Assembleia da República (foto partilhada no Facebook da AR).

Dois dias antes de se assinalar os 50 anos da Constituição da República Portuguesa participei no Fórum das Políticas Públicas 2026, dedicado a esta Carta Magna da nossa democracia.

Por Eugénio Fonseca *

Organizado pelo Instituto para as Políticas Públicas e Sociais- IPPS- ISCTE- IUL, juntou todos os presidentes do Tribunal Constitucional desde a sua criação, que deram a sua opinião sobre a importância da CPR como a garantia pelo respeito de valores fundamentais subjacente à defesa da dignidade humana e da democracia. Dois destes valores, o direito à saúde e ao trabalho foram objetos de uma interessante reflexão. O ponto de partida para todas as opiniões formuladas foi a divulgação de um estudo sobre “O que
Pensam os Portugueses: 50 anos da Constituição”, coordenado pelos Professores Pedro Adão e Silva e Isabel Flores. Sem prejuízo da leitura integral deste estudo, que se encontra disponível no sítio do ISCTE, deixo algumas das abordagens que me parecem mais pertinentes.

Desde logo, o objetivo central deste Estudo que «foi conhecer, de forma sistemática e representativa, as atitudes, perceções e opiniões dos cidadãos face ao texto constitucional: o grau de identificação com os seus princípios; a avaliação da concretização dos direitos e deveres que consagra; as posições face à possibilidade e ao sentido de uma revisão; e os níveis de confiança nas instituições que a Constituição criou e legitima”.

São 3 os principais eixos que os coordenadores deste Estudo retiraram dele: «Uma adesão robusta, sustentada por uma literacia constitucional frágil». Com efeito, os portugueses tendem a ver na Constituição um símbolo da democracia e, não tanto, um instrumento jurídico.

Mesmo assim, é significativo o número de inquiridos que respondeu às questões com um “não sabe”; a efetivação dos direitos económicos, sociais e culturais «são os que suscitam maior ceticismo”, sobretudo por parte de quem tem rendimentos baixos ou sofre a precariedade habitacional e laboral; a maioria dos portugueses «quer uma revisão constitucional – mas não uma nova Constituição.

As propostas que reúnem maior apoio são a criminalização do enriquecimento ilícito e a redução do número de deputados». Foram sugeridas mais outras propostas de alteração, mas «71% consideram que os cidadãos deveriam ter maior participação nos processos de revisão constitucional». Assim, também, se percebe o relevante pendor democrático que impregna este texto fundamental da República Portuguesa.

A Constituição nunca foi um problema à governação e à implementação de políticas públicas. Parece-me que ainda não se tem conseguido tirar maior proveito dela. Por isso, há que encontrar metodologias adequadas a cada público alvo para que o conhecimento dos fundamentais princípios constitucionais cheguem à população portuguesa. Sairia mais robusto o Portugal democrático.

* Artigo publicado originalmente no site Solidariedade.pt.

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