
A verdade é que, em cada época das vidas, surgem modas que vão mudando e, frequentemente, se repetem em ciclos.
De tal forma que há quem guarde malas cheias de coisas que já não usa, porque, justificam, ainda poderão vir a usar-se.
Ora, quando eu era jovem – e não vejam nisto saudosismo doentio – os cabelos das pessoas, principalmente das raparigas, não tinha nada que saber, ou eram loiros ou castanhos e, raramente pretos. Havia ainda os ruivos, mas esses pressupunham sardas nos rostos e não eram lá muito bem vistos. A moda era, verdadeiramente, o loiro. Curtos, compridos, lisos, encaracolados, mas, definitivamente, loiros.
Claros, mais escuros, platinados, enfim…loiros. E quem, naturalmente, não tinha nascido assim, banhava-os com água oxigenada. O pior é que, quando começavam a crescer… as raízes iam ficando da cor natural… e lá era preciso voltar à água milagrosa com o investimento adequado.
Bom, com o passar dos anos, os meus cabelos começaram a perder a cor, a ficar mais esbranquiçados, e também a moda dos cabelos começou a mudar. Lembro-me que apareceu a Maria José Valério, artista de então, com uma enorme madeixa verde no cabelo. Pois, ela cantava o hino do Sporting, e era para marcar essa posição. E, por aí fora, começaram a aparecer madeixas de todo o género, feitio ou…cor.
Azuis, verdes, amarelos (não loiros, mas amarelos!) cor de rosa, vermelhos… E agora, ninguém se espanta com o tipo, corte ou cor que os cabelos apresentem. Podem ser rapazes ou raparigas, rapados com tranças no meio, ou rabichos, cor de burro quando foge ou… mesmo sem qualquer ponta de pelo que se veja… ninguém se espanta. Tornou- se normal, ou como se diz agora, tornou-se viral.
Porém, para mim, há uma dúvida que se impõe: antigamente, a massa que enchia a cavidade craniana e, se dizia, dava inteligência às pessoas, era cinzenta. Será que, com esta moda da variedade colorida, também a tal massa cinzenta, detentora do bom senso, indispensável ao comportamento humano, mudou de cor, alterando-o, ou… é apenas uma questão de moda dos tempos?
Parafraseando o romancista e dramaturgo polaco, Witold Gombrowicz, é nesta simplicidade que existe uma enorme dificuldade!
Aproveitem, se puderem ou o tempo o permitir, os últimos banhos de Agosto!
Jesus Zing
Siga o canal NotíciasdeAveiro.pt no WhatsApp.
Adicionar Notícias de Aveiro às suas fontes preferidas no Google.
Montra Online NotíciasdeAveiro.pt
Consulte as oportunidades (artigos e serviços).
Publicidade e donativos
Está a ler um artigo sem acesso pago. Pode ajudar o jornal online NotíciasdeAveiro.pt. Siga o link para fazer um donativo . Pode, também, usar transferência bancária, bem como ativar rapidamente campanhas promocionais ( mais informações aqui ).






