Aveiro / Assembleia Municipal: O projeto do Rossio

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Edifício sede da Assembleia Municipal de Aveiro.
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“Declaração de voto” – Espaço de opinião semanal das bancadas dos partidos representados na Assembleia Municipal de Aveiro.

  • A Câmara anunciou que irá deliberar no sentido da adjudicação do projeto requalificação do Rossio / concessão de estacionamento subterrâneo, confirmando o avanço do projeto.

“Desde o inicio que a bancada do PSD da Assembleia Municipal de Aveiro é favorável à requalificação do Jardim do Rossio, tanto mais que essa é uma obra prevista pela Candidatura da Aliança com Aveiro.
Somos favoráveis a uma requalificação do Jardim do Rossio com mais área verde, mais árvores, mais e mais largos passeios, com a criação de um Parque Infantil moderno e maior, com zero, repito zero, estacionamento de carros à superfície para que todo o Jardim do Rossio e a sua envolvência sejam para usufruto das pessoas, também somos favoráveis a que no seu subsolo seja construindo uma grande e moderna bateria sanitária, que no seu subsolo exista uma frente de carga para veículos eléctricos, que no seu subsolo seja construído um parque de estacionamento para suprir a inexistência do mesmo à superfície.
No fundo, a bancada do PSD da Assembleia Municipal apoia e apoiará um novo Rossio, mais verde, com mais árvores e sem carros à superfície. Esperamos também que este projecto avance e mais rapidamente possível, pois ele trará aos Aveirenses melhor qualidade de vida, aos Aveirenses e a quem nos visita.” – Manuel Prior (PSD)

“O PS mantém a sua posição de fundo. O estacionamento em cave foi sempre um erro desastroso:
1 – O processo. Continua a não ser apresentado um Plano integrado para as várias idiossincrasias neste território da cidade. As transformações da vida das cidades são mudanças na vida das pessoas; por isso, estas devem ser envolvidas no diagnóstico dos problemas; nas novas soluções; nos projetos e na sua articulação, dos quais emanam impactos nas diversas atividades e diferentes dimensões: comércio, habitação, ambiente, cultura, natureza paisagística (natural, design urbano, arquitetura,…), turismo e mobilidade (nos diversos modos e com as respetivas pressões por saturação);
2 – A legitimidade democrática. Esta intervenção na cidade não fez parte do programa eleitoral. Não foi sufragada em lado nenhum. É demasiado grave;
3 – Os impactes do projeto. É discutível o que já há de estratégia para o turismo, para a mobilidade, para a cultura. Não é aceitável a ausência de uma estratégia para a habitação, para os residentes, para as questões sociais específicas da Beira-Mar e adjacentes;
4 – (in)Viabilidade financeira. O Rossio é património ambiental, só pode continuar a ser um jardim. A cidade de Aveiro tem de ser uma cidade com futuro sustentável;
No nosso ponto de vista trata-se da imposição de uma vontade que os Aveirenses não esquecerão.” – Francisco Picado (PS)

“Recupero extractos da minha intervenção na sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Aveiro realizada em 10 de Outubro de 2019, na qual foi manifestado o apoio do CDS/PP ao projecto de requalificação do Rossio: Pode ser uma praça mais ampla, pois vai deixar de ter o estacionamento à superfície, que vai permitir utilizações diversificadas ao longo do ano, pode ser um jardim construído com as espécies arbóreas mais adequadas para o local, pode e vai ser um espaço de convívio, pode e vai ser uma lugar mais seguro a qualquer hora do dia ou da noite, seja pelo desaparecimento do estacionamento à superfície e consequente afastamento dos arrumadores, seja pela iluminação nocturna que irá espantar alguns tipos de frequência ali existente, a qual não parece ser motivo de preocupação para alguns dos que lá vivem.
Ao deixar de ter estacionamento à superfície e trânsito de autocarros e ao suprimir o sentido de trânsito Pontes-Rossio, o que reduzirá imenso o trânsito desnecessário no Rossio (…), mais de 90% entrarão certamente no parque de estacionamento deixando de andar às voltas à superfície para procurar lugar para estacionar. O reflexo imediato destas alterações, e não é necessário ser cientista do ambiente para chegar a esta conclusão, é que os níveis de poluição irão naturalmente baixar de forma relevante.
Outra vantagem significativa desta intervenção é a renovação do sistema de águas residuais (…). Finalmente, a intervenção nas pontes e Rua Clube dos Galitos, culminará a requalificação desta zona central da nossa cidade.” – Jorge Greno (CDS)

“Devíamos estar a criar as condições para uma redução drástica de circulação de automóveis no centro da cidade, mas a edilidade compromete-se com uma visão do urbanismo e da mobilidade urbana do século passado. Este enorme erro vai trazer mais carros para a Beira-mar, colocando uma zonas muito sensível sob ainda mais pressão.
A trama do concurso público é conhecida, e vem-se a repetindo no concelho: lançasse um concurso com um determinado valor de base para, de seguida, cancelar o concurso na secretaria relançando-o com condições ainda melhores para os privados. Foi assim com a MoveAveiro e é assim com o estacionamento subterrâneo.
Esta obra está na corrida para ser um dos projetos de vaidade autárquicos mais caros dos últimos anos. Os números não enganam. A construção do buraco do Rossio vai custar cerca de 11.7 milhões com o concessionário privado a assumir apenas 2.5 milhões, mais uma renda anual de 24 mil euros. Ou seja, a CMA vai recuperar o seu investimento daqui a 383 anos.
O abandono a que o jardim do Rossio foi submetido, impõe a necessidade de uma requalificação do espaço. Mas o estacionamento é de pertinência nula. A obra só vai beneficiar os grandes negócios hoteleiros e a especulação imobiliária. Não protege os interesses de quem vive na cidade nem protege o erário público.” – João Moniz (BE)

“Aveiro atravessa um período de excesso de obras que decorrem todas ao mesmo tempo, fruto da pressão eleitoralista das próximas eleições autárquicas deste ano. Estes projectos de grande intervenção na malha urbana têm afectado gravemente toda a mobilidade, o comércio e altera o ordenamento da cidade e sua paisagem. Num momento de emergência sanitária que se vive, em que as micro, pequenas e médias empresas e a população vivem com sérias dificuldades económicas e sociais, este afloramento de obras só vem acrescentar ainda mais crise à crise já existente. Neste contexto, o parque subterrâneo do Rossio e o projecto de destruição do seu jardim é uma teimosia e obsessão política de Ribau Esteves, que tem vindo a alimentar acentuadamente um maior divórcio entre a população, associações civis e outras organizações com a Câmara Municipal, por esta não auscultar e responder às aspirações e legítimas preocupações dos residentes e comerciantes, como tem vindo a afirmar o PCP desde o início.
A contestação pública, algumas delas interpostas na justiça, por vários académicos, associações ambientalistas, movimentos ecologistas e grupos de moradores são exemplo de como o projecto do Rossio nasceu “torto”. Para o PCP não faz sentido avançar com uma obra desta natureza que é completamente antagónica às cidades sustentáveis (menos carros, mais pessoas) que se exigem neste presente e futuro de emergência climática.” – David Silva (PCP)

“Requalificação do Rossio sim, o projecto previsto à revelia do que pretende a maioria dos Aveirenses, não.Não também ao enterro de 11,7 milhões de euros nesta obra que, para além das questões mencionadas, poderá trazer graves problemas ao edificado local e que já está longe do valor inicialmente orçamentado, sendo que estamos habituados a derrapagens orçamentais, o que nos preocupa numa altura de pandemia em que é primordial o apoio aos cidadãos e empresas locais que se encontram em dificuldades. Ao invés disso manteve-se os impostos elevados numa cegueira de cimento e betão.Lembramos que o próprio edil afirmou em sede de Assembleia Municipal, no dia 28 de Junho de 2018 *: “Já tenho dito isto, se o apontamento dos estudos confirmar estimativa da ideia-base que são cerca de 4,7 milhões de euros, então muito bem, viabilidade tranquila e vamos embora para a frente. Se disser que é por exemplo o dobro, não há viabilidade, acabou a conversa ” (ver ata da AM). Gostaríamos de ver o presidente da Câmara de Aveiro manter a garantia dada na casa da democracia.
Pelo contrário, mantém a obra, numa concessão a 40 anos que oferece ainda a custo zero a exploração do estacionamento do Parque Manuel Firmino. Lembramos que existem parques de estacionamento na proximidade: o parque do Fórum e o parque da Praça Marquês de Pombal, este último quase sempre vazio, para além de que estão a ser construídos novos parques. Aveiro necessita da preservação deste espaço verde no centro da cidade, que sejam plantadas mais árvores no Rossio, que se promovam zonas pedonais e ciclovias para o usufruto e vivência do espaço urbano, mantendo longe o ruído e a poluição automóvel do centro da cidade.” – Marta Dutra (PAN)

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