Aveiro: Câmara garante aumento da execução das GOP, apesar das incertezas conjunturais

1308
Ribau Esteves, presidente da CM de Aveiro (Facebook da Assembleia Municipal).
Dreamweb 728×90 – Video I

A proposta de Grandes Opções do Plano (GOP) e Orçamento apresentada pela Câmara em Aveiro para 2022 motivou reticências durante a discussão na Assembleia Municipal que antecedeu a aprovação por maioria.

PS e PCP colocaram muitas dúvidas que a coligação PSD-CDS-PPM tenha condições para realizar o que propõe num montante global de 130 milhões de euros, onde figuram necessariamente investimentos plurianuais.

Na hora da votação, a esquerda (PS, BE e PCP), assim como o PAN votaram contra. O Chega optou pela abstenção. António Aguiar, autarca de S. Jacinto (PS) votou a par dos eleitos do PSD, PPM e CDS.

Artigo relacionado

Aveiro: ‘Pacote fiscal’ sem alterações em 2022, IMI com redução em vigor dentro de dois anos

“Até podíamos concordar com quase tudo, mas muito do escrito no final de 2022 ficará por fazer”, alertou Joana Lima, eleita comunista, para quem o aumento de receitas inscrito na ordem dos 50%, ainda sem ser conhecido o saldo a transferir no final de 2021, aponta para “um orçamento de fantasia ou pior de logro”. O que é agravado por manter “condições desnecessárias” colocadas pelo “receituário” do Programa de Ajustamento Municipal (PAM), nomeadamente ao não existir baixa de impostos.

Já o maior partido da oposição continua a criticar a maioria por apresentar GOP’s com “falta de fio condutor nas medidas que vão surgindo”. O PS lembrou, também, a baixa taxa realização de despesa em 2021, na ordem dos 40%, estranhando que tal não tenha impedido a Câmara de apresentar um volume de receitas em 2022 “que não é condizente com a execução” que tem vindo a ser conseguida.

Perguntou Francisco Picado sobre a proposta de 2022: “Como se pode compaginar uma expetativa de execução acrescida, quando se invocam dificuldades também acrescidas?”. O porta-voz socialista lembrou que a própria Câmara já decidiu fazer alterações na programação de empreitadas até 2024, mas continua a prever “mais execução em contexto de mais dificuldade”, correndo, assim, “o risco de baixas taxas execução, com as quais não concordamos”.

O presidente da Câmara insistiu em nota de confiança na capacidade de levar à prática os projetos inscritos nos documentos. Sem quer propriamente entrar no ‘jogo’ dos “palpites”, Ribau Esteves deu como “garantido, claramente, uma execução entre 60 e 70%”. Em resposta ao PCP, adiantou que o saldo a transportar para 2022 rondará 35 milhões de euros.

Para justificar a melhoria, o edil lembrou que começarão a ser feitos pagamentos de obras e investimentos “grandes”, como a nova Avenida, a requalificação do Rossio e a construção do ferry elétrico. “Até agora estavam a cativar verba e contribuir para não execução”, explicou, mantendo reservas uma vez que persistem “incertezas” conjunturais que podem ter reflexos na gestão municipal.

Ribau Esteves refutou as críticas socialistas quanto a alegada existência de obras “avulso e ausência de estratégia”, o que, defendeu-se, é contrariado pelos documentos de planeamento elaborados. “O problema, talvez, é que dão trabalho a ler e, mais, a estudar”, ironizou. Na Avenida, garantiu encontrar “cada vez menos gente a dizer que está errado” o projeto agora levado à prática.

Outras críticas e reparos

Gabriel Bernardo, eleito do Chega, concordou que a Câmara “tem feito obra e mostrado competência em buscar fundos europeus”, mas deveria estar “melhor”, por exemplo, “a optimizar o consumo eletricidade” com energias alternativas e, assim, poder “reduzir os impostos que os munícipes pagam”. Noutra área, embora ressalvando que o partido “não é contra a imigração”, não deixou de pedir “algum cuidado” nas “medidas fofinhas” propostas no apoio ao multiculturalismo.

O Bloco, através de Ivo Angélico, retomou críticas ao transportes”, que permanecem, no entendimento do partido, “no mínimo”, criticando, também, a ausência de medidas para “para responder ao preço das habitações” que a proposta de vender terrenos para residências privadas de elevado custo junto à universidade “não ajuda”. Os bloquistas consideraram, ainda, que o serviço público de ação social está insuficientemente dotado de verbas (150 mil euros) e “mantém um modelo que não serve, pois decide caso a caso”.

Já Pedro Rodrigues, do PAN, gostaria de ter visto nas GOP avanços no combate à praga de jacintos nos recursos hídricos (Vouga e pateira), lamentou a demora no canil intermunicipal e criticou a “prioridade ao betão” nos investimentos da área da cultura, que surgem à frente das opções de programação.

Artigo relacionado

Aveiro: Presidente de Câmara mantém “previsão” da baixa do IMI em 2023

Vídeo

Assistir à sessão da Assembleia Municipal de Aveiro.

Publicidade, serviços e donativos

» Está a ler um artigo sem acesso pago. Faça um donativo para ajudar a manter o NotíciasdeAveiro.pt de acesso online gratuito;

» Pode ativar rapidamente campanhas promocionais, assim como requisitar outros serviços.

Consultar informação para transferência bancária e aceder a plataforma online para incluir publicidade online.