das escolhas que fazemos hoje, das tecnologias que adotamos, dos valores que decidimos defender, das tendências a que prestamos atenção antes de toda a gente. A pergunta relevante não é onde vamos chegar, mas para onde queremos ir. E isso implica agência, não resignação.</p>
<p>No turismo, esta distinção é decisiva. Os destinos que prosperam são os que não esperam que o mercado os obrigue a mudar. Testam, ajustam, antecipam. Saber hoje o que os viajantes de amanhã vão valorizar, regeneração, autenticidade, ritmo lento, bem-estar integrado, desconexão digital, é a diferença entre liderar e seguir.</p>
<p>A felicidade como métrica estratégica</p>
<p>Há uma pergunta que poucos relatórios de turismo ousam fazer diretamente: o que torna as pessoas genuinamente felizes? A resposta, quando se procura com seriedade, não é superficial nem fácil. É contextual, relacional e territorial. As pessoas são mais felizes em lugares bem pensados, em comunidades que funcionam, no equilíbrio entre movimento e repouso, no contacto humano real.</p>
<p>A investigação em turismo confirma-o. A satisfação do visitante não cresce com o número de atrações ou com a intensidade do programa. Cresce com a qualidade da experiência vivida, com o sentimento de pertença temporária a um lugar, com a perceção de que aquilo que se vive é genuíno. Os destinos que percebem isso param de competir pelo volume e passam a competir pela profundidade.</p>
<p>Três perspetivas, uma só lente</p>
<p>Quando se olha para estas três dimensões em conjunto, a viagem como estado interior, o futuro como construção intencional e a felicidade como bússola estratégica, chega-se a uma conclusão que temos defendido há anos: o turismo do futuro é intencional, experiencial e humano. Não se vende uma noite de hotel, vende-se uma transformação. Não se monitoriza a ocupação, monitoriza-se o impacto no bem-estar. Não se reage ao mercado, antecipa-se a procura.</p>
<p>As oportunidades estão precisamente onde estas três dimensões se cruzam: em produtos que geram sentido antes, durante e depois da viagem, em destinos que se reinventam a partir de mudanças que ainda não chegaram a toda a gente, e em modelos de desenvolvimento que colocam a felicidade dos residentes e dos visitantes como indicador central de sucesso.</p>
<p>A ameaça que ninguém nomeia</p>
<p>A principal ameaça para os destinos não é a concorrência. É a indiferença. Um turismo sem alma, massificado e sem identidade, não perde mercado para um concorrente melhor. Perde-o para a irrelevância. O viajante de hoje tem mais opções, mais informação e menos paciência para experiências que podiam ter acontecido em qualquer outro lugar.</p>
<p>Só resistem os destinos capazes de responder, com clareza e convicção, a uma pergunta simples: porque é que este lugar me faz querer ser diferente? Os que não tiverem resposta para isso serão, simplesmente, esquecidos.</p>
<p><strong>* Presidente IPDT – Tourism Intelligence. <a href="https://publituris.pt/opiniao/o-viajante-do-futuro-ja-existe-estamos-prontos-para-ele" target="_blank" rel="noopener">Artigo publicado originalmente no site Publituris.pt.</a></strong></p>
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		<title>500 milhões de Euros por Ano Não Chega Sem Planeamento</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/500-milhoes-de-euros-por-ano-nao-chega-sem-planeamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Aug 2026 23:06:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Ordenamento]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Portugal prepara-se para investir cerca de 500 milhões de euros por ano em medidas associadas ao Restauro da Natureza até 2030. Trata-se de um dos maiores esforços públicos de recuperação ecológica alguma vez realizados no país. É uma oportunidade rara para corrigir décadas de degradação dos solos, perda de biodiversidade, simplificação da paisagem e fragilidade [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Portugal prepara-se para investir cerca de 500 milhões de euros por ano em medidas associadas ao Restauro da Natureza até 2030. Trata-se de um dos maiores esforços públicos de recuperação ecológica alguma vez realizados no país. É uma oportunidade rara para corrigir décadas de degradação dos solos, perda de biodiversidade, simplificação da paisagem e fragilidade hídrica.</strong></p>
<p><strong>Por Nuno Mamede Santos *</strong></p>
<p>Mas existe uma questão fundamental que merece ser colocada desde o início. O sucesso deste investimento não será determinado pelo volume de dinheiro aplicado. Será determinado pela qualidade do planeamento.</p>
<p>Ao longo dos últimos anos assistimos a inúmeros programas de intervenção ambiental que produziram resultados muito abaixo do esperado. Em muitos casos, não por falta de recursos, mas porque as acções foram executadas de forma isolada, sem uma leitura integrada do território.</p>
<p>Uma plantação de árvores pode ser positiva. Uma charca pode ser positiva. Uma sebe, um corredor ecológico ou uma intervenção numa linha de água também. O problema surge quando cada uma destas medidas é executada como um projecto autónomo, desligado da paisagem onde se insere. O território funciona como um sistema.</p>
<p>A água, o solo, a vegetação, os sistemas agrícolas, os montados, as linhas de água, os acessos rurais e as povoações influenciam-se mutuamente. Quando uma destas componentes muda, todas as outras respondem.</p>
<p>Por isso, restaurar a natureza não pode significar apenas executar medidas avulsas. Tem de significar recuperar processos ecológicos.</p>
<p>A questão central não é quantas árvores foram plantadas. A questão é se o território passou a infiltrar mais água. Não é quantas charcas foram construídas. É se essas estruturas contribuíram para aumentar a humidade da paisagem e reduzir a escorrência superficial.</p>
<p>Não é quantos hectares foram intervencionados. É se esses hectares se tornaram mais resilientes à seca, à erosão e ao fogo.</p>
<p>O restauro da natureza exige uma mudança de escala na forma como pensamos a intervenção territorial, cuja unidade fundamental de planeamento deve ser a bacia hidrográfica. A água não conhece limites administrativos. Não sabe onde termina um concelho ou começa outro. Move-se segundo a topografia, atravessa propriedades, liga ecossistemas e condiciona toda a dinâmica da paisagem.</p>
<p>Quando uma intervenção é planeada à escala da bacia e da sub-bacia hidrográfica, torna-se possível compreender onde reter água, onde reduzir erosão, onde recuperar vegetação, onde criar corredores ecológicos e onde concentrar recursos para obter maior impacto. Sem essa leitura, corre-se o risco de dispersar investimento por centenas de pequenas acções desconectadas entre si.</p>
<p>O resultado pode ser actividade administrativa significativa e impacto ecológico reduzido.</p>
<p>Por isso, tão importante como o financiamento é a existência de cartografia rigorosa, critérios transparentes de priorização, equipas técnicas competentes e sistemas de monitorização que permitam avaliar resultados ao longo do tempo.</p>
<p>O restauro deve ser medido por indicadores concretos. Aumento da infiltração e retenção de água. Redução da erosão. Recuperação da matéria orgânica dos solos. Estabilização de linhas de água. Melhoria da biodiversidade funcional. Sobrevivência efectiva das plantações. Regeneração natural da vegetação. Redução do risco estrutural de incêndio.</p>
<p>Aumento da produtividade sustentável dos sistemas agrícolas e silvopastoris. Capacidade local para manter e dar continuidade às intervenções realizadas.</p>
<p>Sem estes indicadores, existe o risco de confundir execução financeira com sucesso ecológico.</p>
<p>Outro aspecto fundamental será o envolvimento das pessoas que vivem e trabalham no território. Grande parte do conhecimento necessário para restaurar uma paisagem não se encontra em gabinetes. Encontra-se nos agricultores, nos pastores, nos produtores florestais, nos técnicos locais, nas associações de desenvolvimento, nos municípios e nas comunidades que conhecem o comportamento da água, dos solos e da vegetação ao longo de décadas.</p>
<p>O restauro da natureza não pode ser um processo imposto de cima para baixo. Tem de ser construído em conjunto com quem gere o território diariamente. Quando as populações locais participam na definição dos objectivos e na implementação das soluções, a probabilidade de sucesso aumenta significativamente. Quando são tratadas apenas como destinatárias de medidas previamente definidas, o risco de abandono futuro cresce.</p>
<p>O Sul de Portugal merece uma atenção particular neste contexto. O Alentejo e o Algarve enfrentam algumas das maiores vulnerabilidades ecológicas do país. A escassez hídrica é crescente. Os aquíferos apresentam sinais de pressão acumulada. Os solos perdem matéria orgânica. A erosão continua activa em muitas áreas. O abandono rural reduz a capacidade de gestão da paisagem.</p>
<p>Ao mesmo tempo, é precisamente nestes territórios que existem algumas das maiores oportunidades para testar abordagens inovadoras de restauro ecológico.</p>
<p>Projectos-piloto bem desenhados podem gerar conhecimento aplicável a outras regiões mediterrânicas da Europa.</p>
<p>Podem demonstrar metodologias. Podem validar indicadores. Podem criar referências técnicas replicáveis. E podem transformar Portugal numa referência internacional em planeamento regenerativo aplicado ao restauro da natureza.</p>
<p>Os próximos anos serão decisivos. O financiamento existe. O enquadramento político está criado e a necessidade ecológica é evidente. Resta garantir que o investimento é acompanhado por uma visão territorial coerente. Porque restaurar a natureza não é apenas plantar árvores. Não é apenas executar obras ou cumprir metas europeias. Restaurar a natureza é recuperar a capacidade funcional da paisagem. É devolver ao território a capacidade de infiltrar água, produzir solo, sustentar biodiversidade, resistir ao fogo e apoiar comunidades humanas viáveis. É criar condições para que os sistemas ecológicos e produtivos funcionem melhor daqui a vinte, cinquenta ou cem anos.</p>
<p>E isso exige algo que nenhum financiamento, por si só, consegue substituir: planeamento.</p>
<p><strong>* Fundador da Terracrua Design e do Instituto de Planeamento Regenerativo. <a href="https://www.agroportal.pt/500-milhoes-de-euros-por-ano-nao-chega-sem-planeamento/" target="_blank">Artigo publicado no Agroportal.</a></strong></p>
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		<item>
		<title>Refúgios climáticos: 108 municípios sem Plano Municipal de Ação Climática</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/refugios-climaticos-108-municipios-sem-plano-municipal-de-acao-climatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 23:08:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Governo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com seis ondas de calor já enfrentadas este ano, Portugal continua na cauda da Europa na adaptação das cidades face a este risco acrescido: não há nenhum município português a ultrapassar os 15% da sua população com acesso adequado a espaços verdes urbanos. Por Alexandra Azevedo * Nesse sentido, a Quercus congratula a iniciativa “Rede [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Com seis ondas de calor já enfrentadas este ano, Portugal continua na cauda da Europa na adaptação das cidades face a este risco acrescido: não há nenhum município português a ultrapassar os 15% da sua população com acesso adequado a espaços verdes urbanos.</strong></p>
<p><strong>Por Alexandra Azevedo *</strong></p>
<p>Nesse sentido, a Quercus congratula a iniciativa “Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool”, lançada pelo Turismo de Portugal, à qual as Autarquias nacionais podem concorrer para criar ou qualificar espaços acessíveis, seguros e termicamente confortáveis durante períodos de calor extremo. Com uma dotação total de 1 milhão de euros, este aviso enquadra-se no Programa Crescer com o Turismo e destina-se exclusivamente a Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia.</p>
<p>Lançamos o apelo à Associação Nacional de Municípios e à Associação Nacional de Freguesias para que fomentem uma elevada participação nesta linha de apoio, que permite às autarquias concorrer individualmente ou em associação.</p>
<p>A Quercus está disponível para colaborar na implementação deste programa, considerando que a sua experiência e know-how em diversos projetos já implementados no terreno (como a iniciativa “Jardins Públicos Biodiversos” em Torres Vedras) pode ser uma mais-valia para garantir que a reabilitação ou criação destes espaços nas autarquias tenha um verdadeiro impacto positivo, privilegiando a biodiversidade e a utilização de espécies autóctones.</p>
<p>Atualmente, 108 municípios portugueses não têm ainda um Plano Municipal de Ação Climática (PMAC). Quanto às Estratégias de Adaptação às Alterações Climáticas, todos apresentam o documento, muito embora grande parte destas estratégias assumam um horizonte temporal de 10 ou mais anos, muitas vezes por limitações de recursos técnicos, humanos e financeiros ao nível local. Consequentemente, como aponta o relatório do Mapa da Ação Climática Municipal, revelam-se frequentemente desatualizadas face às novas projeções de impactos e danos decorrentes das alterações climáticas.</p>
<p>Este exemplo evidencia as dificuldades que muitas autarquias enfrentam para cumprir integralmente a Lei de Base do Clima, que estipulou fevereiro de 2024 como o prazo limite para a aprovação dos PMAC.</p>
<p>Perante o cenário descrito, a Quercus propõe as seguintes medidas:</p>
<p>&#8211; Elaborar um relatório diagnóstico sobre as razões do incumprimento dos PMAC nos 108 municípios em falta, identificando lacunas em termos técnicos, humanos e financeiros, de forma a orientar o desenho de mecanismos de apoio adequados a cada realidade local;<br />
Publicação, pelo Governo, de um calendário vinculativo com sanções para os 108 municípios sem PMAC, fixando um prazo máximo de 12 meses para a sua aprovação, com reporte trimestral público do estado de cada plano;</p>
<p>&#8211; Revisão obrigatória das Estratégias Municipais de Adaptação com horizonte superior a 10 anos, reduzindo-o para ciclos de 5 anos, de forma a acompanhar as novas projeções climáticas e evitar o desfasamento identificado no Mapa da Ação Climática Municipal;</p>
<p>&#8211; Obrigatoriedade de inclusão, em todos os Planos Diretores Municipais (PDM) em revisão, de um rácio mínimo de área verde por habitante, alinhado com as recomendações da Organização Mundial da Saúde ( mínimo de 9 m² por habitante), com fiscalização da Agência Portuguesa do Ambiente;</p>
<p>&#8211; Definir uma meta nacional vinculativa de 15% da população com acesso adequado a espaços verdes urbanos até 2030, com planos de recuperação prioritários para os municípios com valor abaixo dos 5%.</p>
<p>Segundo o relatório Lancet Countdown 2026, as ondas de calor aumentaram 318% nos últimos 10 anos. Perante este agravamento, quer em termos de assiduidade, quer de intensidade, é urgente deixar de encarar os espaços verdes urbanos como um mero elemento paisagístico e sim como uma infraestrutura essencial de adaptação climática, capaz de arrefecer as cidades e proteger a saúde de quem nelas vive.Segundo um estudo da Comissão Europeia em parceria com a Universidade de Copenhaga, abrangendo 862 cidades europeias, nenhum município português ultrapassa os 15% de população com acesso adequado a espaços verdes urbanos. Coimbra surge como o melhor exemplo nacional, ainda assim entre apenas 8% e 15%, enquanto Porto, Viseu e Paredes se situam num patamar intermédio, entre 4% e 8%. O panorama agrava-se nas maiores cidades: Lisboa não ultrapassa os 4%, e Setúbal e Faro registam os piores resultados do país, com menos de 2% da população a beneficiar de proximidade adequada à natureza. Estes números colocam Portugal entre os países europeus com pior desempenho neste indicador.</p>
<p><em>1 &#8211; Seguindo o referencial 3-30-300 que cada pessoa consiga ver pelo menos 3 árvores a partir de sua casa; que cada bairro tenha, no mínimo, 30% de cobertura de copa arbórea; e que nenhum residente esteja a mais de 300 metros de distância de um parque ou espaço verde de qualidade.</em></p>
<p><strong>* Presidente da Direção Nacional da Quercus.</strong></p>
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		<item>
		<title>“Playback”: Carlos Paião- a voz que Portugal não esquece</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/playback-carlos-paiao-a-voz-que-portugal-nao-esquece/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 23:09:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ílhavo]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Playback” é também uma viagem no tempo. Uma viagem que nos devolve os grandes êxitos de Carlos Paião e que, pelo menos no meu caso, desperta memórias de infância. Por Nuno Alexandre * No passado dia 6 de agosto, estreou nas salas de cinema o filme “Playback”, de Sérgio Graciano, que está, mais uma vez, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Playback” é também uma viagem no tempo. Uma viagem que nos devolve os grandes êxitos de Carlos Paião e que, pelo menos no meu caso, desperta memórias de infância.</strong></p>
<p><strong>Por Nuno Alexandre *</strong></p>
<p>No passado dia 6 de agosto, estreou nas salas de cinema o filme “Playback”, de Sérgio Graciano, que está, mais uma vez, de parabéns. Depois de trazer para o grande ecrã as histórias de figuras tão importantes como Salgueiro Maia, Álvaro Cunhal e Mário Soares, desta vez leva-nos numa viagem pelo universo musical e pela vida de Carlos Paião. E posso garantir-vos que foi uma viagem muito bonita!</p>
<p>A 26 de agosto de 1988, o cantor e compositor perdeu a vida num trágico acidente de viação na antiga Estrada Nacional 1, perto de Rio Maior, quando seguia de carro a caminho de um concerto nas festas de São Ginésio, em Penalva do Castelo. Tinha apenas 30 anos. Teve uma vida demasiado curta, mas deixou-nos uma obra que o tempo jamais conseguirá apagar.<br />
Carlos Paião foi médico e, além disso, um homem romântico, talentoso e sensível, mas, acima de tudo, profundamente apaixonado pela música.Tenho a certeza de que Portugal nunca o esqueceu e nunca o esquecerá.</p>
<p>Todos sabemos que chegará um dia em que teremos de partir, mas a memória permanece, tal como permanecem as atmosferas, as emoções e as vivências de cada época. E o Carlos permanece vivo através das suas canções. É nelas que continua a existir, a emocionar e a fazer parte da memória de um país e de várias gerações.</p>
<p>Ílhavo está profundamente ligada à vida e à memória de Carlos Paião. Embora tenha nascido em Coimbra, em 1957, foi nesta cidade do distrito de Aveiro, terra natal dos seus pais, Ofélia e Carlos, que viveu grande parte da sua infância e juventude. Foi também em Ílhavo que começou a dar os primeiros passos no universo musical. Em dezembro de 1978, venceu o VI Festival da Canção do Illiabum Clube, com a canção “Canto de Guerra”, num momento que permanece na memória de muitos ilhavenses. Sei o carinho que muitos habitantes de Ílhavo nutriam por Carlos Paião e que ainda hoje se traduz nas palavras com que o recordam: um homem talentoso, divertido, com um enorme sentido de humor e, sobretudo, de bom coração. Por isso, a notícia de que a sua vida chegaria ao cinema foi recebida na cidade com enorme alegria e entusiasmo.</p>
<p>Em 2021, a autarquia anunciou a criação de uma estátua do cantor, de autoria do artista plástico Albano Martins. A obra viria a ser inaugurada no dia 26 de junho de 2021, aquando da renovação do Jardim Henriqueta Maia, onde hoje pode ser visitada, na Calçada Carlos Paião, no centro urbano de Ílhavo. Os pais de Carlos Paião estiveram presentes na inauguração. Foi um momento particularmente emotivo, não apenas pela homenagem ao artista, mas também pela forma como Ílhavo reafirmou a ligação a um dos seus filhos do coração.</p>
<p>Em 1981, Carlos Paião venceu o Festival da Canção com “Playback”, representando assim Portugal no Festival Eurovisão, em Dublin. Subiu ao palco acompanhado por Ana Bola, Cristina Águas, Peter Peterson e Pedro Calvinho, levando consigo uma das suas canções mais emblemáticas. Pouco antes de partir para a Irlanda, viveu também um momento muito especial na sua vida pessoal: casou com Zaida Cardoso, o grande amor da sua vida. Foi, portanto, um período de grande realização, tanto no plano profissional como pessoal, que o filme procura também retratar.</p>
<p>A toda a equipa e ao elenco, os meus parabéns. “Playback” é um filme extraordinário e o entusiasmo que tem gerado junto do público parece confirmar isso mesmo. Em menos de uma semana, tornou-se já o filme português mais visto nas salas de cinema.</p>
<p>O Ator Rafael Ferreira assume o papel de Carlos Paião e tem uma prestação verdadeiramente brilhante. A sua interpretação é tão convincente que, por momentos, enquanto o via naquele grande ecrã, tive a sensação de estar perante o próprio Carlos Paião. Há gestos, expressões e uma energia que tornam essa presença particularmente real e impressionante. Mas houve um momento, durante a sessão, que me tocou de uma forma especial. Algumas das pessoas sentadas à minha frente começaram a cantar algumas das canções à medida que estas surgiam no filme.</p>
<p>E pensei que talvez não pudesse existir melhor testemunho da força da música de Carlos Paião: décadas depois, as suas canções continuam vivas, continuam a ser reconhecidas e, sobretudo, continuam a ser cantadas. Também a atriz Laura Dutra merece uma palavra de destaque pela forma como dá vida a Zaida. A sua interpretação acrescenta uma dimensão muito humana à história e permite-nos conhecer melhor a mulher que teve um papel tão importante na vida do cantor. E a própria médica Zaida Cardoso teve um papel fundamental para que este filme pudesse acontecer, contribuindo para que a história de Carlos Paião pudesse finalmente chegar ao grande ecrã.</p>
<p>Como já referi, “Playback” é também uma viagem no tempo. Uma viagem que nos devolve os grandes êxitos de Carlos Paião e que, pelo menos no meu caso, desperta memórias de infância.</p>
<p>Lembro-me particularmente de ouvir “Cinderela”, uma canção que continuo a adorar e que, tantos anos depois, mantém intacta a sua magia. A banda sonora do filme, a cargo de The Legendary Tigerman, revisita algumas das canções mais emblemáticas de Carlos Paião, dando-lhes novas sonoridades e uma nova vida. O filme inclui ainda “Lisboa Lisboa”, um tema inédito que Carlos Paião nunca chegou a interpretar e que é apresentado ao público, pela primeira vez, nesta longa-metragem.</p>
<p>Na minha opinião, estamos perante uma verdadeira obra biográfica, que vai muito além da música e dos grandes sucessos. O filme mostra-nos também os sonhos de Carlos, as suas inquietações, algumas dificuldades que enfrentou e as incertezas que fizeram parte do seu percurso. E aborda ainda os rumores e os boatos, muitos deles horríveis, que surgiram depois da sua morte. Talvez esses boatos tenham surgido pelo facto das pessoas recusarem que aquele jovem, tão cheio de vida e romântico, tenha partido. É como se, de alguma forma, ninguém quisesse acreditar que ele tivesse partido e quisesse apenas acordar de um pesadelo!</p>
<p>O filme tem também muitos momentos de humor e conta com um elenco de grande qualidade, com excelentes interpretações que tornam a experiência ainda mais especial.</p>
<p>Por tudo isto, deixo o meu apelo: vão ao cinema e vejam “Playback”. É importante apoiarmos o cinema português e contribuirmos para que as salas continuem cheias. Ver um filme numa sala de cinema é uma experiência única, muito diferente daquela que temos quando assistimos a um filme em casa. Há o grande ecrã, o som, o ambiente da sala e, sobretudo, a experiência de partilhar aquele momento com outras pessoas. E quando escolhemos um filme português, estamos também a apoiar todos os profissionais- atores, realizadores, argumentistas, técnicos e tantos outros- que, apesar das dificuldades e dos desafios que continuam a existir para fazer cinema em Portugal, não deixam de criar obras de enorme qualidade. Temos excelentes filmes portugueses, grandes atores, realizadores talentosos e equipas extraordinárias. “Playback” é mais um exemplo disso. Por isso, os meus parabéns a todo o elenco e a toda a equipa que tornou este filme possível. Agora, cabe também ao público fazer a sua parte: encher as salas e continuar a apoiar o cinema português.</p>
<p>E como escreveu há dias Tozé Brito, não é preciso ter conhecido Carlos Paião ou sequer conhecer profundamente a sua história para ir ver este filme. O que posso garantir é que quem já o conhecia e cresceu com as suas músicas vai, provavelmente, apaixonar-se ainda mais por ele. E quem não o conhecia vai sair da sala a querer conhecê-lo melhor e a ouvir as suas canções. Por isso, vão ao cinema! E continuem a cantar e a dançar com o Carlos!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Partilhar a cidade na &#8220;grande aceleração&#8221;</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/partilhar-a-cidade-na-grande-aceleracao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 23:06:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O historiador J. R. McNeill juntou uma dose colossal de dados empíricos para demonstrar a sua tese de que não só vivemos na época do Antropoceno, cuja génese coincidiria com o início da Revolução Industrial inglesa (circa 1750), como entrámos, a partir de 1950, numa fase de intensificação vertiginosa do metabolismo da humanidade com o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O historiador J. R. McNeill juntou uma dose colossal de dados empíricos para demonstrar a sua tese de que não só vivemos na época do Antropoceno, cuja génese coincidiria com o início da Revolução Industrial inglesa (circa 1750), como entrámos, a partir de 1950, numa fase de intensificação vertiginosa do metabolismo da humanidade com o Planeta, ou, se quisermos, com o ambiente natural, onde se alimentam as raízes da nossa história coletiva.</strong></p>
<p><strong>Por Viriato Soromenho Marques *</strong></p>
<p>A isso, designa o historiador como “Grande Aceleração”[i]. Não há nenhuma região planetária que escape ao crescendo e abissal impacto da ação antrópica, veiculada por uma economia que usa as políticas públicas (há muito capturadas por transversais “interesses instalados”) e as tecnociências como seus instrumentos e armas. Da litosfera à atmosfera, da biosfera à hidrosfera, da criosfera à noosfera (onde se gere a comunicação e as representações culturais), tudo está em turbulento processo de apropriação, privatização e exploração extrativista. Em todos esses domínios, onde cresce a entropia, a fenomenologia da vida urbana pode funcionar como metonímia, como indicador de perigo, tal como os canários nas minas de carvão no final do século XIX.</p>
<p>As cidades sempre foram espaços de partilha. A política nasceu nas cidades. O Maio de 68 é um exemplo europeu, ainda recente, da urbe como locus da esfera pública, incluindo a passagem do confronto verbal transborda para o protesto nas barricadas. Foi nas cidades que nasceu e se fortaleceu o debate e a comunhão de ideias e visões de futuro. O associativismo operário e estudantil, o cooperativismo empresarial. É nas cidades que se ergueram as escolas, universidades e museus, florescendo as vanguardas estéticas e a experimentação de estilos de vida alternativos. Oswald Spengler, há um século, distinguia as cidades do tempo da Cultura (uma fase histórica de vitalidade e crescimento) das cidades na época da Civilização (megalópoles exuberantes, mas revelando sinais de exaustão e esgotamento). Ele considerava os sintomas de deslaçamento e fragmentação das relações humanas nas grandes urbes como um sinal de inevitável declínio.</p>
<p>A transição ocorrida no software das cidades, nas já quase oito décadas da Grande Aceleração, pode ser designada como a passagem de modos diversos de vivência e partilha urbana, naquilo que designo como urbanidade analógica, para aquilo que poderemos denominar como simulacro da partilha, na recente urbanidade digital. A partilha analógica, a única que não é moeda falsa, implica um terroir histórico e cultural específico. Lembro-me bem do tempo em que as cidades europeias tinham todas um perfume e um timbre distintos. O turista sentia-se como um hóspede a pisar um terreno que não lhe pertencia e deveria ser respeitado. A partilha era uma experiência de comunhão na diferença. As relações eram entre pessoas distintas, sujeitos mediados pelo espaço e pelo tempo, pela distância e proximidade. Hoje, nas cidades digitais, os serviços são uma máscara de partilha. Por detrás do alojamento local, muitas vezes resultado da expropriação de moradores pobres vítima de gentrificação, ou na mobilidade em regime de TVDE, mais do que iniciativa localizada, o que encontramos é a pegada plana e uniforme deixada por plataformas digitais globais e rentistas. O protocolo higiénico do pagamento digital evita, tanto a locais como forasteiros, o risco do contacto com o outro. Em vez de partilha, celebramos a mesmidade. A submissão das políticas públicas aos imperativos do capital sem rosto intensificou a especulação imobiliária. Criou refugiados urbanos na sua própria terra, inchando as periferias, ou forçando a coabitações obscenas em espaços reduzidos. A eficiência digital, que nos transforma a todos em “empresários de nós próprios” (numa feliz expressão de Byung-Chul Han), reduzindo a zero as interações pessoais e a deliberação coletiva, não inaugura nenhum individualismo prometedor. A digitalização crescente da sociedade, em especial das cidades é na verdade um processo de expropriação coletiva, dos espaços, dos dados pessoais, e no limite do próprio rendimento, que com o almejado monopólio da moeda digital nos pode ser roubado através de um clique, pela fraude ou por um poder despótico. Na vaga do capitalismo turbinado pela IA, assistimos ao naufrágio das políticas do bem comum, incapazes de alimentar a gula da acumulação. Se nada fizermos, desaguaremos num mundo em que, não só teremos sido despojados de tudo, como não teremos ninguém que possamos identificar como inimigo ou como potencial aliado. Nessa altura, viveremos num tempo que já não será o da história. Habitaremos em sítios sem alma de cidade.</p>
<p>[i] McNeill, J. R. &amp; Peter Engelke, The Great Acceleration: An Environmental History of the Anthropocene since 1945. An Environmental History of the Anthropocene since 1945, Cambridge, MA, Harvard University Press, 2016.</p>
<p><strong>* Catedrático de Filosofia da Uni. Lisboa. <a href="https://s-cities.pt/pt/noticia/2026/07/14/partilhar-a-cidade-na-grande-aceleracao" target="_blank" rel="noopener">Artigo publicado originalmente no site S-Cities.pt</a>.</strong></p>
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		<title>De “faixa perdida” a infraestrutura ecológica</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/de-faixa-perdida-a-infraestrutura-ecologica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 23:06:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Florestas]]></category>
		<category><![CDATA[Incêndios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante muito tempo, as linhas de água e a vegetação ribeirinha (galerias ripícolas) que atravessam plantações florestais foram tratadas como “faixas perdidas”: demasiado húmidas para a produção, demasiado estreitas para serem prioridade, muitas vezes deixadas à sua sorte até serem dominadas por espécies exóticas invasoras. Hoje sabemos que esse olhar é curto. Por Bruna Oliveira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Durante muito tempo, as linhas de água e a vegetação ribeirinha (galerias ripícolas) que atravessam plantações florestais foram tratadas como “faixas perdidas”: demasiado húmidas para a produção, demasiado estreitas para serem prioridade, muitas vezes deixadas à sua sorte até serem dominadas por espécies exóticas invasoras. Hoje sabemos que esse olhar é curto.</strong></p>
<p><strong>Por Bruna Oliveira *</strong></p>
<p>Transformar estas faixas perdidas em corredores de conservação dentro de florestas de produção – ao longo de linhas de água, linhas de escoamento, áreas de maior sensibilidade ecológica ou interfaces urbano‑florestais – pode ser considerado “tecnologia de ponta” para a gestão florestal no século XXI, mesmo quando o trabalho parece simples: remover espécies invasoras, melhorar o solo, reintroduzir flora nativa e gerir a estrutura da vegetação de forma resiliente. Em vez de linhas residuais, passamos a ter uma infraestrutura ecológica que protege o coração produtivo da floresta.</p>
<p>Um corredor de conservação não é apenas uma faixa de vegetação bonita; é uma história em movimento. Do lado da vegetação, um corredor bem desenhado aumenta a diversidade de espécies, introduz estratos arbustivos e arbóreos mais variados e cria gradientes de humidade e sombra que reduzem o stress em períodos de seca. Do lado da fauna, oferece refúgio, alimento e rotas de deslocação para aves, mamíferos e invertebrados.</p>
<p>Gestão florestal 2.0: mosaicos e métricas</p>
<p>Se há algo que a nova geração de incêndios e de tempestades nos ensinou é que a floresta portuguesa não pode continuar a ser uma monocultura de riscos. Precisamos de mosaicos: em vez de extensos blocos contínuos altamente inflamáveis, criar padrões de combustibilidade variada, alternando espécies, idades, usos do solo e densidades. Os corredores de conservação são peças centrais nesta lógica.</p>
<p>Ao introduzirem linhas de maior humidade, vegetação menos inflamável e descontinuidades na estrutura do combustível, estas infraestruturas ecológicas podem reduzir a intensidade e a propagação do fogo, proteger as linhas de água e criar zonas de menor severidade que fazem a diferença numa noite de vento forte. Ao mesmo tempo, quando bem integrados no plano de gestão, não retiram produtividade ao sistema – em vez disso, estabilizam-no, reduzindo perdas potenciais em eventos extremos.</p>
<p>Para que deixem de ser apenas boas intenções em relatórios, é preciso assumir as métricas. Hoje, já conseguimos quantificar os custos diretos de instalação e manutenção, os benefícios em madeira e outros produtos lenhosos, o sequestro de carbono, a redução do risco de incêndio, a regulação hidrológica, o recreio e o valor paisagístico associados a corredores instalados em plantações florestais.</p>
<p>Estes números alimentam análises de custo‑benefício que ajudam proprietários, associações florestais, indústria transformadora e decisores públicos a perceber que a conservação pode ser parte da solução económica e não um obstáculo.<br />
De “faixa perdida” a infraestrutura ecológica</p>
<p>Ilustração da gestão da paisagem em mosaico</p>
<p>Da Lei do Restauro à floresta do dia a dia</p>
<p>Em 2024, a União Europeia aprovou o chamado Regulamento do Restauro da Natureza (Regulamento UE 2024/1991), que define metas vinculativas para restaurar pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas até 2030 e todos os ecossistemas degradados até 2050. Entre as prioridades estão precisamente os ecossistemas florestais, os rios, as galerias ripícolas, a conectividade e a melhoria dos serviços de ecossistema – em síntese, tudo aquilo que um corredor de conservação bem desenhado pode ajudar a concretizar.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia está a preparar um sistema de créditos de natureza, complementar aos mercados de carbono, para certificar resultados positivos em biodiversidade e serviços de ecossistema. Num cenário em que estes instrumentos ganham corpo, os corredores de conservação em plantações florestais podem tornar‑se ativos estratégicos: não apenas por reduzirem o risco e melhorarem a resiliência, mas também por poderem gerar rendimento adicional para proprietários e empresas que investem na sua criação e manutenção.</p>
<p>Em projetos recentes desenvolvidos em pinhais costeiros e noutras paisagens de produção, temos mostrado que é possível combinar inventários de carbono, indicadores de qualidade de habitat fluvial, métricas de biodiversidade e análise económica dos corredores – exatamente o tipo de informação que será necessária para esquemas credíveis de créditos de natureza em contexto florestal.<br />
Uma oportunidade para a fileira do pinho (e não só)</p>
<p>Da experiência em campo emergem propostas muito concretas para a fileira do pinho e para outras fileiras florestais que querem conciliar competitividade, segurança de aprovisionamento e sustentabilidade. Entre os exemplos de medidas onde a teoria já encontrou aplicação prática, refiram-se:</p>
<p>Integrar corredores de conservação ao longo de linhas de água e de outro tipo de infraestrutura ecológica nos planos de gestão;<br />
Valorizar a biomassa de invasoras como matéria‑prima numa lógica de economia circular;<br />
Usar monitorização remota e indicadores padronizados para reportar ganhos em biodiversidade, carbono e qualidade de habitat.</p>
<p>Como investigadora, interessa‑me menos “provar” que a conservação é importante – isso já sabemos – e mais demonstrar, com dados, que ela pode reforçar a viabilidade económica das paisagens de produção.</p>
<p>Quando um corredor é visto como infraestrutura ecológica que protege o coração produtivo da floresta, reduz riscos, abre portas a novos fluxos de financiamento e alinha a gestão quotidiana com as metas europeias de restauro. Deixa de ser um luxo. Passa a ser bom senso e oportunidade.</p>
<p>Fora da caixa, mas com os pés no terreno</p>
<p>Talvez o aspeto mais “fora da caixa” dos corredores de conservação em plantações florestais não esteja na tecnologia, mas na forma como nos “obrigam” a aproximar mundos que raramente se sentam à mesma mesa: investigadores, proprietários, associações florestais, indústria, gestores de áreas protegidas, comunidades locais. O corredor não é apenas um objeto ecológico: é um processo social.</p>
<p>As decisões sobre onde e como intervir ganham qualidade quando são discutidas com quem conhece o povoamento por dentro, sabe onde a água corre primeiro, onde o fogo costuma entrar, onde a máquina consegue (ou não) passar.</p>
<p>A ciência traz modelos, sensores e mapas; os atores locais trazem memória, prioridades e constrangimentos. É neste cruzamento que se tornam possíveis soluções tecnicamente robustas, socialmente justas e economicamente viáveis.<br />
E se começarmos por criar uma infraestrutura ecológica na próxima linha de água?</p>
<p>Quando pensamos em restauro ecológico, é fácil imaginar grandes planos nacionais, metas europeias, regulamentos e estratégias. Tudo isso é indispensável, mas a verdade é que a transformação começa muitas vezes num gesto simples: olhar de forma diferente para a próxima linha de água que encontrarmos numa floresta de produção.</p>
<p>Se essa galeria ripícola estiver invadida, degradada, invisível na prática da gestão, ali pode estar o embrião de um corredor de conservação capaz de ligar florestas, clima e pessoas. Em vários pontos do país, projetos de restauro em plantações florestais estão a mostrar que é possível recuperar estas faixas e transformá‑las em corredores ecológicos que servem simultaneamente biodiversidade, sequestro de carbono e redução do risco de incêndio.</p>
<p>Se há algo que a floresta portuguesa nos pede neste momento é coragem para experimentar novos caminhos, sem perder o rigor técnico nem a viabilidade económica. Os corredores de conservação em florestas de produção não são uma solução mágica, mas são uma das formas mais promissoras de transformar a crise climática e ecológica numa oportunidade para reinventar a gestão florestal – mais diversa, mais justa e mais resiliente.</p>
<p>Informação de apoio:</p>
<p>O que são corredores de conservação?</p>
<p>São faixas de território geridas para proteger ou recuperar funções ecológicas, como a circulação de espécies animais, a proteção de linhas de água, a criação de habitats, a redução da erosão e o aumento da resiliência da paisagem.</p>
<p>O que são galerias ripícolas?</p>
<p>São faixas de vegetação bem-adaptada às margens de rios, ribeiras, lagoas e outras linhas de água. São importantes porque, entre outros benefícios, protegem as margens, ajudando a travar inundações, fixam o solo, reduzindo a erosão, e servem de habitat para muitas espécies.</p>
<p>O que é gestão em mosaico?</p>
<p>É uma forma de organizar a paisagem, alternando diferentes usos do solo, culturas, espécies – espécies com diferentes características e idades – e densidades de vegetação, para criar paisagens diversificadas e promover descontinuidades. Esta heterogeneidade reflete-se na redução de riscos (porque cada área tem diferentes comportamentos e suscetibilidades), minorando, por exemplo, o risco de incêndio e de ataque de pragas, e aumentando a resiliência do território.</p>
<p>O que são créditos de natureza?</p>
<p>São instrumentos financeiros (ainda em desenvolvimento na União Europeia em 2026) que procuram atestar ganhos mensuráveis para a natureza, resultantes de intervenções como restauro ecológico, criação de corredores de conservação ou recuperação de habitats. Estes ganhos podem refletir-se, por exemplo, na melhoria da qualidade da água, na proteção do solo, no aumento da polinização ou na conservação de espécies e habitats. De forma semelhante aos créditos de carbono, os créditos de natureza funcionam como certificados que podem ser adquiridos por empresas, governos e investidores interessados em financiar ações com resultados positivos para os serviços dos ecossistemas e a biodiversidade. O objetivo é criar uma fonte adicional de rendimento para quem investe na gestão responsável e sustentável de áreas florestais e naturais, valorizando recursos e serviços que beneficiam toda a sociedade.</p>
<p>*<strong> Investigadora no CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro. <a href="https://florestas.pt/comentarios/de-faixa-perdida-a-infraestrutura-ecologica/" target="_blank" rel="noopener">Artigo publicado no site Florestas.pt.</a></strong></p>
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		<title>O porto ideal na era da inteligência artificial</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/o-porto-ideal-na-era-da-inteligencia-artificial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 23:09:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Portos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A inteligência artificial está em todo o lado! Já lhe perguntamos que corte de cabelo nos favorece, o que fazer com três ingredientes esquecidos no frigorífico, como responder a um e-mail delicado e até como melhorar um texto que, muito provavelmente, já tinha sido escrito (ou revisto) por outra inteligência artificial. E, quando sobra tempo, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A inteligência artificial está em todo o lado! Já lhe perguntamos que corte de cabelo nos favorece, o que fazer com três ingredientes esquecidos no frigorífico, como responder a um e-mail delicado e até como melhorar um texto que, muito provavelmente, já tinha sido escrito (ou revisto) por outra inteligência artificial. E, quando sobra tempo, perguntamos-lhe qual é o sentido da vida. Por isso, decidi fazer-lhe uma pergunta mais simples, pelo menos em aparência: como seria o porto comercial ideal?</strong></p>
<p><strong>Por Iris Delgado *</strong></p>
<p>Esperava uma resposta carregada de tecnologia: gruas autónomas, navios sem tripulação, robots a circular nos terminais e algoritmos a comandar tudo a partir de uma sala de controlo digna de um filme de ficção científica.</p>
<p>Mas a resposta foi, pasme-se!, bastante menos cinematográfica. Segundo a IA, o porto ideal não é necessariamente o maior, o mais automatizado ou o que movimenta mais contentores. É aquele que funciona de forma previsível, coordena bem todos os intervenientes, liga eficientemente o mar ao território e cria valor para a economia que serve.</p>
<p>Dito de outra forma: o porto ideal não é apenas inteligente. É útil.</p>
<p>E talvez seja precisamente esta a principal lição da inteligência artificial para o setor portuário. A tecnologia pode otimizar cais, equipamentos e fluxos. Pode prever atrasos, organizar escalas, reduzir consumos e antecipar congestionamentos. Mas um porto de sucesso continua a depender de algo muito menos tecnológico: boa coordenação, decisões coerentes e capacidade de transformar infraestrutura em competitividade.</p>
<p>Um porto não deve, por isso, ser avaliado apenas pelo número de toneladas ou de TEU movimentados. Deve ser medido pela rapidez com que serve os navios, pela fiabilidade que oferece aos carregadores, pela qualidade das ligações ao território, pela capacidade de resistir a perturbações e pelo valor económico que ajuda a criar.</p>
<p>Esta distinção é particularmente importante numa altura em que a inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para passar a integrar decisões operacionais, comerciais e logísticas.</p>
<p>Do ponto de vista da inteligência artificial, o primeiro atributo de um porto de sucesso seria a previsibilidade, ou seja, o porto ideal não tem filas: tem previsibilidade. Um porto pode ser rápido num determinado dia e ineficiente no seguinte. Pode possuir capacidade física, mas falhar na coordenação entre navios, terminais, alfândegas, transportadores rodoviários, operadores ferroviários e donos de carga. Para as cadeias logísticas, a incerteza é frequentemente mais penalizadora do que um tempo de trânsito ligeiramente superior, mas estável.</p>
<p>Não surpreende, portanto, que o Container Port Performance Index, desenvolvido pelo Banco Mundial e pela S&amp;P Global Market Intelligence, utilize o tempo passado pelos navios no porto como uma das principais referências para comparar o desempenho portuário. Reduzir esse tempo permite não apenas aumentar a produtividade, mas também diminuir o consumo de combustível e as emissões associadas às escalas.</p>
<p>A inteligência artificial pode ajudar a prever horas de chegada, antecipar congestionamentos, planear a utilização dos cais, distribuir equipamentos, gerir parques de contentores e ajustar recursos às cargas esperadas.</p>
<p>Contudo, a IA não elimina automaticamente os atrasos. Um algoritmo só será eficaz se receber informação completa, fiável e atempada. Digitalizar processos fragmentados ou alimentar plataformas com dados de qualidade duvidosa significa apenas reproduzir ineficiências antigas em sistemas mais modernos.</p>
<p>O porto ideal é, assim, um porto onde todos os intervenientes trabalham sobre uma visão operacional comum.</p>
<p>O segundo atributo seria a capacidade de aprender continuamente.</p>
<p>Num porto convencional, muitas decisões são tomadas com base na experiência acumulada dos seus profissionais. Essa experiência continuará a ser indispensável. A diferença é que pode agora ser complementada por modelos capazes de analisar milhares de operações, identificar padrões e detetar anomalias que dificilmente seriam visíveis a uma equipa humana.</p>
<p>Um porto inteligente aprende, por exemplo, quais as combinações de carga e equipamento que geram mais atrasos, em que condições meteorológicas aumenta o risco operacional, onde surgem bloqueios no acesso rodoviário ou ferroviário e quando um equipamento deve ser intervencionado antes de ocorrer uma avaria.</p>
<p>A manutenção deixa de ser apenas preventiva e passa a ser preditiva. O planeamento deixa de reagir à congestão e começa a antecipá-la. A gestão energética deixa de observar apenas o consumo total e passa a otimizar a utilização de cada equipamento.</p>
<p>Os chamados gémeos digitais poderão aprofundar esta capacidade. Ao criar uma representação virtual do porto, alimentada por dados operacionais, torna-se possível testar cenários, alterações de layout, novos fluxos logísticos ou situações de emergência antes de intervir fisicamente na infraestrutura.</p>
<p>Mas um porto que aprende é também uma organização que mede os resultados das suas escolhas. A inteligência artificial favorece uma gestão baseada em indicadores objetivos: tempo de espera dos navios, produtividade por hora de cais, permanência das mercadorias, fiabilidade ferroviária, tempo de passagem dos camiões, emissões por operação e satisfação dos clientes.</p>
<p>Sem métricas comuns, a transformação digital corre o risco de se converter numa sucessão de projetos tecnológicos sem impacto demonstrável.</p>
<p>Acresce que, para a IA, um porto isolado nunca seria um porto ideal.</p>
<p>Um terminal extremamente eficiente pode perder competitividade se os contentores ficarem retidos nos acessos terrestres. Um navio pode ser operado rapidamente, mas a vantagem desaparece quando não existem comboios, quando a circulação rodoviária é imprevisível ou quando os procedimentos administrativos atrasam a libertação da carga.</p>
<p>O porto deve ser entendido como um nó de uma cadeia logística mais ampla, e não como uma infraestrutura autónoma – é isto que tento sempre transmitir aos meus alunos. Ora, isto exige sistemas digitais interoperáveis, ligações ferroviárias competitivas, acessos rodoviários adequados e plataformas logísticas interiores articuladas com os terminais marítimos. Exige igualmente que a informação acompanhe a mercadoria desde a origem até ao destino.</p>
<p>Desde 1 de janeiro de 2024, os Estados-membros da Organização Marítima Internacional estão obrigados a utilizar uma Maritime Single Window para a troca eletrónica de informações relacionadas com a chegada, permanência e partida dos navios. O objetivo é simplificar procedimentos e evitar a repetição de dados perante diferentes entidades.</p>
<p>O passo seguinte consiste em ligar essa janela marítima aos sistemas das comunidades portuárias, das alfândegas, dos terminais, dos transportadores e das plataformas logísticas. O porto ideal não pede, assim, a mesma informação várias vezes. Recolhe-a uma vez, valida-a e disponibiliza-a, com as devidas permissões, a quem dela necessita.</p>
<p>Durante anos, a eficiência portuária foi frequentemente associada à redução de folgas, à concentração de operações e à maximização da utilização dos ativos. As sucessivas crises logísticas demonstraram, porém, que a eficiência sem resiliência pode tornar os sistemas excessivamente frágeis.</p>
<p>Tensões geopolíticas, alterações de rotas, fenómenos climáticos, ciberataques ou interrupções energéticas podem alterar rapidamente os fluxos marítimos. A UN Trade and Development considera que o transporte marítimo atravessa uma fase marcada simultaneamente por transformações tecnológicas, ambientais e geoeconómicas, exigindo um futuro mais sustentável, resiliente e digital.</p>
<p>A IA pode, sim!, apoiar a construção de cenários, identificar dependências críticas e sugerir respostas alternativas. Pode ajudar a antecipar alterações na procura, redistribuir capacidade e monitorizar riscos em tempo real.</p>
<p>Para Portugal, a oportunidade não está em copiar integralmente Roterdão, Singapura ou Xangai. Está em construir uma rede portuária coerente com a dimensão do país, a estrutura da sua economia e a sua posição atlântica.</p>
<p>No entanto, a utilização crescente de sistemas digitais cria também novas vulnerabilidades. Quanto mais conectado estiver um porto, maior será a importância da cibersegurança, da proteção dos dados e da existência de procedimentos alternativos para manter as operações em caso de falha.</p>
<p>Um porto inteligente não é aquele que depende cegamente da tecnologia. É aquele que consegue continuar a funcionar quando a tecnologia falha.</p>
<p>Por outro lado, a inteligência artificial identificaria igualmente a sustentabilidade como um elemento central do sucesso portuário. Não basta instalar alguns painéis solares ou substituir viaturas administrativas por veículos elétricos. A descarbonização deve estar integrada no desenho das operações e nas decisões de investimento.</p>
<p>Isso inclui eletrificação de equipamentos, fornecimento de energia aos navios a partir de terra, produção e armazenamento de energia renovável, apoio a combustíveis marítimos alternativos e redução dos tempos de espera.</p>
<p>A otimização digital pode ter um papel significativo. Uma escala mais bem planeada evita períodos desnecessários de espera e permite que os navios ajustem a velocidade de navegação, reduzindo consumos. Uma melhor articulação ferroviária pode retirar camiões da estrada. Uma gestão inteligente da energia pode adequar o consumo dos terminais à disponibilidade da rede.</p>
<p>A IA não substitui as grandes decisões de infraestrutura ou de política energética. Ajuda, porém, a utilizar melhor cada euro investido e cada unidade de energia consumida.</p>
<p>Mas, o que significa tudo isto para Portugal?</p>
<p>Portugal parte de uma posição geográfica frequentemente apresentada como excecional. Está próximo das principais rotas atlânticas, possui uma extensa frente marítima e dispõe de portos com características distintas.</p>
<p>Mas a geografia, por si só, não garante carga, investimento ou centralidade logística.</p>
<p>A estratégia Portos 5+, aprovada para o período 2025-2035, estabelece cinco grandes objetivos: investimento e crescimento, descarbonização e sustentabilidade, intermodalidade e conectividade, digitalização e automação, e integração e segurança. Prevê ainda, para 2035, aproximadamente 125 milhões de toneladas de carga, 6,5 milhões de TEU, uma redução de 80% nas emissões de dióxido de carbono e a digitalização integral dos portos.</p>
<p>As metas são ambiciosas. A questão decisiva será, como tenho dito, a sua execução.</p>
<p>A primeira ilação para Portugal é que não basta digitalizar cada porto individualmente. É necessário construir uma verdadeira arquitetura nacional de dados portuários e logísticos. Os sistemas devem comunicar entre si, utilizar padrões comuns e permitir que operadores e clientes acompanhem os fluxos ao longo de toda a cadeia.</p>
<p>A segunda é que Portugal deve evitar confundir sucesso portuário com crescimento indiferenciado. Nem todos os portos precisam de disputar todos os tipos de carga (veja-se, há anos, o que o Prof. Vítor Caldeirinha tem escrito a propósito da coopetition). A inteligência de uma rede está também na especialização, na complementaridade e na coordenação dos investimentos.</p>
<p>A terceira é que a competitividade dos portos portugueses será decidida tanto no interior do território como junto ao mar. Sem ligações ferroviárias fiáveis, capacidade logística interior e conexões competitivas à Península Ibérica e ao restante mercado europeu, o potencial marítimo ficará limitado.</p>
<p>A quarta é que a digitalização deve ser acompanhada por uma transformação da gestão. Será necessário definir indicadores públicos e comparáveis de desempenho, estabelecer responsabilidades e avaliar o impacto dos investimentos. Toneladas movimentadas são importantes, mas não suficientes. Portugal deve medir tempos de escala, produtividade, permanência da carga, fiabilidade das ligações terrestres, emissões e qualidade do serviço.</p>
<p>Finalmente, a quinta ilação é humana. Um porto alimentado por inteligência artificial continuará a precisar de conhecimento operacional, liderança, negociação e capacidade de decisão. A tecnologia alterará funções e exigirá novas competências, mas não eliminará a necessidade de profissionais que compreendam o mar, a logística, os clientes e o território.</p>
<p>Quando se pergunta, então, à inteligência artificial o que é um porto ideal, a resposta acaba por ser menos tecnológica do que poderíamos esperar.</p>
<p>O porto de sucesso é o que conhece os seus fluxos, coordena os seus intervenientes, aprende com os dados, antecipa problemas e serve a economia com previsibilidade. É eficiente sem ser frágil, digital sem excluir, automatizado sem perder conhecimento humano e ambicioso sem desperdiçar recursos.</p>
<p>Para Portugal, a oportunidade não está em copiar integralmente Roterdão, Singapura ou Xangai. Está em construir uma rede portuária coerente com a dimensão do país, a estrutura da sua economia e a sua posição atlântica.</p>
<p>A inteligência artificial pode ajudar a escolher melhores rotas, prever escalas e otimizar terminais. Mas não escolherá por nós o modelo de governação, as prioridades de investimento ou o papel que desejamos desempenhar nas cadeias logísticas internacionais.</p>
<p>O porto ideal não será criado por um algoritmo. Será o resultado de inteligência coletiva – e da capacidade de transformar estratégia em execução.</p>
<p><strong>* Compliance Officer da APL – Administração do Porto de Lisboa, S.A. <a href="https://www.transportesenegocios.pt/o-porto-ideal-na-era-da-inteligencia-artificial/" target="_blank" rel="noopener">Artigo publicado no site Transportes &amp; Negócios.</a></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt/o-porto-ideal-na-era-da-inteligencia-artificial/">O porto ideal na era da inteligência artificial</a> aparece primeiro em <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt">NotíciasdeAveiro.pt</a>.</p>
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		<title>Tourism, New Love Brand</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/tourism-new-love-brand/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2026 23:06:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Comprar nunca foi tão fácil! Quem estuda marketing tem sempre de estar com um “olho no burro e outro…” quero com isto dizer, que convém tratar o marketing, como as amizades e como os vinhos, desconfiando sempre, das misturas. Por Amaro F. Correia * Esta comparação não tem qualquer tipo de ofensa, pelo contrário, remete [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Comprar nunca foi tão fácil! Quem estuda marketing tem sempre de estar com um “olho no burro e outro…” quero com isto dizer, que convém tratar o marketing, como as amizades e como os vinhos, desconfiando sempre, das misturas.</strong></p>
<div class="flex flex-col items-start">
<div>
<h5 class="leading-[1.1] md:leading-snug font-bold font-primary text-gray-800 text-6xl capitalize"><strong>Por Amaro F. Correia *</strong></h5>
</div>
</div>
<p>Esta comparação não tem qualquer tipo de ofensa, pelo contrário, remete as empresas para uma atenção permanente ao consumidor final. O conselho que deixo aos marketeers, em Portugal, é que estejam sempre, numa espécie de cross-selling (venda cruzada) – técnica de vendas que consiste em oferecer produtos/serviços complementares relacionados com o produto principal, que o cliente compra ou tem interesse.</p>
<p>O foco do turismo, em algumas áreas, é aumentar o valor da venda (ticket médio) e melhorar a experiência do consumidor. Não é um bitaite, mas uma análise de mercado que permite sentir que a maioria das empresas de turismo tem como preocupação principal o consumidor: o que sente; como está; o que precisa; onde quer chegar e as dores na sua relação com a empresa. Uma evolução brutal, sentida e propositada já que são estas empresas que cocriam o conceito, de forma a estarem próximos do cliente.</p>
<p>A IA ajudará o caminho, não tenho dúvidas. Os dois conceitos são a reflexão proposta da essência dum “New Love Brand” que permitirá à empresa, transversalmente, chegar mais depressa ao consumidor. Social Selling é uma tendência antiga, mas que funciona na perfeição e o LinkedIn tem consolidado esta prática de vendas de pessoa para pessoa, como ferramenta B2B (negócio para negócio).</p>
<p>Continua a evoluir, adaptando-se, na perfeição, às novas ferramentas das redes sociais e às mudanças nas relações de consumo. Um excelente caminho que continua rentável, mas não fica por aqui, já que o Social Selling apresenta a novidade recente, que é a expansão do conceito de vendas um a um, para uma estratégia em massa, dentro de outros canais, a considerar.</p>
<p>Simples o caminho, já que promove a interação direta entre as marcas e os consumidores como foco com as empresas e as organizações a utilizar, massivamente, plataformas como Instagram e o Facebook para apresentarem ofertas padronizadas e contextualizadas. No Instagram alguns conteúdos são criados com a intenção de despertar os desejos dos seus seguidores para contactarem com a empresa através de mensagens privadas.</p>
<p>Não duvido que o “face to face” com a marca é uma oportunidade de vendas de um produto ou serviço e aumentará consideravelmente, porque tanto a aproximação, quanto o objetivo da proximidade (venda) ficam escancaradas para a empresa. Noutra perspetiva, não podemos deixar de considerar que as redes sociais — incluindo as plataformas de mensagens instantâneas, como o WhatsApp entre outras — inserem permanentemente, ferramentas de Social Selling, para integrar ainda mais as vendas.</p>
<p>Esta proposta obriga todas as empresas a estarem atentas ao mercado, de forma ativa já que a tendência é comprovada com dados objetivos: redes sociais estão em 2.º lugar no levantamento dos canais de vendas mais procurados e efetivos. A tendência é para subir, rapidamente. Alguns exemplos de um passado recente permitem conferir a tendência em alta: uso de catálogos de produtos, chatbots (assistentes automatizados que preparam o consumidor para a venda) e a prática de live commerce (venda por transmissões ao vivo) são exemplos de aumento, na vertente do Marketing Digital, em anos recentes. Estamos a refletir dois conceitos Social´s: 1.º Selling e o 2.º Commerce e/ou E-commerce que é a tendência mais intensa, nas redes sociais, em anos recentes e este até tem tido ganhos efetivos, porque assume a transição para um novo modelo de vendas online, que populariza a marca.</p>
<p>Comprar nunca foi tão fácil e a tendência será maior, num futuro próximo, onde o prazo de entrega poderá ser o segredo mais bem guardado. A logística e a distribuição de mãos dadas com o tempo do consumidor.</p>
<p>O Social Commerce é muito mais do que um simples botão porque cada vez mais tem como foco acompanhar toda a compra do cliente dentro das plataformas – descoberta até à decisão e satisfação da compra.</p>
<p>Vale a pena compreender CTAs – Calls to Action – envolve toda a Experiência do Utilizador em cada canal. Vale a pena procurar saber mais, sobre UGC – User Generated Content – conteúdos gerados para a marca pelos próprios utilizadores, onde podem ser seguidores, influenciadores e clientes.</p>
<p>O turismo é a atividade perfeita para começaram a investir, algum tempo no marketing, porque é um H2H puro e com futuro.</p>
<p><strong>* Docente Atlântico Business School. Doutorado em Ciências da Informação (Sistemas, Tecnologias). </strong><a href="https://publituris.pt/opiniao/tourism-new-love-brand" target="_blank" rel="noopener"><strong>Artigo publicado no site Publituris.pt.</strong></a></p>
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		<title>Quem disse que todos calçam o mesmo número?</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/quem-disse-que-todos-calcam-o-mesmo-numero/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Aug 2026 23:08:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Aveiro]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Universidade de Aveiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em contexto educativo, a diversidade é algo comum e é impossível que todos os estudantes aprendam da mesma maneira. Podem as ferramentas digitais apoiadas por Inteligência Artificial permitir uma aprendizagem ajustada a todas as necessidades? Por Carla Sá, Marisa Maia Machado e Sara Cruz * Um estudante abre um livro e as palavras começam a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Em contexto educativo, a diversidade é algo comum e é impossível que todos os estudantes aprendam da mesma maneira. Podem as ferramentas digitais apoiadas por Inteligência Artificial permitir uma aprendizagem ajustada a todas as necessidades? </strong></p>
<p><strong>Por Carla Sá, Marisa Maia Machado e Sara Cruz *</strong></p>
<p>Um estudante abre um livro e as palavras começam a dançar na página. Outro ouve a aula, mas as frases chegam-lhe como peças de um puzzle espalhadas pela mesa. Há ainda quem tenha muitas ideias, mas encontre obstáculos para comunicar. Notam-se diferenças, mas, na realidade, revelam um traço comum a todas as salas de aula: não existem dois estudantes iguais.</p>
<p>A diversidade é uma característica comum, no entanto ainda há contextos educativos em que se oferece um par de sapatos de tamanho único para percorrer os caminhos do conhecimento. Para quem calça esse tamanho, talvez o percurso seja confortável. Outros terão de forçar os pés ou aprender a caminhar com desconforto.</p>
<p>O Desenho Universal para a Aprendizagem é uma abordagem que propõe planear, desde o início, opções flexíveis que permitam a estudantes, com perfis diversos, aceder aos conteúdos, participar e demonstrar o que aprenderam, sem alterar os objetivos, nem reduzir a exigência.</p>
<p>Neste processo, poderão as ferramentas de Inteligência Artificial Generativa ajudar os docentes a criar opções mais flexíveis e acessíveis? A Inteligência Artificial pode apoiar na apresentação dos mesmos conteúdos em diferentes formatos (por exemplo, através do Notebook). Não se trata de facilitar a aprendizagem, mas de oferecer diferentes caminhos para alcançar os mesmos resultados.</p>
<p>Para um estudante com dislexia, um texto extenso pode parecer uma floresta demasiado densa para atravessar. Através de ferramentas, como o KOBI Happy Reading, essa floresta pode ganhar trilhos e é possível acompanhar a leitura em voz alta e adaptar as atividades.</p>
<p>O mesmo pode acontecer com estudantes que apresentam dificuldades auditivas, visuais ou de comunicação. Ferramentas como o NaturalReader ou aplicações de edição de vídeo podem converter texto em voz, gerar legendas e transcrições e apresentar a informação através de diferentes modalidades. Quando é utilizada com intencionalidade pedagógica e supervisão humana, a Inteligência Artificial pode ajudar o docente a ampliar as possibilidades de participação e aprendizagem. Todavia, os materiais gerados ou adaptados por estas ferramentas devem ser verificados quanto à exatidão, aos possíveis enviesamentos, à acessibilidade, à adequação pedagógica e à proteção dos dados dos estudantes.</p>
<p>As ferramentas digitais apoiadas por Inteligência Artificial podem gerar legendas e transcrições, converter texto em voz e apoiar a adaptação de materiais. A disponibilização de textos, conteúdos áudio, vídeos, infografias ou animações pode reduzir obstáculos e apoiar a compreensão em diferentes situações. Quando os estudantes podem escolher entre formatos coerentes com as suas necessidades, com o contexto e com a natureza da tarefa, ampliam-se as possibilidades de acesso, participação e aprendizagem.</p>
<p>Talvez a verdadeira questão seja: até onde estamos dispostos a redesenhar os ambientes de aprendizagem para permitir que todos os estudantes participem, compreendam e demonstrem o que aprenderam?</p>
<p>* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. <a href="https://www.ua.pt/pt/noticias/13/99058" target="_blank">Artigo publicado no site UA.pt.</a></p>
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		<title>Floresta: OFA cria condições para que a gestão aconteça</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/floresta-ofa-cria-condicoes-para-que-a-gestao-aconteca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 23:06:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Associativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Florestas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao longo dos anos e pelo contacto próximo com os proprietários, tornou-se evidente que para enfrentar muitos dos desafios da floresta de forma eficaz é indispensável cooperação, escala e capacidade de organização, algo particularmente importante num território marcado pelo minifúndio. Foi neste contexto que a Organização Florestal Atlantis promoveu o modelo de Unidades de Gestão [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ao longo dos anos e pelo contacto próximo com os proprietários, tornou-se evidente que para enfrentar muitos dos desafios da floresta de forma eficaz é indispensável cooperação, escala e capacidade de organização, algo particularmente importante num território marcado pelo minifúndio. Foi neste contexto que a Organização Florestal Atlantis promoveu o modelo de Unidades de Gestão Conjunta, criando condições para que a gestão aconteça e se mantenha.</strong></p>
<p><strong>Por Jorge Sousa *</strong></p>
<p>A Organização Florestal Atlantis (OFA) nasceu em 2009, no Centro litoral, da convicção de que muitos dos desafios da floresta, num território fortemente marcado pelo minifúndio, só podem ser enfrentados de forma eficaz através da proximidade aos proprietários e de uma gestão mais organizada do território.</p>
<p>Por isso, desde a sua fundação, o foco nunca esteve apenas na prestação de serviços, mas sobretudo na criação de soluções que ajudem os proprietários a gerir continuamente a sua floresta e a valorizar o território onde vivem.</p>
<p>Desde o início, o objetivo foi claro: apoiar os proprietários florestais e contribuir para uma gestão mais organizada, eficiente e próxima da realidade do território, conciliando a produção florestal com a valorização de recursos fundamentais, como o solo e a água, através da promoção e aplicação de boas práticas de gestão florestal.</p>
<p>Uma realidade cada vez mais difícil para os proprietários</p>
<p>Como grande parte da floresta do centro de Portugal está dividida em pequenas parcelas, frequentemente dispersas e geridas de forma isolada, mesmo os proprietários mais empenhados enfrentam dificuldades em assegurar uma gestão regular e economicamente viável.</p>
<p>À medida que os custos aumentam e a gestão se torna mais exigente do ponto de vista técnico e administrativo, torna-se mais evidente que muitos dos problemas da floresta não resultam da falta de vontade dos proprietários, mas da dificuldade crescente em criar condições para que a gestão aconteça.</p>
<p>A floresta exige hoje uma gestão cada vez mais profissional e ativa. No entanto, a maior parte dos proprietários não vive da floresta nem dispõe das ferramentas necessárias para a acompanhar de forma contínua. Por outro lado, quando as operações têm de ser contratadas externamente, a reduzida dimensão das propriedades torna difícil gerar rendimento suficiente para compensar o investimento realizado.</p>
<p>Foi precisamente para responder a esta realidade que a OFA foi construindo a sua intervenção e desenvolvendo soluções que procuram ultrapassar alguns dos principais obstáculos à gestão florestal.</p>
<p>Criar condições para que a gestão aconteça</p>
<p>Mais do que prestar serviços, garantir continuidade</p>
<p>O contacto diário com os proprietários mostrou-nos que muitos dos desafios da floresta requerem cooperação, escala e capacidade de organização, algo particularmente importante nestes territórios de minifúndio.</p>
<p>Foi por isso que a OFA procurou assumir este papel de proximidade, apoiando os proprietários nas suas diversas atividades, desde o planeamento das intervenções e elaboração de projetos e candidaturas, até ao acompanhamento técnico, certificação da gestão florestal e execução dos trabalhos no terreno. O seu objetivo foi, por isso, criar condições para que a gestão aconteça de forma continuada, promovendo soluções que permitam enfrentar desafios comuns, valorizar os recursos florestais e reforçar a capacidade de gestão dos proprietários.</p>
<p>Ao mesmo tempo, desenvolveu e participou em diversos projetos financiados por fundos comunitários, tanto para valorização das propriedades dos seus associados e clientes, como enquanto parceira ou consultora de entidades públicas e privadas. Este trabalho permitiu captar investimento para o território, testar novas abordagens e apoiar a concretização de intervenções que, de outra forma, dificilmente avançariam.</p>
<p>A partilha de conhecimento, a sensibilização e o esclarecimento técnico assumiram igualmente um papel importante neste percurso, contribuindo para uma maior aproximação dos proprietários à gestão das suas áreas, ajudando-os a compreender melhor as opções de gestão disponíveis e a participar de forma mais informada nas decisões relacionadas com o seu património florestal.</p>
<p>Quando a escala passa a fazer parte da solução: Unidades de Gestão Conjunta</p>
<p>Contudo, à medida que a experiência se foi acumulando, tornou-se evidente que muitos dos constrangimentos da floresta não podiam ser resolvidos apenas através de apoio técnico ou financeiro. Continuava a existir um problema estrutural: a reduzida dimensão das propriedades e a dificuldade em criar escala suficiente para tornar a gestão mais eficiente.</p>
<p>Foi desta reflexão, construída a partir da experiência acumulada no terreno e do contacto permanente com os proprietários, que nasceu o projeto UGC – Unidades de Gestão Conjunta.</p>
<p>O conceito é simples: criar condições para que todos os proprietários possam enfrentar de forma facilitada, apoiada e em conjunto os desafios que dificilmente conseguiriam resolver de forma isolada, mantendo a titularidade das suas propriedades e beneficiando de uma gestão mais organizada, eficiente e sustentada.</p>
<p>Mais importante ainda é que o modelo procura manter os aderentes envolvidos. A adesão é voluntária e assenta numa participação ativa, permitindo que cada proprietário acompanhe e contribua para as decisões relacionadas com a gestão das suas áreas, apoiado por uma estrutura técnica que procura identificar as soluções mais adequadas para cada situação.</p>
<p>A ideia não é afastar os proprietários da gestão, mas criar condições para que possam continuar ligados às suas propriedades. Em alguns casos, o projeto assegura diretamente o acompanhamento e execução das intervenções. Noutros, os proprietários mantêm um papel mais ativo, beneficiando de apoio técnico e de modelos de gestão que permitem partilhar custos, otimizar recursos e reforçar a capacidade de intervenção.</p>
<p>Criar condições para que a gestão aconteça</p>
<p>Ao gerir em conjunto, torna-se possível planear melhor, reduzir custos, concentrar operações e criar condições para que a gestão seja economicamente viável. Aquilo que, muitas vezes, não é sustentável numa propriedade isolada passa a ser possível quando integrado numa área mais alargada.</p>
<p>Em 2026, a UGC envolve mais de uma centena de proprietários, cerca de 540 parcelas e uma área próxima dos 950 hectares.</p>
<p>Ao longo dos últimos anos, foram realizadas intervenções em centenas de hectares, incluindo plantações, controlo de espécies invasoras, podas, desbastes, seleção de varas e gestão de combustíveis. O projeto permitiu igualmente integrar cerca de 750 hectares em processos de certificação da gestão florestal, reforçando a adoção de boas práticas de gestão e a valorização dos produtos florestais.</p>
<p>Este modelo de Unidade de Gestão Conjunta foi distinguido com o Prémio Floresta é Sustentabilidade 2026, na categoria Economia e Sociedade. O reconhecimento foi recebido com orgulho e responsabilidade, mas é sobretudo entendido como um sinal de que é possível construir soluções ajustadas à realidade do minifúndio e dos territórios onde a gestão florestal enfrenta maiores dificuldades.</p>
<p>O desafio persiste: criar condições para que a gestão aconteça</p>
<p>Apesar dos progressos alcançados, continuamos a acreditar que o principal desafio da floresta portuguesa permanece o mesmo: criar condições para que a gestão aconteça de forma consistente ao longo do tempo.</p>
<p>No caso da OFA, esse caminho passa pela consolidação e expansão das Unidades de Gestão Conjunta, envolvendo mais proprietários, reforçando parcerias e alargando a intervenção a novas áreas e novos modelos de valorização da floresta.</p>
<p>Acreditamos que existe ainda potencial para aumentar a escala de gestão, melhorar a eficiência das intervenções, reduzir custos e criar condições para captar novos investimentos e mecanismos de apoio à gestão florestal. Ao mesmo tempo, importa mobilizar novos parceiros para a valorização dos recursos florestais e das áreas de conservação, através de instrumentos como a certificação da gestão florestal, o reconhecimento dos serviços dos ecossistemas e outras formas de remuneração associadas à gestão ativa e responsável do território.</p>
<p>A experiência adquirida ao longo dos últimos anos demonstra que projetos desta natureza exigem estabilidade, continuidade e capacidade de planeamento a longo prazo. Mobilizar proprietários, construir relações de confiança, implementar modelos de gestão conjunta e acompanhar os seus resultados são processos que requerem vários anos. E para que possam consolidar-se e ampliar o seu impacto, consideramos importante avançar na reflexão sobre a implementação de contratos-programa com as Organizações de Produtores Florestais, criando condições para uma intervenção mais estável, previsível e orientada para resultados de longo prazo.</p>
<p>A floresta precisa de investimento, conhecimento e inovação. Mas precisa, acima de tudo, de continuidade. Porque uma floresta bem gerida não se constrói num ano, nem num projeto. Constrói-se ao longo de décadas, através do trabalho persistente dos proprietários, dos técnicos, das empresas e de todas as entidades que contribuem diariamente para a valorização do território.</p>
<p>É neste caminho que a OFA continua a trabalhar, acreditando que os desafios da floresta se ultrapassam mais facilmente quando existe cooperação, proximidade e um compromisso partilhado com o território.</p>
<p>Porque juntos fazemos (a) floresta.</p>
<p>* Coordenador Técnico da Organização Florestal Atlantis (OFA) desde abril de 2024. A Organização Florestal Atlantis (OFA) é uma associação sem fins lucrativos, que assume a proximidade ao território como uma prioridade. Além da sede em Cantanhede, dispõe de três gabinetes descentralizados em Oliveira do Bairro, Mealhada e Montemor-o-Velho. Estas estruturas são complementadas por uma presença regular no terreno, que permite à OFA um apoio próximo e contínuo aos proprietários num território mais vasto, abrangendo também Figueira da Foz, Mira, Vagos e Anadia. Em paralelo, ao longo dos anos, a OFA tem promovido a ligação entre os diferentes intervenientes da fileira florestal, aproximando proprietários, indústria, centros de conhecimento e entidades públicas em torno de objetivos comuns para o território. <a href="https://florestas.pt/comentarios/criar-condicoes-para-que-a-gestao-aconteca/" target="_blank" rel="noopener">Artigo publicado originalmente no site Florestas.pt.</a></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt/floresta-ofa-cria-condicoes-para-que-a-gestao-aconteca/">Floresta: OFA cria condições para que a gestão aconteça</a> aparece primeiro em <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt">NotíciasdeAveiro.pt</a>.</p>
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