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	<title>Arquivo de Opinião - NotíciasdeAveiro.pt</title>
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	<description>Notícias da Região de Aveiro atualizadas em permanência</description>
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	<title>Arquivo de Opinião - NotíciasdeAveiro.pt</title>
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	<item>
		<title>A mobilidade urbana acelera para um futuro mais integrado</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/a-mobilidade-urbana-acelera-para-um-futuro-mais-integrado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 23:09:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Trânsito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A aceleração tecnológica dos últimos anos atingiu de forma inequívoca o quotidiano das pessoas, mas também das cidades, compreendendo não apenas evolução automobilística, mas também, inovação de sistemas de estacionamento, transportes públicos e pagamentos. Por Jennifer Amador Tavares de Sousa * O futuro, como o vemos na EasyPark, parte da Arrive, passa por trabalhar em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A aceleração tecnológica dos últimos anos atingiu de forma inequívoca o quotidiano das pessoas, mas também das cidades, compreendendo não apenas evolução automobilística, mas também, inovação de sistemas de estacionamento, transportes públicos e pagamentos.</strong></p>
<p><strong>Por Jennifer Amador Tavares de Sousa *</strong></p>
<p>O futuro, como o vemos na EasyPark, parte da Arrive, passa por trabalhar em parceria com os municípios, as autoridades locais e parceiros para alcançar uma maior integração nos sistemas de mobilidade urbana, colaborando cada vez mais num ambiente digital.</p>
<p>À medida que as zonas urbanas crescem, o ecossistema de estacionamento sofre pressões cada vez maiores entre as necessidades e disponibilidade de locais de parqueamento. Se durante alguns anos houve um esforço constante de melhorar e aumentar as infraestruturas, o que se vem observando nos últimos anos é uma mudança de uma atividade que se considerava local, para uma nova estrutura mais conectada e integrada e que vai além dos centros urbanos. Não apenas a procura por sistemas digitais aumentou, quer para procurar, quer para reservar e, mais ainda, para pagar estacionamento, mas também como forma de viajar de forma mais simplificada dentro e fora do país. Não é apenas uma necessidade de digitalização dentro de um ecossistema local, é a procura por um ecossistema global integrado.</p>
<p>Sistema unificado: a bússola para a mobilidade de amanhã</p>
<p>O mundo digital tem uma história acelerada de mobilização tecnológica e de inovação ímpar que teve nos últimos anos não apenas um maior investimento, mas também maior retorno, mais aplicações e mais formas de utilização.</p>
<p>À medida que estas tecnologias digitais entram no dia-a-dia dos utilizadores, as entidades, fornecedores e equipas de desenvolvimento são conscientes de que devem dar resposta às necessidades de uma vida cada vez mais célere em que a simplicidade de operações não pode nunca descurar a rapidez. Um condutor não procura apenas chegar ao destino com a melhor orientação GPS. O condutor exige que a sua experiência de condução e estacionamento sejam simplificadas, e que pagar o estacionamento é apenas um pequeno ponto no seu trajeto. Os municípios são cada vez mais cientes disto. As cidades do futuro são não apenas mais inteligentes, mas também digitais. É uma digitalização que unifica todos os elementos do ecossistema de condução e estacionamento.</p>
<p>A união de sistemas de pagamento, atualização de tarifas e preços, assim como de carregamentos de viaturas elétricas ou até de articulação com transportes públicos, entre outros, apresenta-se como uma solução do amanhã, mas que cada vez mais é exigida hoje. Na EasyPark, observamos que esta é uma solução que permitirá tornar mais eficientes os acessos às cidades, melhorando a mobilidade urbana, mas tornando-as mais eficientes e amigas de visitantes e residentes, em suma, cidades mais habitáveis.</p>
<p><strong>Dados e eficiência: para uma melhoria na experiência de condução, dentro e fora das viaturas</strong></p>
<p>Esta unificação e nos dias que correm, a digitalização está ancorada em dados com maior precisão que permitem não apenas observar tendências, mas prever estratégias mais sustentáveis e até ambientalmente mais conscientes. A possibilidade de deter numa plataforma única e integrada toda a informação referente ao ecossistema de condução permite recolher dados e analisá-los de forma mais eficaz. Para as cidades, a informação é cada vez mais importante e fundamental, seja para compreender a mobilidade interna, seja para definir estratégias e planos de ação com eficiência.</p>
<p>Por seu lado, os condutores exigem que a sua experiência de condução seja o mais simples, intuitiva e confortável possível. Sair da viatura para se deslocar a um parquímetro em dias de chuva, estacionar sem saber o idioma do país em que está, ou até ter que ter moedas para pagar, já não faz sentido. De facto, é um elemento que cria atrito na experiência de condução. O condutor do futuro quer esta integração na sua viatura para uma experiência mais eficiente, e mais personalizada às suas necessidades. Os dados inteligentes que a integração oferece aos decisores são fundamentais para uma mobilidade urbana eficiente. A integração dos sistemas é a medida mais eficaz.</p>
<p><strong>* Diretora para Portugal e Espanha da Arrive. <a href="https://www.ambientemagazine.com/a-mobilidade-urbana-acelera-para-um-futuro-mais-integrado/" target="_blank" rel="noopener">Artigo publicado originalmente no site AmbienteMagazine.</a></strong></p>
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		<title>Comunicar destinos num mundo em tensão</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/comunicar-destinos-num-mundo-em-tensao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 23:08:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num mundo em que a atualidade internacional interfere diariamente com a decisão de viajar, o turismo volta a demonstrar uma das suas qualidades mais consistentes, a capacidade de adaptação. Por Catarina Travassos * Mesmo perante um cenário global marcado pela instabilidade, como o agravamento da guerra no Médio Oriente, o setor reajusta-se, recalibra fluxos, reposiciona [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Num mundo em que a atualidade internacional interfere diariamente com a decisão de viajar, o turismo volta a demonstrar uma das suas qualidades mais consistentes, a capacidade de adaptação.</strong></p>
<p><strong>Por Catarina Travassos *</strong></p>
<p>Mesmo perante um cenário global marcado pela instabilidade, como o agravamento da guerra no Médio Oriente, o setor reajusta-se, recalibra fluxos, reposiciona mercados, redefine prioridades e prossegue.</p>
<p>Mas há uma transformação mais profunda, e talvez mais decisiva, a comunicação deixou de ser um instrumento de enquadramento para passar a ser uma dimensão central da atividade turística.</p>
<p>Hoje, a perceção de um destino forma-se muito antes da reserva e, muitas vezes, fora do seu controlo direto. É influenciada pelo contexto mediático, pela velocidade da informação, pelas redes sociais e por uma sensibilidade acrescida ao risco. Neste quadro, já não basta a um destino ser seguro, acessível ou estável. É indispensável que saiba afirmar esses atributos com clareza, consistência e credibilidade.</p>
<p>É precisamente aqui que a comunicação ganha relevância estratégica para o turismo. Não como elemento acessório, nem como simples amplificação promocional, mas como parte integrante do próprio valor do destino. Porque um destino não se afirma apenas pelo que tem para oferecer; afirma-se também pela forma como se torna inteligível, desejável e confiável junto dos diferentes mercados.</p>
<p>Essa realidade torna-se ainda mais evidente num setor em que a experiência começa muito antes da chegada. Começa na narrativa, na expectativa, na linguagem, no modo como o destino se posiciona e se deixa interpretar. Da entidade que promove ao hotel que acolhe, da companhia aérea que assegura a ligação ao agente que aconselha, do operador que estrutura a oferta ao restaurante que recebe, todos participam, de forma direta ou indireta, na construção dessa perceção.</p>
<p>Durante anos, a comunicação turística viveu sobretudo da inspiração, imagens aspiracionais, promessas de evasão, convites à descoberta. Esse território continua a ser importante, mas tornou-se insuficiente. O viajante de hoje procura mais do que deslumbramento, procura referências sólidas. Valoriza não apenas o imaginário do destino, mas a coerência daquilo que lhe é apresentado.</p>
<p>Quando essa coerência existe, o destino consolida a sua posição. Quando falha, a sua proposta perde densidade e fragiliza-se rapidamente.</p>
<p>Num contexto como o atual, em que alguns mercados reagem com maior cautela e outros privilegiam geografias percecionadas como mais estáveis, destinos como Portugal beneficiam de atributos distintivos. Mas esses atributos, por si só, não bastam. Exigem leitura estratégica, tradução adequada e comunicação contínua.</p>
<p>No turismo, a comunicação já não ocupa uma função periférica. Tornou-se um ativo essencial do setor, presente em tudo o que influencia a reputação, a competitividade e a capacidade de um destino se afirmar de forma consistente. Mais do que promover, comunicar passou a ser parte da própria estrutura de valor do turismo.</p>
<p><strong>* Account Director da AMP Associates.<a href="https://publituris.pt/opiniao/comunicar-destinos-num-mundo-em-tensao" target="_blank" rel="noopener"> Artigo publicado no site Publituris.</a> </strong></p>
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		<title>Vinhos: O culto da acidez</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/vinhos-o-culto-da-acidez/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 23:08:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Enologia]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com a aproximação do verão, procuram-se vinhos mais leves: brancos, rosés, espumantes e tintos delicados. A frescura torna-se a palavra do dia, assim como tudo o que lhe está associado – vivacidade, tensão, suculência, acidez. E talvez nunca se tenha falado tanto de acidez como hoje. Por Valéria Zeferino * Uma vez, numa feira de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Com a aproximação do verão, procuram-se vinhos mais leves: brancos, rosés, espumantes e tintos delicados. A frescura torna-se a palavra do dia, assim como tudo o que lhe está associado – vivacidade, tensão, suculência, acidez. E talvez nunca se tenha falado tanto de acidez como hoje.</strong></p>
<p><strong>Por Valéria Zeferino *</strong></p>
<p>Uma vez, numa feira de vinhos num país estrangeiro, troquei ideias com um sommelier que estava a provar ao meu lado. Questionada sobre o que achei de um monovarietal de Vermentino, respondi-lhe que tinha gostado, encontrando-o bastante equilibrado em termos de aroma, corpo e frescura. Seguiu-se um comentário “é porque tu não gostas de acidez tanto como eu”. Não é, porém, uma questão de gosto. A acidez não existe isoladamente, mas sim, como parte integrante e fundamental na matriz de um vinho. Será que vale a pena elevá-la ao culto?</p>
<p>Tal como na moda, as tendências no mundo do vinho funcionam como um pêndulo que oscila entre extremos. As calças skinny e as silhuetas justas são substituídas por modelos largos e oversize. No vinho, o movimento é semelhante: o que esteve em voga torna-se démodé, e vice-versa, desvaloriza-se aquilo que antes era o padrão a seguir.</p>
<p>Durante décadas, o prestígio no vinho esteve frequentemente associado à maturidade da fruta, ao volume de boca e à riqueza aromática e gustativa. Nos anos 90 e início dos anos 2000, muitas das referências mais reconhecidas internacionalmente procuravam concentração, extração, álcool elevado, textura densa e forte presença de barrica. Ainda há poucos anos, a acidez não tinha o protagonismo que hoje lhe é atribuído. Numa conversa recente, um produtor contou-me que, quando lançou os seus primeiros vinhos no Alentejo, em 2013, foi apelidado de “água com ácido” por apresentar vinhos menos frutados e com acidez elevada.</p>
<p>Hoje, o paradigma alterou-se. As vindimas anteciparam-se; a amplitude térmica, a altitude e a influência marítima passaram a dominar o discurso do vinho. É aqui que a acidez, lida como frescura, subiu ao palco, proclamando autenticidade, precisão e qualidade. O vocabulário vínico ganhou descritores como “nervo”, “tensão”, “energia” e “verticalidade”. E esta mudança não é apenas enológica, mas também psicológica, amplificada por críticos e sommeliers, o que, por si só, não é um problema.</p>
<p>A acidez é, de facto, um componente estruturante do vinho, sobretudo nos brancos. Para além de conferir frescura e de facilitar a harmonização gastronómica, uma acidez mais elevada, associada a um pH mais baixo, contribui para uma boa evolução em garrafa. Quem participou em provas verticais de Loureiros ou Alvarinhos, ou provou brancos e tintos antigos de Colares, do Dão ou da Bairrada, percebe do que estou a falar.</p>
<p>Mas quando a busca pela frescura se torna uma obsessão e as uvas submaduras são colocadas no altar da acidez, surgem vinhos magros, acídulos, com notas verdes e uma tensão que lembra fios descarnados. Costumo dizer que a acidez é uma grande virtude do vinho, mas quando é a única, este torna-se monocórdico, demasiado vertical, frio e metálico – como um varão sem dançarina à volta; falta-lhe corpo, dimensão estética e complexidade emocional.</p>
<p>Por isso, e voltando à questão inicial, reforço que gosto da acidez, mas não quando fica sozinha em palco.</p>
<p>*<a href="https://grandesescolhas.com/editorial-o-culto-de-acidez/" target="_blank" rel="noopener"> Artigo publicado na Revista Grandes Escolhas.</a></p>
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		<item>
		<title>Para uma “Magnífica Humanidade”</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/para-uma-magnifica-humanidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 23:09:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[Religiosidade]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não vou abordar o conteúdo específico da Encíclica “Magnifica Humanitas”, do atual Papa, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na Era da Inteligência Artificial”, porque já muito foi escrito por peritos do digital e, também, porque não tenho competências bastantes para abordar o assunto em apreço. Também não conseguirei, por falta de espaço, abordar o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Não vou abordar o conteúdo específico da Encíclica “Magnifica Humanitas”, do atual Papa, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na Era da Inteligência Artificial”, porque já muito foi escrito por peritos do digital e, também, porque não tenho competências bastantes para abordar o assunto em apreço. Também não conseguirei, por falta de espaço, abordar o que me parece interessar a quem esteja relacionado com a economia social, em particular, aos que têm a responsabilidade de dirigir IPSS.</strong></p>
<p><strong>Por Eugénio Fonseca *</strong></p>
<p>Trata-se de um documento do magistério da Igreja católica, por isso alicerçado em fundamentos bíblicos e da tradição da mesma Igreja, mas ele foi escrito a pensar em «todos os homens e mulheres de boa vontade” (16 e 47). Porém, proponho-me evidenciar, apenas, alguns dos contributos que visem, como pede Leão XIV, fomentar o diálogo com todos os que estão interessados em defender e promover a dignidade humana. Ora, este é um dos valores que norteiam as ações relacionadas com a solidariedade e a justiça social, promovidas pelas IPSS em cooperação com o Estado e outras instâncias da sociedade. Mais que deixar a minha opinião, vou citar algumas das interpelantes e fundamentadas opiniões do Papa, cuja principal preocupação não é «renunciar à tecnologia, mas impedir que ela domine o ser humano» (111), chamando a nossa atenção para «alguns desafios que dizem respeito à nossa forma de viver este tempo» (90).</p>
<p>Por esta razão, antes de entrar nos domínios da inteligência artificial e reconhecendo, como já o tinha feito o Papa Francisco, que estamos «a viver uma rápida fase de transição, uma “mudança de época” (6), e a entrada na era digital, Leão XIV elenca os princípios do Pensamento Social católico. Todos são compatíveis com a identidade, missão e valores das IPSS, com particular realce para os relativos à dignidade indelével dos seres humanos e a construção do bem comum. Quanto ao primeiro, o Papa recomenda que na «era da inteligência artificial, em que a dignidade humana corre o risco de ser ofuscada por novas formas de desumanização, temos o dever urgente de permanecer profundamente humanos» (15); no que respeita ao bem comum diz que é a sua busca «que dá vida a um povo, compreendido não como mera soma de indivíduos, mas como realidade viva na qual as pessoas aprendem a reconhecer-se interligadas e corresponsáveis pela res publica.» (62). Para defender o respeito por cada pessoa nesta “era da inteligência artificial”, Leão XIV convida não só a “refletir sobre o bem comum”, mas, também, sobre o destino universal dos bens, a subsidiariedade, a solidariedade e a justiça social.» (46). Estes princípios não podem ser ignorados, realço, por quem se compromete na direção e gestão de instituições de solidariedade.</p>
<p>Uma das preocupações referidas pelo Papa diz respeito aos infoexcluídos. No combate a este problema, as IPSS podem ter um preponderante papel. Apesar do Papa se dirigir, especificamente, às “organizações sindicais”, julgo que faz sentido incluir neste desafio todos os setores da economia social que «são chamadas a abrir-se às novas formas de trabalho e aos novos trabalhadores, para os representar e defender num cenário em que, sem escolhas corajosas, se preveem mais pobreza e desigualdades, com uma multidão de excluídos rodeados por máquinas e sistemas automatizados que usurparam o seu lugar.» (155). Seria benéfico que as IPSS promovessem ações de “alfabetização digital”, para «permitir a todos, em particular aos mais fracos, uma vida verdadeiramente humana, sem que ninguém fique para trás.» (77).</p>
<p>Recomendo a leitura desta encíclica. Garanto que ela ajuda a rasgar novos horizontes.</p>
<p>* <a href="https://solidariedade.pt/site/detalhe/15315" target="_blank" rel="noopener">Artigo publicado originalmente no site Solidariedade.pt.</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Governação e representação nas instituições de ensino superior</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/governacao-e-representacao-nas-instituicoes-de-ensino-superior/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 23:07:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Aveiro]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino Superior]]></category>
		<category><![CDATA[Universidade de Aveiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) marca um momento importante para o futuro das IES portuguesas. A forma como as universidades se organizam e governam diz muito sobre o que são hoje e o que pretendem ser nas próximas décadas. Por Artur Silva * Entre as alterações agora introduzidas está [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) marca um momento importante para o futuro das IES portuguesas. A forma como as universidades se organizam e governam diz muito sobre o que são hoje e o que pretendem ser nas próximas décadas.</strong></p>
<p><strong>Por Artur Silva *</strong></p>
<p>Entre as alterações agora introduzidas está o novo modelo de eleição do reitor, que passará a realizar-se por voto direto da comunidade académica. Tomei posse na semana passada como reitor ainda ao abrigo do modelo anterior, assente na eleição pelo Conselho Geral. Provavelmente, serei um dos últimos reitores eleitos nesse enquadramento.</p>
<p>O novo modelo estabelece uma ponderação diferenciada entre docentes e investigadores (40% a 45%), estudantes (20% a 25%), antigos alunos (15% a 20%) e pessoal técnico, especialista e de gestão (10% a 15%). É uma alteração relevante e legítima. A participação, o debate e a pluralidade de perspetivas fazem parte da natureza das universidades e são elementos essenciais da sua vitalidade.</p>
<p>O contexto atual das universidades justifica, contudo, uma reflexão sobre o grau de representação atribuído aos diferentes intervenientes da vida universitária.</p>
<p>As IES transformaram-se significativamente nas últimas décadas. Estão mais complexas, reguladas e dependentes de equipas técnicas qualificadas em áreas especializadas &#8211; administrativa, tecnológica, financeira, regulatória e de gestão.</p>
<p>O papel dos técnicos, especialistas e de gestão (TAG) mudou profundamente. Na Universidade de Aveiro, como em outras IES, há muito que deixaram de ocupar um lugar periférico na vida universitária. Participam em processos de decisão, acompanham áreas críticas da gestão e asseguram o funcionamento das instituições. Conhecem profundamente os seus processos e a sua cultura organizacional.</p>
<p>São também, muitas vezes, quem permanece e conhece as instituições para além dos diferentes ciclos de governação e das mudanças conjunturais; quem assegura continuidade, estabilidade e memória organizacional num sistema em permanente transformação.</p>
<p>Esta evolução não tem tido tradução equivalente nos modelos de representação institucional, continuando os TAG a corresponder a um dos grupos com menor representatividade, à semelhança do que já acontece nos conselhos gerais atuais.</p>
<p>As IES continuarão sempre a afirmar-se como comunidades onde docentes, investigadores, estudantes e antigos alunos ocupam um papel absolutamente central. Importa, no entanto, reconhecer esse mesmo princípio na representação atribuída aos TAG, atendendo à relevância que hoje assumem na dinâmica destas instituições.</p>
<p><strong>* Reitor da Universidade de Aveiro. Artigo publicado no JN e <a href="https://www.ua.pt/pt/noticias/13/98027" target="_blank" rel="noopener">no site UA.pt.</a></strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O sucesso de um evento mede-se também pelo que deixa para trás</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/o-sucesso-de-um-evento-mede-se-tambem-pelo-que-deixa-para-tras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 23:09:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Portugal, a reciclagem tornou-se uma espécie de palavra de ordem no discurso público sobre sustentabilidade. No entanto, na prática, a separação de resíduos ainda não está plenamente enraizada nas práticas de diversos eventos culturais e recreativos. Está presente nas campanhas, nos ecopontos e nos discursos institucionais, porém, quando se observa o que acontece em [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt/o-sucesso-de-um-evento-mede-se-tambem-pelo-que-deixa-para-tras/">O sucesso de um evento mede-se também pelo que deixa para trás</a> aparece primeiro em <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt">NotíciasdeAveiro.pt</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Em Portugal, a reciclagem tornou-se uma espécie de palavra de ordem no discurso público sobre sustentabilidade. No entanto, na prática, a separação de resíduos ainda não está plenamente enraizada nas práticas de diversos eventos culturais e recreativos. Está presente nas campanhas, nos ecopontos e nos discursos institucionais, porém, quando se observa o que acontece em festivais ou grandes celebrações, percebe-se uma cultura ambiental ainda em construção, que nem sempre preocupa a organização das iniciativas.</strong></p>
<p><strong>Por Tiago Pires *</strong></p>
<p>Nos últimos anos, é justo reconhecer que alguns eventos têm evoluído neste sentido, através da criação de equipas dedicadas à gestão de resíduos, com a redução do plástico descartável e a aposta em sistemas de copos reutilizáveis. Além disso, várias iniciativas procuram também sensibilizar o público para a separação correta dos materiais e para a diminuição do desperdício. A presença de entidades responsáveis pela gestão de resíduos em espaços de lazer demonstra que a sustentabilidade começa finalmente a ser pensada e planeada. Ainda que estas medidas não eliminem totalmente os efeitos negativos, revelam um esforço para associar a responsabilidade ambiental à experiência.</p>
<p>No entanto, quando se fala em eventos, a sustentabilidade deve começar logo no momento da sua organização. De igual modo, parece-me relevante optar por estruturas construídas com materiais reaproveitados, como, por exemplo, paletes e tecidos com nova utilização. Estas opções reduzem a dependência de recursos novos e comprovam que é possível conciliar criatividade com práticas mais sustentáveis. De facto, esta abordagem valoriza a reutilização como princípio organizador.</p>
<p>Apesar destes exemplos, o panorama nacional revela que muitos eventos continuam dependentes de soluções descartáveis, seja por limitações orçamentais, seja por falta de planeamento. Consequentemente, a reciclagem acaba por assumir um papel secundário, quando deveria ser um comportamento natural.</p>
<p>Acresce que, em 2025, de acordo com a Sociedade Ponto Verde, Portugal voltou a não cumprir as metas europeias relativas à reciclagem de embalagens, apesar do aumento do volume recolhido e do investimento no sistema. Persistem dificuldades, principalmente, no tratamento do vidro e de determinados tipos de embalagens. O problema não se limita às infraestruturas disponíveis; está nos hábitos de separação e na eficiência global do sistema. Por isso, os eventos podem funcionar como locais que incentivam a uma mudança de comportamento e como espaços de aprendizagem.</p>
<p>Neste sentido, considero que a transformação requer compromisso das entidades promotoras e envolvimento do público. A educação ambiental deve acompanhar toda a experiência do evento. Quando a organização inclui desde o início soluções de reutilização e planeamento responsável, o impacto ambiental diminui de forma significativa e a mensagem obtém credibilidade.</p>
<p>Não obstante, reconheço que o estado atual da cultura de reciclagem em Portugal tem progredido, embora de forma desigual. Existem projetos que evidenciam maturidade e visão de futuro, especialmente quando a estrutura do evento adota materiais reciclados e modelos circulares. Contudo, a normalização destas práticas permanece um desafio.</p>
<p>Por conseguinte, quando cada espaço for pensado com base na reutilização, a reciclagem deixará de ser um esforço adicional. Nesse dia, os eventos em Portugal deixarão de promover a sustentabilidade nos seus discursos e passarão a incorporar a ideia com naturalidade, como parte integrante da própria celebração.</p>
<p><strong>* Organizador do Softboard Heroes e ex-surfista profissional. </strong><a href="https://www.ambientemagazine.com/opiniao-o-sucesso-de-um-evento-mede-se-tambem-pelo-que-deixa-para-tras/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Artigo publicado no site AmbienteMagazine.</strong></a></p>
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		<title>Sinais de Bolha no Mercado Imobiliário Português</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/sinais-de-bolha-no-mercado-imobiliario-portugues/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 23:09:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Imobiliário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando a procura é impulsionada sobretudo pela expectativa de valorização futura dos ativos, cria-se um mecanismo de retroalimentação que pode afastar os preços dos seus fundamentos económicos. Por Marco Dias * 1. Introdução Uma bolha imobiliária caracteriza-se pela persistência de preços significativamente superiores aos fundamentos económicos que os deveriam sustentar. Em geral, verifica-se quando a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quando a procura é impulsionada sobretudo pela expectativa de valorização futura dos ativos, cria-se um mecanismo de retroalimentação que pode afastar os preços dos seus fundamentos económicos.</strong></p>
<p><strong>Por Marco Dias *</strong></p>
<p>1. Introdução</p>
<p>Uma bolha imobiliária caracteriza-se pela persistência de preços significativamente superiores aos fundamentos económicos que os deveriam sustentar. Em geral, verifica-se quando a valorização dos imóveis deixa de ser explicada pelo crescimento dos rendimentos das famílias, pela evolução demográfica ou pela produtividade da economia, passando a depender sobretudo da expectativa de que os preços continuarão a subir.</p>
<p>O mercado português apresenta atualmente várias das características frequentemente associadas a contextos de bolha imobiliária identificados na literatura internacional.</p>
<p>2. Crescimento dos preços muito acima dos rendimentos</p>
<p>O primeiro sinal de alerta encontra-se na divergência entre os preços da habitação e os rendimentos das famílias.</p>
<p>Enquanto os salários reais cresceram de forma relativamente moderada ao longo da última década, os preços das habitações registaram aumentos acumulados superiores a 100%. Consequentemente, o esforço necessário para adquirir uma habitação aumentou substancialmente.</p>
<p>Quando o valor dos ativos cresce persistentemente mais rápido do que a capacidade financeira dos compradores, o mercado tende a tornar-se dependente de financiamento mais agressivo, investidores externos ou expectativas especulativas.</p>
<p>Este fenómeno foi observado em episódios históricos de bolhas imobiliárias nos Estados Unidos (2008), Espanha (2008) e Irlanda (2008).</p>
<p>3. Desconexão entre preços e fundamentos económicos</p>
<p>A economia portuguesa registou crescimento económico moderado na última década. Contudo, os preços da habitação cresceram a um ritmo muito superior ao crescimento do PIB per capita.</p>
<p>Esta divergência sugere que parte da valorização observada não resulta apenas da melhoria das condições económicas nacionais, mas também de fatores financeiros e especulativos.</p>
<p>Num mercado sustentável, a valorização imobiliária tende a acompanhar a evolução dos rendimentos e da riqueza produzida pela economia. Quando os preços se afastam desses fundamentos, aumenta o risco de correções futuras.</p>
<p>4. Dependência crescente da procura de investimento</p>
<p>Outro indicador frequentemente associado à formação de bolhas é o aumento da participação de compradores motivados por investimento em detrimento da procura para habitação própria.</p>
<p>Nos últimos anos, Portugal tornou-se um destino privilegiado para:<br />
• Investimento estrangeiro;<br />
• Compradores de segunda residência;<br />
• Investidores institucionais;<br />
• Alojamento local;<br />
• Estratégias de valorização patrimonial.</p>
<p>Quando a procura é impulsionada sobretudo pela expectativa de valorização futura dos ativos, cria-se um mecanismo de retroalimentação que pode afastar os preços dos seus fundamentos económicos.</p>
<p>5. A acessibilidade habitacional em níveis críticos</p>
<p>A OCDE tem identificado Portugal como um dos países onde a acessibilidade à habitação se deteriorou mais rapidamente.</p>
<p>Em diversas regiões urbanas, particularmente Lisboa, Porto e Algarve, a aquisição de habitação tornou-se inacessível para uma parte significativa da população ativa.</p>
<p>Esta situação constitui um indicador clássico de sobreaquecimento do mercado: os residentes locais deixam progressivamente de conseguir suportar os preços praticados, obrigando o mercado a depender de compradores com maior poder de compra externo.</p>
<p>5. O argumento da escassez de oferta não explica tudo</p>
<p>É frequente atribuir a subida dos preços exclusivamente à escassez de habitação. Embora este fator seja relevante, a literatura económica demonstra que a falta de oferta, por si só, não explica aumentos tão expressivos durante períodos prolongados.</p>
<p>A experiência internacional mostra que mercados imobiliários podem permanecer sobrevalorizados durante vários anos mesmo quando existe uma restrição real da oferta.</p>
<p>Assim, a escassez habitacional não elimina a possibilidade de existência de uma bolha; pode apenas contribuir para prolongar a sua duração.</p>
<p>6. Riscos para a economia portuguesa</p>
<p>Caso os preços continuem a afastar-se dos fundamentos económicos, existem vários riscos:<br />
• Redução da mobilidade laboral;<br />
• Aumento da desigualdade patrimonial;<br />
• Endividamento excessivo das famílias;<br />
• Menor competitividade económica das áreas urbanas;<br />
• Possíveis correções abruptas de preços.</p>
<p>Embora uma queda acentuada semelhante à observada em Espanha após 2008 não seja inevitável, a persistência dos atuais desequilíbrios aumenta a vulnerabilidade do mercado.</p>
<p>Conclusão</p>
<p>A evidência disponível sugere que o mercado imobiliário português apresenta diversos sinais normalmente associados a contextos de bolha imobiliária: crescimento dos preços muito superior ao dos rendimentos, deterioração da acessibilidade habitacional, forte presença de procura de investimento e afastamento dos fundamentos económicos.</p>
<p>Embora seja impossível determinar com precisão quando uma bolha existe ou quando poderá rebentar, os indicadores analisados apontam para uma situação de sobrevalorização significativa que justifica uma atenção acrescida por parte de decisores políticos, reguladores e investidores.</p>
<p>A principal questão já não parece ser se os preços estão elevados, mas sim durante quanto tempo o mercado conseguirá sustentar níveis de valorização tão distantes da realidade económica da maioria das famílias portuguesas.</p>
<p>* <a href="https://blogeconomistas.pt/sinais-de-bolha-no-mercado-imobiliario-portugues-uma-analise-dos-desequilibrios-entre-precos-rendimentos-e-oferta-habitacional/?doing_wp_cron=1781774268.4512660503387451171875" target="_blank" rel="noopener">Artigo publicado originalmente no site da Ordem dos Economistas.</a></p>
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		<title>Prestação (ou Pensão) Única</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/prestacao-ou-pensao-unica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 23:09:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Apoio social]]></category>
		<category><![CDATA[Governo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Está na ordem do dia a unificação de vários apoios sociais de natureza pecuniária não-contributiva numa única prestação, a que vem sendo chamada Prestação Social Única. O Governo enviou a sua proposta para o Parlamento, com pedido de decisão urgente por parte dos deputados, para cumprir o prazo estipulado no PRR. Por Henrique Rodrigues * [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Está na ordem do dia a unificação de vários apoios sociais de natureza pecuniária não-contributiva numa única prestação, a que vem sendo chamada Prestação Social Única. O Governo enviou a sua proposta para o Parlamento, com pedido de decisão urgente por parte dos deputados, para cumprir o prazo estipulado no PRR.</strong></p>
<p><strong>Por Henrique Rodrigues *</strong></p>
<p>Com efeito, trata-se de uma medida que foi acordada com a União Europeia, no âmbito do PRR – Recuperar Portugal, em que a UE propunha a simplificação do sistema de apoios sociais de natureza não-contributiva – isto é, que não são dependentes do pagamento da TSU -, e que abrange 27 prestações sociais.</p>
<p>O maior volume, quer de despesa, quer do número de beneficiários, decorrente desse largo espectro de apoios corresponde a três subsídios: o RSI, o subsídio social de desemprego e a pensão social de velhice representam, segundo o Expresso, 97% do número de beneficiários e do valor da soma de todos os apoios.</p>
<p>Repete-se: trata-se de subsídio de natureza não-contributiva, isto é, a sua concessão não depende do pagamento de contribuições sobre os salários, vulgo TSU, constituindo encargo do Orçamento do Estado.</p>
<p>O Expresso desta semana oscila entre designar a medida como Prestação Social Única ou como Pensão Social Única – o que não é coisa de somenos, como veremos.</p>
<p>Afigura-se que a designação aparentemente proposta, “Prestação Social Única”, é adequada às características da medida:</p>
<p>&#8211; é uma prestação pecuniária;</p>
<p>&#8211; constitui uma medida social, com o objectivo de assegurar a cada qual um mínimo de condições de subsistência e, nessa medida, constitui um instrumento de combate à pobreza;</p>
<p>&#8211; e é única, na perspectiva de que a mesma resulta da unificação e é o somatório de 13 medidas avulsas de apoio aos mais vulneráveis.</p>
<p>(Distingue-se do chamado Rendimento Básico Universal, entre nós proposto pelo Livre, por este ser universal, isto é, por ser devido a todos os cidadãos, independentemente da sua condição de recursos.)</p>
<p>2 &#8211; Trata-se de uma medida que foi inscrita ainda durante o Governo de António Costa no Plano de Recuperação e Resiliência, que o actual Governo herdou e que pretende cumprir.</p>
<p>Talvez por partilhar o elenco das medidas propostas para o Programa de dois Governos de composição oposta – do PS e da AD -, quer um, quer outro dos dois principais partidos de poder no nosso país se reconhecem na bondade teórica da proposta do Governo: este, naturalmente, por ser o autor da proposta; e aquele, por ser o autor da ideia.</p>
<p>Aliás, o PS, nas declarações que foi fazendo sobre a proposta do Governo, não deixou de salientar a sua concordância com o modelo da PSU, deixando a sua discordância circunscrita à circunstância de o Governo se preparar para remeter para uma portaria a definição dos valores e das condições de atribuição da prestação – assim retirando do escrutínio do Parlamento a possibilidade de avaliar a justeza da aplicação concreta da PSU.</p>
<p>Entende o PS que se corre o risco de o Governo aproveitar o poder regulamentar que para si reserva – através de portaria – para descaracterizar o sentido da medida, pensada para maior eficácia no combate à pobreza e que serviria de meio para, através da referida regulamentação, o Governo acabar por pagar menos por uma só medida nova do que tem pagado pelo conjunto das 13 medidas actuais.</p>
<p>Seria uma cedência do Governo ao Chega, adversário de subsídios a quem não tem trabalho, em desfavor do entendimento parlamentar entre a AD e o PS, que, sobre o fundo da questão, aparentam pensar o mesmo.</p>
<p>(No sentido da convergência substancial dos vários lados do espectro político sobre as virtualidades da ideia da integração das 13 medidas, pode ler-se no “Público” do sábado, 6 de Junho, uma entrevista com a Bastonária da Ordem dos Assistentes Sociais, a Professora Fernanda Rodrigues – uma autoridade nas políticas de luta contra a pobreza -, onde a mesma refere, a dado passo, sobre a PSU, que, “provavelmente a junção de um conjunto de coisas para torná-las mais simples, mais claras, é uma boa medida”.</p>
<p>A Senhora Bastonária apenas mantém reservas quanto à hipótese de os apoios da PSU terem como contrapartida a prestação de trabalho não remunerado – matéria em que se antevê que possa ocorrer, ou a fractura com o Chega, e o aval do PS; ou o sim ao Chega, e o rompimento do bloco central.)</p>
<p>3 – Saúda-se a eliminação da qualificação como “pensão” de vários dos subsídios a integrar a nova prestação.</p>
<p>Na verdade, no entendimento geral, a palavra “pensão” corresponde à pensão estatutária: pensão de velhice e de invalidez, do Regime Geral da Segurança Social; pensão de aposentação, da Caixa Geral de Aposentações, no caso dos funcionários públicos.</p>
<p>Todas estas radicam no chamado “regime contributivo”, quer dizer, as pensões pagas não o são por qualquer mercê do Governo de turno, antes correspondem a uma obrigação que o Governo assume, por receber as contribuições sobre os salários, pagas por patrões e trabalhadores ao longo de toda a carreira profissional destes.</p>
<p>Trata-se de um direito, proveniente de um contrato de subscrição obrigatória, de formação continuada, que se vence ao chegar o trabalhador à idade da reforma, segundo a lei em vigor nessa ocasião.</p>
<p>O trabalhado cumpre, descontando durante a vida activa; o Estado cumpre, pagando a pensão, desde o momento da cessação da prestação laboral.</p>
<p>Essas pensões não estão dependentes do Orçamento.</p>
<p>(O Tribunal Constitucional explicou isso muito bem, no tempo da troika e de Passos Coelho, a propósito da ofensiva contra as pensões estatutárias e da violação do princípio da confiança.)</p>
<p>Já o mesmo não sucede com a nova prestação social única, de regime não-contributivo, que é de consistência orçamental, isto é, as suas condições e âmbito dependem de prévia estipulação orçamental, podendo ser modificadas pelo Parlamento ou pelo Executivo.</p>
<p>Não configuram um direito sinalagmático.</p>
<p>São como a tença que D. Sebastião concedeu a Luís de Camões, “tão pobre que comia de amigos” &#8211; não um direito, mas uma mercê.</p>
<p>Esta distinção entre regime contributivo e regime não-contributivo, e a maior densidade de protecção jurídica daquele, recomenda que o montante mínimo das prestações de reforma ou de aposentação seja superior ao montante mínimo da PSU.</p>
<p>Só assim é possível &#8211; e justo – convencer os trabalhadores de hoje a pagarem as suas contribuições para o sistema de protecção social, por forma a garantir as prestações de reforma e de aposentação dos reformados de hoje.</p>
<p>Sabendo que, quando chegar a sua vez de terminar a carreira profissional, os trabalhadores de então replicarão, na sua vez, o mesmo compromisso para com os novos reformados.</p>
<p>É a chamada “solidariedade intergeracional”.</p>
<p><strong>* Presidente do Centro Social de Ermesinde. <a href="https://solidariedade.pt/site/detalhe/15318" target="_blank" rel="noopener">Artigo publicado no site Solidariedade.pt.</a></strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Viagem do Estudante agora fala português e simplifica fronteiras</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/a-viagem-do-estudante-agora-fala-portugues-e-simplifica-fronteiras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 23:06:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Aveiro]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino Superior]]></category>
		<category><![CDATA[Universidade de Aveiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No passado dia 30 de abril de 2026, assinalou-se o encerramento do projeto europeu ESC-Tension 2, uma iniciativa que contou com o Intituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA) como o parceiro exclusivo em Portugal. Este projeto teve como missão central acelerar a adoção do Cartão Europeu de Estudante (ESC) no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>No passado dia 30 de abril de 2026, assinalou-se o encerramento do projeto europeu ESC-Tension 2, uma iniciativa que contou com o Intituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA) como o parceiro exclusivo em Portugal. Este projeto teve como missão central acelerar a adoção do Cartão Europeu de Estudante (ESC) no Espaço Europeu de Educação, promovendo uma mobilidade académica mais simples, digital e sem burocracias.</strong></p>
<p><strong>Por Margarida M. Pinheiro e Graça Azevedo *</strong></p>
<p>O Cartão Europeu de Estudante não é um novo cartão físico que o aluno tenha de solicitar; na verdade, qualquer cartão de campus, físico ou digital, pode tornar-se um Cartão Europeu de Estudante. A iniciativa visa transformar o dia a dia de milhões de jovens, permitindo que, ao chegarem a uma universidade estrangeira, sejam imediatamente reconhecidos como estudantes e acederem a serviços como cantinas, bibliotecas e alojamento, com a mesma facilidade com que o fazem na sua instituição de origem.</p>
<p>O trabalho desenvolvido por um consórcio internacional, no qual o ISCA-UA desempenhou um papel fundamental, resultou na criação de ferramentas práticas (as chamadas Toolboxes) desenhadas para três públicos-alvo distintos:</p>
<p>Instituições de Ensino Superior: Foi disponibilizada uma Ferramenta de Diagnóstico (Profiling Tool) que permite às universidades avaliar o seu estado de preparação e monitorizar a adaptação dos seus serviços aos padrões europeus. Além disso, a Card Toolbox guia as instituições no processo técnico de registo e emissão de cartões.</p>
<p>Prestadores de Serviços: Através da Services Toolbox, entidades que oferecem serviços a estudantes (como transportes ou centros culturais) podem agora identificar facilmente alunos em mobilidade e harmonizar os seus processos tecnológicos para os acolher de forma mais eficiente.</p>
<p>Estudantes: Esta é, talvez, a face mais visível do projeto. A Student Toolbox foi concebida para aumentar a consciência dos alunos sobre os seus benefícios, recorrendo a casos reais e práticos.</p>
<p>Um dos destaques deste trabalho é o mapeamento da &#8220;Viagem do Estudante&#8221; (Student Journey), um relatório que identifica todos os passos e desafios que um aluno enfrenta, desde a matrícula e o alojamento até à graduação, e como o cartão digital pode mitigar barreiras como a barreira linguística ou a excessiva burocracia.</p>
<p>Para garantir a disseminação destes resultados na comunidade académica, o ISCA-UA organizou recentemente o workshop UA-MOVE &#8220;Ferramentas para Estudantes do Futuro”. Este evento serviu para reforçar o compromisso da Universidade de Aveiro com a inovação pedagógica e a internacionalização, destacando como a digitalização do percurso académico pode preparar os alunos para uma experiência europeia mais integrada e eficiente.</p>
<p>O projeto produziu uma vasta gama de materiais de apoio, incluindo 15 ferramentas operacionais, 10 infografias e 10 vídeos explicativos, todos disponíveis em várias línguas, entre elas o português. Estes recursos estão centralizados no portal do projeto e num canal dedicado no YouTube, permitindo que qualquer estudante ou instituição aprenda a tirar o máximo partido desta identidade digital europeia.</p>
<p>Com o encerramento do ESC-Tension 2, o legado para a comunidade académica de Aveiro e para o país é claro: uma infraestrutura mais moderna e conectada. O compromisso do ISCA-UA reforça a posição de Portugal na vanguarda da digitalização do ensino, garantindo que o talento nacional circule na Europa com menos papel e mais oportunidades.</p>
<p>Para saber mais e explorar os recursos disponíveis, visite o site oficial em <a href="http://A Viagem do Estudante agora fala português e simplifica fronteiras" target="_blank" rel="noopener">www.esc-tension.eu</a> .</p>
<p><strong>* Docentes do ISCA-UA. </strong><a href="https://www.ua.pt/pt/noticias/13/97972" target="_blank" rel="noopener"><strong>Artigo publicado no site UA.pt.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt/a-viagem-do-estudante-agora-fala-portugues-e-simplifica-fronteiras/">A Viagem do Estudante agora fala português e simplifica fronteiras</a> aparece primeiro em <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt">NotíciasdeAveiro.pt</a>.</p>
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			</item>
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		<title>Turismo 2.0: Alargar o Turismo a Todo o Território Nacional Inspirado no Modelo Italiano</title>
		<link>https://www.noticiasdeaveiro.pt/turismo-2-0-alargar-o-turismo-a-todo-o-territorio-nacional-inspirado-no-modelo-italiano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Júlio Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 23:07:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Governo]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Portugal tem hoje a oportunidade de construir um turismo verdadeiramente nacional onde o visitante conhece não apenas as cidades mais conhecidas, mas a diversidade do país no seu todo, do litoral ao interior, das grandes cidades às pequenas comunidades, do continente às ilhas. Por Rui Terroso * Portugal é hoje um destino turístico reconhecido internacionalmente, [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt/turismo-2-0-alargar-o-turismo-a-todo-o-territorio-nacional-inspirado-no-modelo-italiano/">Turismo 2.0: Alargar o Turismo a Todo o Território Nacional Inspirado no Modelo Italiano</a> aparece primeiro em <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt">NotíciasdeAveiro.pt</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Portugal tem hoje a oportunidade de construir um turismo verdadeiramente nacional onde o visitante conhece não apenas as cidades mais conhecidas, mas a diversidade do país no seu todo, do litoral ao interior, das grandes cidades às pequenas comunidades, do continente às ilhas.</strong></p>
<p><strong>Por Rui Terroso *</strong></p>
<p>Portugal é hoje um destino turístico reconhecido internacionalmente, mas importa enquadrar este sucesso com realismo: o turismo com verdadeiro significado económico e escala internacional é recente. O país vive, na prática, pouco mais de uma década de crescimento turístico consistente, o que faz de Portugal um destino ainda jovem, com enorme margem de crescimento e evolução.</p>
<p>Os fluxos turísticos concentram-se, naturalmente, em destinos consolidados como Lisboa, Porto, Algarve e Madeira, que cumprem um papel essencial como portas de entrada do país. O desafio que hoje se coloca não passa por desvalorizar ou conter estes destinos, mas antes por expandir o turismo para o restante território nacional – continental e ilhas -, onde muitas regiões ainda registam uma fraca dinâmica turística e poderiam beneficiar de forma significativa do seu impacto económico e social.</p>
<p>É neste contexto que surge o Turismo 2.0: uma nova fase de maturidade, focada na distribuição, inclusão territorial e criação de redes turísticas nacionais, que já se começa a verificar, estamos a dar os primeiros passos desta nova tendência de expansão para todo o território nacional.</p>
<p><strong>Alargar, não substituir: o papel dos destinos âncora</strong></p>
<p>Lisboa, Porto, Algarve e Madeira continuarão a ser motores fundamentais do turismo português. O modelo 2.0 não passa por deslocar turistas destes destinos, mas por criar extensões naturais da experiência turística, incentivando estadias mais longas, itinerários regionais e visitas a novos locais.</p>
<p>Na prática, trata-se de transformar os grandes destinos em hubs de distribuição, a partir dos quais os turistas descubram o interior, as vilas históricas, as regiões rurais e as áreas menos conhecidas do país.</p>
<p>O exemplo italiano: turismo distribuído por todo o território<br />
A Itália é um dos melhores exemplos europeus de turismo territorialmente equilibrado. Para além dos grandes ícones urbanos, o país conseguiu desenvolver um modelo onde praticamente todas as regiões, cidades e vilas recebem turistas de forma regular, criando economias locais ativas e sustentáveis.</p>
<p>Este sucesso assenta em várias estratégias replicáveis:</p>
<p>• Valorização das pequenas localidades através de programas como I Borghi più belli d’Italia, que identificam e promovem aldeias com valor histórico, cultural e paisagístico;</p>
<p>• Selos de qualidade turística territorial, como a Bandiera Arancione, que garantem padrões de hospitalidade, sustentabilidade e oferta cultural em pequenas vilas:</p>
<p>• Modelos inovadores de alojamento, como o Albergo Diffuso, que integra os visitantes no tecido urbano e social das comunidades;</p>
<p>• Turismo experiencial e lento, com foco na gastronomia local, tradições, natureza e vivência comunitária.</p>
<p><strong>O que Portugal pode fazer no modelo de Turismo 2.0</strong></p>
<p>Portugal reúne condições excecionais para aplicar este modelo, sobretudo por ainda estar numa fase inicial do seu desenvolvimento turístico. Algumas ações concretas incluem:</p>
<p>1. Incluir novos territórios na oferta turística nacional<br />
• Criar roteiros nacionais e regionais que liguem os grandes destinos a regiões menos visitadas;</p>
<p>• Desenvolver sistemas de certificação e distinção turística para vilas e micro-regiões que invistam em qualidade e identidade.</p>
<p>2. Facilitar a circulação dos turistas pelo país;<br />
• Melhorar a articulação entre transportes, excursões e experiências regionais;</p>
<p>• Incentivar viagens de vários dias e road trips, promovendo o aluguer de viaturas e circuitos interregionais;</p>
<p>• Apostar em produtos turísticos desenhados para dispersão geográfica, não apenas visitas pontuais.</p>
<p>3. Criar experiências locais com identidade<br />
• Gastronomia regional, enoturismo, artesanato, turismo agrícola e cultural;</p>
<p>• Eventos e festivais que valorizem a identidade local e atraiam visitantes ao longo do ano:</p>
<p>• Envolvimento direto das comunidades no desenho da experiência turística.</p>
<p>4. Desenvolver alojamento integrado nas comunidades<br />
• Adaptar o conceito de Albergo Diffuso (modelo de alojamento de origem italiana, em que as unidades se distribuem por várias casas de uma aldeia, funcionando como um hotel único e promovendo a revitalização do território) a aldeias e vilas portuguesas;</p>
<p>• Incentivar projetos que recuperem património edificado e criem impacto económico direto local.</p>
<p><strong>A experiência no terreno: quando os destinos pedem turismo</strong></p>
<p>Na prática, esta necessidade é já sentida no terreno. Empresas como a Living Tours são frequentemente contactadas por autarquias e destinos com pouco ou nenhum turismo, que procuram apoio para atrair visitantes e integrar-se nos fluxos turísticos nacionais e internacionais.</p>
<p>Estes pedidos revelam uma realidade clara: há território, há oferta, há vontade – falta estrutura, ligação aos mercados e modelos eficazes de distribuição. O Turismo 2.0 responde precisamente a esta lacuna, criando pontes entre destinos consolidados e regiões que precisam do turismo para gerar desenvolvimento económico, emprego e fixação de população.</p>
<p><strong>Um turismo que chega a todo o país</strong></p>
<p>Inspirar-se no modelo italiano não significa copiar soluções, mas adaptar princípios: distribuição, identidade, qualidade e ligação entre territórios.</p>
<p>Portugal tem hoje a oportunidade de construir um turismo verdadeiramente nacional onde o visitante conhece não apenas as cidades mais conhecidas, mas a diversidade do país no seu todo, do litoral ao interior, das grandes cidades às pequenas comunidades, do continente às ilhas.</p>
<p>O Turismo 2.0 é isso mesmo: um turismo que cresce incluindo, ligando e valorizando todo o território português.</p>
<p><strong>* CEO e fundador da Living Tours. <a href="https://publituris.pt/opiniao/turismo-2-0-alargar-o-turismo-a-todo-o-territorio-nacional-inspirado-no-modelo-italiano" target="_blank" rel="noopener">Artigo publicado no site Publituris.pt.</a></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt/turismo-2-0-alargar-o-turismo-a-todo-o-territorio-nacional-inspirado-no-modelo-italiano/">Turismo 2.0: Alargar o Turismo a Todo o Território Nacional Inspirado no Modelo Italiano</a> aparece primeiro em <a href="https://www.noticiasdeaveiro.pt">NotíciasdeAveiro.pt</a>.</p>
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