Inteligência artificial (imagem genérica).

A inteligência artificial (IA) generativa entrou, de forma abrupta, no quotidiano educativo, despertando simultaneamente entusiasmo e desconfiança. Assim, impõe-se uma pergunta simples, mas decisiva: que lugar deve ocupar a IA na escola? A resposta aponta para uma mudança estrutural que exige reflexão crítica e ação informada.

Por Margarida M. Marques, Juliana Monteiro *

As perspetivas de investigadores, professores e futuros docentes sugerem que a IA pode apoiar diversas tarefas, como o planeamento de aulas, a criação de recursos educativos e a disponibilização de feedback personalizado aos alunos. A possibilidade de gerar, por exemplo, textos, simulações e cenários problemáticos abre novas formas de explorar conteúdos complexos de forma mais visual e interativa. Contudo, o seu valor educativo não reside na tecnologia em si, mas na intencionalidade pedagógica que orienta o seu uso.

É aqui que surge um dos principais desafios docentes: articular conhecimento científico (ex., biologia), pedagógico (ex., como se aprende) e tecnológico (ex., que ferramenta é mais adequada). Com a utilização da IA em contexto educativo, o professor é chamado a reforçar o seu papel de mediador, orientador e curador crítico da informação, já que a IA não substitui a capacidade humana de interpretar, contextualizar e dar sentido à aprendizagem.

No domínio da avaliação automática, as reservas são evidentes. A IA pode apoiar o feedback formativo, mas não substitui o olhar profissional que compreende o “porquê” do erro, a singularidade dos percursos e a complexidade da aprendizagem. Avaliar é mais do que classificar e, por isso, exige julgamento humano.

Adicionalmente, a integração da IA na educação levanta questões éticas incontornáveis, como a privacidade dos dados, o uso responsável da informação, a honestidade intelectual e o próprio risco de desumanização da educação. Assim, quando se opta por usar IA no processo educativo, torna-se essencial reconhecer o seu uso e discutir as suas implicações com os alunos.

A seleção adequada de ferramentas, a compreensão das suas limitações e o uso ético exigem competências ainda em desenvolvimento. A ausência de orientações claras e a rápida evolução tecnológica criam um desfasamento entre o potencial e a utilização pedagógica eficaz das ferramentas. Por isso, reforça-se a necessidade de formação docente articuladora de conhecimento científico, pedagógico e tecnológico.

Neste cenário, a resposta não passa nem pela rejeição automática, nem pela adesão acrítica, mas por uma escolha consciente, pedagógica e ética. Considera-se que a IA não substitui o professor, mas transforma o seu papel, já que educar implica saber quando usar tecnologia, como a usar e, sobretudo, porquê. É neste equilíbrio entre inovação e humanização que se joga o futuro da educação.

* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Este texto foi desenvolvido com apoio de IA generativa no âmbito do projeto GAI-SciTeach, da Universidade de Aveiro, financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P. (ref. 2023.13203.PEX). Publicado em UA.pt.

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