Aveiro é uma região atrativa para profissionais qualificados?

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Universidade de Aveiro.

Especificamente para o distrito de Aveiro, a maioria dos alunos entrevistados consideram que a região oferece um mercado de trabalho favorável, com oportunidades para recém-graduados.

Marta Ferreira Dias, Marlene Amorim, Mara Madaleno, Angélica Souza e Roberto Rivera *

Em Aveiro este tema é de particular interesse dado que muitos profissionais afluem à cidade para obter os seus cursos superiores. A forte mobilidade dos profissionais atuais, associada a questões como a equiparação salarial e o custo de vida destacam-se como os principais desafios à retenção de talento.

Melhores oportunidades de emprego e crescimento académico e profissional são algumas das principais vantagens que oferecem as grandes cidades aos seus profissionais.

Em Portugal, Lisboa e Porto agrupam mais de 40% da população nacional, e são polos económicos atrativos para o investimento estrangeiro e para o estabelecimento de empresas nacionais e multinacionais.

Por sua vez os centros urbanos com menor densidade populacional enfrentam grandes desafios na retenção de profissionais, por comparação, embora localmente possam existir oportunidades de emprego. Este facto condiciona o crescimento da economia local e obriga a repensar as suas ofertas nomeadamente no que diz respeito à qualidade de vida e ao bem-estar dos seus cidadãos.

Nesta perspetiva, diversos municípios estão a trabalhar no planeamento, avaliação e aplicação de iniciativas, que visam a retenção de profissionais qualificados.

Estudos recentes apontam diversos motivos que condicionam as escolhas dos indivíduos no que concerne ao seu local de trabalho e residência. Uma investigação recente conduzida pela Universidade de Aveiro permitiu conhecer melhor as perceções dos estudantes de graduação e pós-graduação relativamente a vários fatores de atratividade territorial, do mercado de trabalho, bem como algumas das motivações para permanecer e trabalhar na região de Aveiro após os seus estudos.

De acordo com os resultados, a atratividade de uma região para o desenvolvimento profissional de um cidadão é regida em grande medida pelo custo de vida, fator que se destaca de entre oito critérios que envolviam aspetos económicos, sociais e ambientais como mostra o gráfico 1.

Nos aspetos que determinam a atratividade de uma região destacam-se o custo de vida, as acessibilidades, a criminalidade e as infraestruturas.

Especificamente para o distrito de Aveiro, a maioria dos alunos entrevistados consideram que a região oferece um mercado de trabalho favorável, com oportunidades para recém-graduados. Como fator secundário surge o salário, bem como a oferta de emprego adequado às qualificações.

Contudo, a perceção da realidade mencionada não supera as expetativas dos futuros profissionais uma vez que, ao serem questionados sobre as intenções de permanecer na região após a conclusão dos seus cursos, tanto estudantes de graduação quanto de pós-graduação mencionaram não ter total certeza dessa decisão.

Os resultados indicam que ao nível do emprego, a cidade parece ser mais atrativa para os estudantes de pós-graduação do que para os de graduação. A análise comparativa, tendo em conta o nível académico dos entrevistados permite verificar que as motivações para os estudantes licenciados são mais abrangentes e diversas e incluem fatores culturais e de lazer, enquanto que para os alunos de graduação as prioridades são as condições de acessibilidade e a mobilidade urbana, bem como a proximidade à família.

O gráfico 2 apresenta a intenção de permanência na região de Aveiro, de acordo com a escolaridade dos entrevistados.

A dúvida na intenção de permanência da região de Aveiro reduz-se dos finalistas de licenciatura para os de pós-graduação, os números dos que dizem sim aumenta.

Embora a região de Aveiro seja definida como calma, acolhedora e culturalmente atrativa, características que poderiam contribuir para uma elevada qualidade de vida, os estudantes revelaram ter uma perceção pouco clara sobre o tecido empresarial da região, nomeadamente no que concerne à existência de grandes empresas. Mencionaram ainda a falta de oferta de emprego para trabalho especializado em áreas específicas e os baixos salários como os fatores que influenciam a sua decisão de não se manterem na região.

Atualmente, Aveiro enfrenta um período de transição, principalmente no que se refere à digitalização de processos técnicos e operacionais nos diferentes setores económicos, e por isso cresce a exigência de recursos humanos altamente qualificados e capazes de atender às necessidades das empresas, bem como ao desenvolvimento da própria região.

Assim sendo, os resultados deste estudo, bem como outros inseridos na mesma temática, estão a criar as bases para a construção de estratégias das empresas, bem como decisões políticas que fomentem a atratividade necessária ao desenvolvimento local e regional, bem como à atração de investimento em ações que visem oferecer os padrões de qualidade de vida esperados.

Docentes Marlene Amorim, Marta Ferreira Dias e Mara Madaleno e pelos Bolseiros de Investigação Angélica Souza e Roberto Rivera (DEGEIT/UA). Colaboração nesta cronica da investigadora Liliana Baptista.

* Equipa de investigação Economia, Gestão e Inovação Social (REMSI) da Universidade de Aveiro (UA). Artigo de opinião publicado originalmente pela UA.

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