Aveiro: Novo concurso aumenta receios da oposição socialista com “buraco” no Rossio

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Projeto de requalificação do Rossio - ideia base.
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O PS manteve o voto contra o concurso público para a requalificação do jardim do Rossio aprovada pela maioria na reunião do executivo camarário, esta segunda-feira, por voltar a incluir o estacionamento em cave, considerado desnecessário, na segunda tentativa da Câmara para encontrar interessados na empreitada que tem a concessão associada.

Na discussão da proposta que prevê um orçamento base de 11,7 milhões de euros, o vereador Manuel Oliveira de Sousa começou por estranhar a demora em ser dado conhecimento público dos desenvolvimentos mais recentes: “Tudo o que vemos neste processo é tão transparente e cândido que o desenlace podia ter sido comunicado em momentos anteriores”, ironizou, assumindo que os socialistas não ficaram “totalmente tranquilos, inclusivamente com a anulação”.

“Não de ilegalidade, nota-se que o presidente aparece ausente, o júri trabalhou e decidiu com autonomia. Temos dificuldade em entender porque decorreu tanto tempo e não informou antes que o concurso tinha sido anulado e trabalhava num novo concurso”, insistiu.

O eleito do PS deixou ainda “alertas” que levaram a tirar “conclusões contrárias ao presidente” da Câmara. “O primeiro é que há uma derrapagem e se vier um novo concurso poderá haverá mais. Se não há derrapagem, porque há aumentou de preço ? Vemos aqui mais trabalho de projetista, afinal estava bem feito ou não ? O que mudou para acabar desta forma ? À medida que vamos estudando, ainda vai agravar mais o preço ?, questionou.

Manuel Oliveira de Sousa renovou as críticas à “opção política” da Câmara de avançar com a cave “contra a maior parte dos aveirenses” e “sem ajudar ao desenvolvimento, antes pelo contrário”, uma vez que não atenderá as necessidades locais.

“Não vemos tantos milhões no que falamos desde 2017, e que se vem arrastando, como a requalificação das zonas industriais, que agora poderia ser o fator de atratividade que fala”, exemplificou o vereador, lamentando o “desvio de oportunidades políticas para executar os fundos todos e ficar com muito dinheiro, mas que não ajuda as pessoas no seu desenvolvimento e compromete o futuro dos aveirenses”.

Ribau Esteves continua a garantir que, “pelo que vai ouvindo, na relação direta” com os aveirenses, a “representatividade” das opiniões favoráveis à cave de estacionamento “é muito superior” a quem contesta.

Discurso direto

“A pandemia diz-nos o contrário do que se faz: é preciso alertar para a saúde pública, a concentração de pessoas e a sustentabilidade das cidades e não introduzir estes factores.
Não somos a favor ao parque subterrâneo, muito menos agora. O subterrâneo não é necessário para nada na requalificação, esses trabalhos até deviam já estar feitos. São elementos que parecem colocados à martelada para convencer a ter a cave.
Sobre o financiamento, o que vemos é fazer como uma visão de pirata: há dinheiro fazemos, não há não fazemos, não resolvemos de outra forma, aguardamos outro quadro comunitário.
Nós precisamos de uma visão para o município e da obra em consonância, ir buscar financiamento e não ao sabor das comparticipações que vão aparecendo.
Teima em encontrar financiamento para a cave, custe o que custar. Alertamos para não cavar ali o buraco que arrasta dificuldades em ter uma cidade sustentável.
Parece mais colar aqui propaganda com outros projetos, não seria necessário, estão a desenvolver-se. Não é nada de novo” – Manuel Oliveira de Sousa (vereador do PS).

“Como é possível passado um ano do projeto estrutural, concluir que a cave deve passar a ter uma parede de 9 metros para 14 ? O que aconteceu para o projetista a fazer a revisão ? O concurso aumenta 19, 6%.
O potencial concorrente tem no estudo económico uma almofada de segurança. Um euro à hora em 2024, há um disparo da receita, a margem do negócio vai subir.
Com 11,7 milhões de euros na construção, se mantiver 2,5 milhões de euros a pagar pelo concessionário, mais a renda durante 35 anos e 1,5 milhões de apoio do PEDUCA, isto vai obrigar a Câmara gastar 6,9 milhões de euros para 200 lugares.
Há um disparo da receita, a margem do negócio vai subir. Por 3,340 milhões de euros a 40 anos, o concessionário fica com um ativo capaz de gerar um potencial de receita significativa. Vai dar margens muito superiores a 60 % do valor investido. É um negócio da China.
O projetista fez um mau trabalho e passados seis meses foi preciso reformular. Até correu bem não ser admitida a proposta que ficou de fora, a Câmara estaria metida numa carga de trabalhos” – João Sousa (vereador do PS).

“Pirata é uma imagem excessiva. Faz parte do jogo ter a tática correta para ir às gavetas que têm dinheiro. Temos espaço de progressão na operação PEDUCA para chegar a mais fundos europeus, entre 5 a 7 milhões de euros na estrutura dos 25 milhões de investimento.
Temos um puzzle de muitas outras peças com relação ao projeto Rossio.
Instrumentalização da pandemia ? Todos os argumentos chegam para tomar a decisão, infelizmente temos mais esta circunstância a combater. Não era preciso, mas é preciso injetar dinheiro na economia, temos de dar o exemplo.
O projeto da cave apresenta mais segurança com uma solução desta natureza, ouvimos os técnicos.
O estudo de viabilidade económica foi feito num quadro de ocupação alta. O Covid baixou as taxas, existem perdas. Se tudo correr bem, o estacionamento não andará longe dos 60% de margem. Mas vai ser assim?”
Ribau Esteves (presidente da Câmara).

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