
O SC Beira-Mar eliminou o União de Lamas em partida disputada esta sexta-feira à noite em Aveiro a contar para a primeira ronda da Taça de Portugal que só ficou resolvida nas grandes penalidades (5-4), depois do tempo de prolongamento se esgotar sem alteração do marcador registado no final dos 90 minutos e ‘extras’ (3-3). A equipa da ‘cidade da Ria’ vai receber na próxima eliminatória o vencedor do jogo Lusitano de Évora – Belenenses, equipas da Liga 3.
Os lamassenses falharam dois ‘castigos máximos’ (Diogo Almeida negou o golo a Kiko e Daniel Rodriguez ‘atirou para a bancada’ já na ‘morte súbita’), enquanto que a formação da casa desperdiçou apenas uma das seis oportunidades (Abdul permitiu a defesa de Rúben Loureiro).
No entanto, os aurinegros ‘não ganharam para o susto’, uma vez que foram para intervalo em posição confortável (2-0) e até chegaram ao terceiro, mas depois de sofrerem o 3-1 claudicaram no último quarto de hora, sendo obrigados a ‘trabalho suplementar’.
Dando expressão ao maior ‘atrevimento atacante’ David Oliveira, aos 8 minutos, ‘abriu o marcador’, de cabeça, após cruzamento da direita de Gustavo Almeida. O mesmo jogador que ampliou a vantagem ao quarto de hora. Após lançamento largo para área, recebeu no peito e rematou entre os centrais.
Do lado contrário também se viam jogadas de perigo, mas faltava eficácia: Daniel Rodriguez cabeceou à trave, Aparício falhou uma interceção na pequena área e a trave ‘salvou’ o Beira-Mar pela segunda vez, num canto direto.
Pouco depois do início da segunda parte, os adeptos da casa voltaram a festejar. Didi rematou para o fundo das redes, aproveitando um mau alívio defensivo em ‘situação de aperto’ junto da baliza forasteira.
Não tardaria, contudo, a surgir o golo que serviu de ‘rastilho’ para uma ponta final surpreendente do Lamas. Mário Henrique reduziu num desvio certeiro após cruzamento rasteiro da esquerda. À entrada do último quarto de hora, Rubinho, numa ‘trivela’, fez o segundo dos visitantes com ‘nota técnica’ e, após ‘alguns ensaios’ sem sucesso, surgiu a igualdade através de um remate cruzado de Pereirinha junto à área, também em registo de belo efeito. Já ao Beira-Mar faltava a ‘pontaria’ anteriormente demonstrada e o prolongamento tornou-se inevitável.
No tempo ‘extra’ as equipas lutaram muito, mas a qualidade do futebol baixou, naturalmente, ainda para mais com desgaste físico agravado por um relvado que não ajudou. David Oliveira, mais possante, ainda teve um cabeceamento perigoso quando os locais faziam um derradeiro ‘pressing’. Seriam, assim, os penáltis a ditar o vencedor do embate entre rivais históricos do futebol distrital de Aveiro que se vão cruzar novamente no Campeonato de Portugal.
Discurso direto (declarações ao Canal 11)
“Conseguimos chegar ao 3-0, quando no estádio se pensava que estava resolvido, tivemos um adversário audaz, não deitou ‘a tolha ao chão’. Foi atrás do resultado, acreditou, acaba por ser premiada com o 3-3. Mas também houve demérito nosso na forma como sofremos o 3-2. Sentimos muitas dificuldades. Reagimos após o empate, podíamos ter evitado as grandes penalidades. Depois é a sorte, mas também trabalho. Uma passagem que nos alivia, somos um clube histórico, há uma pressão associada a esta competição. Concluímos o jogo não totalmente satisfeitos, porque chegámos ao 3-0, mas sentimo-nos realizados por chegarmos à segunda eliminatória. Agora vamos tentar aprender com os erros neste jogo para não os repetir no campeonato” – Fabeta, treinador do SC Beira-Mar.
“Não é por não termos marcado um penálti que a equipa não deixa de fazer algo épico aqui. A prova rainha do futebol português, demos ao público um jogo incrível. Entrámos melhor, estávamos a ser melhores, só que sofremos dois golos nas primeiras vezes em que o Beira-Mar foi à nossa baliza. Tivemos oportunidades. Ao intervalo disse que estávamos a jogar melhor, mas precisávamos de sermos eficazes, tínhamos de ir em busca do golo. Sofremos o terceiro de forma ridícula para dificultar ainda mais, depois chegámos ao 3-3 e podíamos ter marcado o quarto. No prolongamento fez-se sentir o cansaço. Nos penáltis, a sorte podia sorrir para qualquer lado. Se o penálti do Kiko entrava… primeiro jogo de sénior, na televisão. Mas o que nós fizemos é grandioso. Não ganhámos, temos de levar esta revolta para o jogo com o Guarda, não queremos vitórias morais” – Tiago Leite, treinador do União de Lamas.
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