Escola de São João da Madeira.

A convivência cidadã valoriza cada vez mais a saúde como garante do bem-estar e do desenvolvimento. Porém, não demonstra igual clarividência no reconhecimento do protagonismo da educação relativamente à promoção da saúde e à prevenção da doença.

Por Ana Carolina Frias *

Deste meu lugar de investigadora, vejo a saúde como uma dimensão holística, construída com a escola, de forma interdisciplinar e multissetorial, mediada por um saber docente particularmente atento às realidades de todas as infâncias e de cada juventude.

A célebre definição de saúde da Organização Mundial da Saúde como “completo bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença ou enfermidade”, apesar das limitações decorrentes, sobretudo, da dimensão tão abstrata, absoluta e idealista de completo bem-estar, permitiu-nos uma visão mais positiva e humanista deste conceito. As conferências internacionais de saúde que se seguiram, afirmaram a saúde como uma dimensão que se aprende e promove, com as pessoas, no seu contexto de vida, valorizando os seus recursos e potencialidades, numa responsabilidade partilhada.

Os desafios que enfrentamos, agravados por desequilíbrios ambientais ameaçadores da saúde de todos os seres vivos e da sustentabilidade planetária, convocam-nos a incorporar nas nossas vidas a visão de “uma só saúde”*, respeitando a ligação entre pessoas, animais, plantas e ambiente. Este é, aliás, um exercício de cidadania onde *cada professor/a tem um papel de destaque, uma vez que:

Ao permitir que crianças e jovens desenvolvam competências pessoais, sociais e de compreensão do mundo alicerçadas no pensamento crítico e criativo, participa no desenho de soluções para questões de saúde humana, ambiental e animal, à escala global/local;

Quando aborda a doença, ousa problematizar o estigma que se lhe associa, consciencializando para a ética relacional da sã convivência e para a construção de percursos de saúde, mesmo quando uma doença surge;

Ao integrar a saúde em diferentes áreas do currículo, semeia em cada aluno/a atitudes de investigação como a curiosidade, a necessidade de saber mais e de validar estratégias para o uso do conhecimento, garantindo-lhes um feedback oportuno;

Ao ensinar a autonomia para a responsabilidade, liberdade e tomada de decisão consciente das consequências, implica crianças e jovens na gestão dos seus projetos de vida saudáveis;

Através do seu espírito dialogante estabelece parcerias com profissionais de saúde e outros setores da comunidade, geradoras de aprendizagens ricas, significativas e sustentadas num saber teórico e prático recíproco;

Este saber docente é a cola que une todas as subtilezas humanas dos que aprendem sendo, em caminhos de (re)descoberta permanente de atitudes de vida salutogénicas.

A promoção da saúde e a prevenção da doença requerem uma formação científica, humana, ética e relacional, na qual o saber docente tem, desde cedo, presença obrigatória.

* Investigadora do Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Artigo publicado originalmente no site UA.pt.

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